Febre Reumática – CID 10: I00-I02

Febre reumática, ou reumatismo infeccioso, é uma doença inflamatória, de caráter autoimune, provocada pela bactéria Estreptococo beta-hemolítico do grupo A de Lancefield, a mesma responsável por infecções de garganta e pela escarlatina. A enfermidade, em geral, se manifesta por volta de 7 a 15 dias depois de um episódio infeccioso de faringoamidalite com febre. O pico de incidência ocorre em 3% das crianças entre 5 e 15 anos, que apresentam alterações no sistema imunológico por herança genética. Quanto mais jovem o paciente, maior o risco de a febre reumática deixar sequelas graves. Inúmeras crianças apresentam frequentes infecções de garganta, especialmente nos primeiros anos de vida, porém isto não é suficiente para predispô-las a apresentar a Febre Reumática. A predisposição necessária para apresentar a doença é herdada dos pais e já nasce com a criança.

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Com base nas queixas que a criança vem apresentando nos últimos dias, ou seja, da presença de dor e inchaço nas articulações, do sopro cardíaco e/ou da coreia associada às alterações nos exames de sangue que podem comprovar a presença de inflamação: velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C reativa (PCR) e alfaglicoproteína. A presença de infecção de garganta antes do início das alterações articulares ou cardíacas é muito importante para o raciocínio do médico que poderá comprová-la por meio da dosagem da antiestreptolisina O (ASLO). Exames de sangue, de cultura de material da orofaringe e a pesquisa de anticorpos para identificar a presença do estreptococo são úteis para confirmar o diagnóstico com base na avaliação clínica. Na hipótese de comprometimento das válvulas do coração, eletrocardiograma, ecocardiograma e raios-x de tórax são exames recomendados.

A manifestação mais frequente é a artrite que se caracteriza por dor intensa, que dificulta o caminhar, e por inchaço e calor discretos. As articulações mais acometidas são os joelhos e tornozelos. É comum a dor e as outras alterações passarem de uma articulação para outra, permanecendo de dois a três dias em cada uma. A segunda manifestação da Febre Reumática é o comprometimento do coração (cardite) caracterizado por inflamação nas três camadas (na membrana que o reveste, no músculo e no tecido que recobre as válvulas). Clinicamente nós identificamos esse comprometimento pelo sopro cardíaco, pelo aumento da frequência dos batimentos do coração e pelas queixas de cansaço e batedeira aos esforços. Este é o comprometimento mais importante porque pode deixar sequelas e limitar a vida do paciente. A terceira manifestação é a coreia, que se caracteriza por fraqueza nos braços e nas pernas, por sensibilidade emocional (a criança torna-se mais irritada e chorona) e por movimentos dos braços e das pernas que pioram quando a criança fica tensa e desaparecem durante o sono. Outros sintomas são: * Manchas avermelhadas na pele (eritema marginado); * Nódulos subcutâneos; * Febre baixa (37,5º C); * Prostração; * Inapetência; * Falta de ar.

O primeiro passo logo que se suspeita desta doença é tratar a infecção de garganta mesmo que ela tenha acontecido duas ou três semanas antes e isto deve ser feito com a penicilina benzatina (ou da eritromicina para os pacientes alérgicos à penicilina) em uma única aplicação na dose de 600.000 unidades para crianças com menos de 20 kg e 1.200.000 unidades para aquelas com 20 kg ou mais. O segundo passo é tratar a artrite com anti-inflamatório não hormonal como o ácido acetil salicílico (AAS) na dose de 80 a 100 mg/kg/dia por quatro a seis semanas. Para o tratamento do comprometimento do coração, utiliza-se o corticoide na dose de 1 a 2 mg/kg/dia por seis a oito semanas. E, para o tratamento da coreia, o haloperidol ou o ácido valproico até os movimentos cessarem. O tratamento inclui repouso absoluto no leito. Quando há comprometimento cardíaco, a intervenção terapêutica precisa ser mais agressiva. Se durante o surto a criança não apresentou comprometimento do coração, deverá tomar a penicilina até os 21 anos ou por no mínimo cinco anos caso seja um adolescente; entretanto, se a criança apresentou cardite, poderá ter que fazê-lo até os 25 anos ou por toda a vida, dependendo da gravidade do quadro.

A maneira mais eficaz de prevenir a doença é combater o estreptococo do grupo A com antibióticos específicos, sempre sob a orientação de um médico.

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