11 Explicações Que Vão Fazer Você Emagrecer Já!

Com certeza você já ouviu – ou falou – uma frase do tipo “eu como pouquíssimo e não consigo emagrecer”. Quem não quer fazer dieta veste roupa de camuflagem, se esconde atrás da moita e arranja mil e uma desculpas para não perder peso.

Mas para sair dessa é preciso encarar de frente os verdadeiros motivos que estão por trás dessa resistência…

Mais e mais os especialistas têm insistido na teoria de que as verdadeiras causas do descontrole do apetite e do consequente ganho de peso, para quem é fisicamente saudável, são de origem emocional.

Nesse sentido, as pessoas adotam comportamentos e atitudes que, em vez de aproximá-las da verdade e da busca do equilíbrio, as leva para o sentido oposto. Em outras palavras, arranjam desculpas (e acreditam nelas!) que podem sabotar qualquer tentativa de emagrecer.

Nós reunimos aqui as desculpas mais comuns usadas pelas mulheres para não fazer dieta e não baixar o ponteiro da balança. Algumas, com certeza, são bem familiares e é quase certo que você já ouviu algumas delas por aí.

Entendê-las nas entrelinhas é a chave para virar o jogo, ficar de bem com a vida, perder peso e, melhor, não voltar a engordar nunquinha!

1. Sinto vontade de comer doce no final da tarde

Muitas pessoas se deprimem com a chegada da noite, porque têm a sensação de que mais um dia está chegando ao fim, sem que nada de significativo tenha sido acrescentado às suas vidas.

Do vazio, surge a necessidade de se dar algo de bom antes que o dia acabe. “Na maioria
das vezes esse é um impulso inconsciente que acaba levando à ingestão excessiva de açúcar, justamente pela forte analogia que essa substância tem com a vontade de ‘adoçar a vida’”, observa Sidney Chioro.

Como na maioria das vezes ingerir açúcar é um hábito, o autocontrole nem sempre é fácil, principalmente nos quatro ou cinco primeiros dias de abstinência. Passada essa fase, porém, a vontade desenfreada tende a desaparecer.

É claro que quem pretende manter as guloseimas sempre à distância deverá preencher o vazio com outros “doces”: passeios, companhias interessantes, programas divertidos.
Coisas que, aliás, eram os “alimentos” que de fato estávamos procurando.

2. Não tenho força de vontade

Essa é a desculpa número um e também a campeã em camuflagem.
Sempre que as tentativas de fechar a boca e levar a dieta até o fim falham, imediatamente a conta é repassada para a suposta “fraqueza de vontade”.

Não é difícil a pessoa se sentir culpada, incapaz, frustrada e progressivamente mais descrente da sua capacidade de levar adiante o projeto de emagrecer.

Para quem já se cansou desse bombardeio à autoestima, aí vai uma informação acalentadora: o relacionamento equilibrado com a comida tem pouco a ver com força de vontade.

“A chave está no correto funcionamento do sistema límbico, a região do cérebro onde se formam as emoções”, diz o médico especialista em emagrecimento Sidney Chioro, neuropsiquiatra e professor livre-docente da Universidade de São Paulo. Segundo ele, uma emoção intensa reprimida faz com que o sistema límbico trabalhe de forma tumultuada e produza impulsos elétricos que podem estimular, e muito, o centro da fome, desafiando qualquer força de vontade.

Há ainda outro agravante. Esses mesmos impulsos elétricos podem interferir na ação do hipotálamo — glândula que controla várias funções do organismo —, que passa a enviar ao corpo a ordem “reter”, bloqueando o trabalho de eliminação dos rins e intestinos.

“Como resultado, todos os alimentos ingeridos nesse momento de contenção orgânica transformam-se mais facilmente em excesso de peso”, esclarece o médico.

A solução, então, é trocar o foco de atenção até então concentrado na força de vontade para ações estratégicas que possam manter o equilíbrio emocional. Em outras palavras, dar a devida importância a todos os sentimentos e agir de acordo com eles.

Dizer “sim” quando a vontade diz “não”, engolir injustiças ao invés de lutar pelos próprios direitos, manter um relacionamento desgastante apenas para não ficar sozinha são exemplos de atitudes que podem resultar em frustração e excesso de peso.

“Quando passamos a nos tratar bem e fazemos as pazes com as emoções, o emagrecimento é uma consequência natural, um brinde”, ressalta Sidney Chioro.

3. Dietas demoram muito e isso é desanimador

A pressa é outro erro clássico na manobra de pensamentos e sentimentos. Não se deve encarar o emagrecimento como uma competição cronometrada contra o tempo ou contra nós mesmas.

Mesmo porque o objetivo não é apenas perder 5, 10, ou mais quilos, mas investir em mudanças alimentares e emocionais que possam nos beneficiar por toda a vida. Obviamente isso requer tempo.

“E o segredo para manter-se tranquila é justamente não pensar nisso durante o processo”, ensina a psicóloga Solange Sabino, especializada em obesidade. “Pare de  controlar a balança e o calendário.

