Acne – CID 10: L70

Por influência hormonal, na adolescência há um aumento da atividade e do tamanho da glândula sebácea. Como conseqüência, aumenta também a oleosidade da pele. Associado a esse fato, às vezes, há ainda um engrossamento da camada mais superficial dos folículos pilosos (poros) da pele, por herança genética. Como resultado, verifica-se a formação de pequenas massas de queratina (substância dura e impermeável à água, de natureza protéica, existente nas unhas, nos pêlos e na pele) e sebo, que obstruem os poros. Surgem então os comedões (ou cravos). Por ação de germes da flora bacteriana normal da pele sobre o sebo (germes esses que normalmente habitam a pele), há a liberação de ácidos graxos livres (substâncias existentes no nosso organismo, derivadas da decomposição química da gordura). Isso irrita a pele e causa o aparecimento de pequenas lesões avermelhadas. Em contato com a queratina e o sebo, tais lesões vão formar espinhas amareladas com secreção purulenta – ou, quando mais profundas, cistos e abscessos. O uso de pomadas, cremes, injeções ou comprimidos à base de corticóides e de medicamentos utilizados no tratamento da tuberculose e da epilepsia podem piorar um quadro existente ou propiciar o surgimento de acne, assim como o iodo, o cloro, o bromo. A vitamina B12 também tem o poder de agravar ou desencadear a acne. O estado emocional e, na mulher, a proximidade da menstruação contribuem para a ocorrência do problema.

Não é contagioso.

O diagnóstico é feito por exame físico simples. O médico pode utilizar lupas ou lentes de aumento para verificar a extensão e profundidade da acne. O histórico do paciente também é importante e o médico pode questionar se há casos resistentes de acne na família, exposição a produtos oleosos ou abrasivos, exposição acentuada ao sol etc. No diagnóstico da acne, é importante verificar a gravidade das lesões e suas resistências a medicamentos. O médico avaliará o potencial das lesões de formarem cicatrizes e indicará o tratamento adequado para curá-las. Isso normalmente é feito com base no número de acnes presentes e qual o seu grau de severidade (de I-IV). A acne é de fácil diagnóstico, sendo dificilmente confundidos com outras doenças da pele, como impetigo ou furúnculos.

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De acordo com o predomínio de um ou mais tipos de lesões, classifica-se a acne em quatro graus, em escala ascendente: – o grau I indica a ocorrência apenas de cravos; os graus II e III caracterizam-se pela evolução da primeira, com lesões papulosas (pequenas elevações da pele) e pustulosas (pus acumulado abaixo da epiderme). No grau IV coexistem todas as lesões descritas anteriormente, além de cistos e cicatrizes. A acne de grau IV, a mais severa, ocorre com mais freqüência entre homens, atingindo a face, o tronco e o pescoço.

O tratamento tópico consiste inicialmente na limpeza com água e