Relaxe, viva, divirta-se e vá em frente. Até porque o tempo vai passar do mesmo jeito. A ansiedade é que nos dá a impressão de demora.”

4. Como pouco, mas não consigo emagrecer

Se a possível existência de distúrbios orgânicos – como diabetes e hipotireoidismo – já foi descartada, há duas explicações prováveis.

Em primeiro lugar, vale lembrar que o fato de comer pequenas quantidades é relativo. De nada adianta pular uma refeição e comer “só um pouquinho” de doce.

Além disso, conforme lembra o endocrinologista Márcio Corrêa Mancini, do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, é bom ter em mente que o acréscimo  de apenas 100 calorias diárias pode resultar no ganho de 1 quilo de peso em 70 dias!

Outra possibilidade é a de que rins e intestinos estejam funcionando no padrão “segura os excessos”, como já foi explicado anteriormente. Nesse caso, o ideal é tentar  identificar as emoções represadas que colocaram o corpo em estado de retenção.

Sidney Chioro desaconselha estimular o trabalho dos rins e intestinos com diuréticos e laxantes.

“Eles combatem só os efeitos. O correto seria harmonizar o sistema límbico, corrigindo a ordem ‘reter’ que vem do cérebro.”

Há técnicas simples que devem usadas em conjunto com a psicoterapia. Ver ou imaginar imagens associadas ao movimento de sair, fluir e eliminar ajuda bastante.

Vale qualquer coisa, como observar a água jorrando da torneira, pessoas saindo da  escada rolante ou grãos de arroz caindo do saquinho.

5. Penso em comida o dia todo

Uma coisa é certa: ninguém tem fome fisiológica ininterruptamente. Para manter-se em perfeito estado de funcionamento, o organismo humano necessita não mais que 1.000 a 2.000 calorias diárias, conforme os gastos energéticos individuais.

Portanto, quem pensa em comer o dia inteiro não está, de fato, pensando em comida, mas seguindo um impulso de se dar alguma coisa (felicidade, amor, atenção) que simbolicamente está associado ao ato de alimentar-se.

“A fixação por comida indica que houve uma forte conexão entre o sistema límbico e o centro da fome, de maneira que boa parcela das emoções não vivenciadas são  canalizadas para o desejo de comer”, avalia Sidney Chioro.

O ideal, recomenda ele, é perder o medo fantasioso dos próprios sentimentos, para que assim possam ser identificados e conduzidos ao seus verdadeiros canais de expressão.

6. Só paro de comer quando estou empanturrado

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Enquanto estamos comendo com fome, a comida é simplesmente comida. Uma deliciosa composição de proteínas, gorduras, carboidratos e minerais.

Mas quando já nos sentimos fisicamente satisfeitas e ainda assim continuamos a comer, a verdade é que o alimento passou a simbolizar tudo aquilo que gostaríamos de nos dar, mas por qualquer motivo não estamos conseguindo: pode ser carinho, compreensão, pequenos ou grandes prazeres, sucesso profissional, amor-próprio, autoconfiança… Cá entre nós, é muita responsabilidade para um simples pavê ou para uma taça de sorvete!

“Perceber a confusão e passar a alimentar a alma da maneira correta é algo indispensável para começar a emagrecer”, diz a psicanalista Elisabeth Chulman Wajnryt, especializada em distúrbios alimentares.

Ela propõe um exercício mental baseado em duas perguntas aparentemente banais, mas que podem ser de grande valia para ajudar a dissociar a fome fisiológica da fome emocional. Antes de começar a comer, você deve se perguntar “estou com fome?”, e sentir a resposta que vem do corpo.

A fome é da boca ou do estômago? É orgânica e real ou reflexo de algum outro desejo?

A pergunta seguinte é “estou satisfeita?”, já que o hábito de comer além da fome física acaba por nos tornar insensíveis às mensagens de saciedade enviadas pelo cérebro.

“Por isso, retomar o contato com esses sinais pode levar algum tempo, mas compensa. A autoconsciência é o primeiro passo para começar a mudar a forma como lidamos com a comida.”

7. Dessa vez é para valer: começo na segunda-feira!

Essa também é clássica e vive nos matando de vergonha. Por mais empenhadas em levar a dieta a sério, quando a tal segunda-feira chega colocamos tudo a perder com a primeira – no máximo segunda – tentação que aparecer pela frente.

Por trás desse adiamento constante, diz Sidney Chioro, possivelmente há resistências internas nos levando ao fracasso.

Pode ser a crença de nos julgarmos incapazes de sair vitoriosas, ou mesmo o receio, consciente ou inconsciente, de que, perdendo peso, perderemos a “proteção” contra as novas experiências que um corpo mais magro poderá nos proporcionar.

Por outro lado, aparece o medo de regras extremistas, como “a partir de segunda-feira nunca mais comerei pão, nunca mais tomarei sorvete, nunca mais vou comer uma pizza”.

Nesse caso, seja mais realista e flexível. Afinal, porque você começou uma dieta e quer
adotar hábitos alimentares mais saudáveis, não quer dizer que riscou definitivamente guloseimas da sua vida.

É claro que, de vez em quando, todo mundo se permite comer uma coisa que adora. Livrando-se da tortura psicológica fica bem mais fácil conseguir bons resultados. Experimente!

8. Tenho medo de emagrecer e ficar fraco e doente

O receio de que a perda de peso leve junto a saúde e a vitalidade tem suas origens, segundo Chioro, nas advertências que muitas pessoas ouviam na infância, tipo “se você não comer tudo acabará magra e fraquinha, não vai crescer e ficará doente”.

E é fácil entender por que: toda criança tende a absorver, sem discernimento, qualquer informação passada pelos adultos, sobretudo os familiares – pessoas em quem mais confiam.

E as crenças assimiladas na infância continuam exercendo forte influência em nossas vidas por uma questão muito simples: jamais foram avaliadas.

É só pensar um pouquinho para concluir que, se é verdade que o emagrecimento baseado em dietas drásticas pode nos deixar fracas e doentes, o mesmo argumento perde o sentido quando aplicado à perda de peso gradativa, conquistada por meio de uma alimentação equilibrada, capaz de suprir todas as exigências nutricionais do organismo.

“Uma dieta feita dessa forma, sob rigoroso controle médico, com certeza só trará benefícios à saúde”, diz o endocrinologista Márcio Mancini.

9. Sou cheinho porque meus pais também são gordos

É certo que a obesidade pode ser herdada geneticamente. Mas é certo, também, que essa é uma possibilidade bastante remota.

Basta olhar em volta para ver inúmeras famílias constituídas por pais gordos e filhos magros, ou pais magros e filhos gordos. Muitas vezes, tais diferenças de peso ocorrem até mesmo entre irmãos.

“Mais freqüente do que herdar a obesidade é herdar os hábitos alimentares errados dos pais. Há vários casos de pessoas que são gordas porque foram induzidas a uma dieta familiar hipercalórica desde crianças, e não por apresentarem alguma tendência física
evidente para o acúmulo de peso”, esclarece Márcio Mancini.

10. Não me imagino magro e nasci para ser gordinho

O excesso de peso nas pessoas comprovadamente saudáveis não está escrito nas estrelas, mas pode estar gravado na cabeça de muita gente que tem esses pensamentos fatalistas.

“Quem acredita que nasceu para ser gordinha está fixando no cérebro a planta de seu próprio corpo como irremediavelmente gordo”, adverte Sidney Chioro.

Como consequência, a pessoa vai pensar como gorda, sentir como gorda, agir e comer como uma pessoa gorda comeria, reforçando ainda mais os seus prognósticos  negativos.

Só há um jeito de romper o círculo vicioso: mudando imediatamente a maneira de pensar. Em vez de investir em autocríticas ou mesmo em sentimentos que despertem piedade, é mais sensato apostar no poder das visualizações positivas.

Quanto mais a pessoa imaginar o seu corpo com formas elegantes e atraentes, maiores serão as chances do cérebro sobrepor essas ordens sobre as antigas e passar a favorecer o emagrecimento.

“É importante compreender que o nosso cérebro funciona de acordo com o treino que
recebeu”, ressalta o médico.

Para falar chinês, por exemplo, não basta querer. É preciso ter um preparo mental específico. Da mesma forma que não se pode aprender chinês estudando inglês, é praticamente impossível emagrecer pensando, sentindo e agindo com a cabeça de quem acredita que nasceu para jamais chegar lá.

Mais um toque: se você quer realmente mudar, comece pensando como magra. Quer dizer, nem tudo que é gostoso é proibido e engorda!

Procure sentir (e curtir) o sabor dos alimentos pouco calóricos mas muito saudáveis, como uma salada verde, por exemplo.

11. Depois de alguns dias comendo pouco, sinto uma fome avassaladora

Este é um sintoma típico provocado por dietas relâmpago, que apregoam o “milagre” de expulsar algo em torno de 8 quilos em duas semanas.

A promessa parece tentadora para quem decide emagrecer “por estalo e para ontem”. Mas a aventura normalmente termina com um ou dois quilos a mais do que se tinha antes de começar o tal regime. E nem poderia ser diferente.

“Dietas exageradamente restritivas acionam o mecanismo fisiológico de sobrevivência que faz o organismo reagir, aumentando o apetite”, explica Elisabeth Wajnryt.

Além disso, a súbita mudança de hábitos alimentares produz uma forte sensação de privação psicológica, capaz de provocar a derrocada das melhores intenções.

Vai daí um sábio conselho: calma! Quem levou anos cultivando um corpo do tipo cheinho precisa dar um tempo para que o organismo, e principalmente o estômago, se acostumem a uma quantidade menor de alimento.

E isso só se consegue com uma redução calórica progressiva e razoável.

Revista Corpo a Corpo

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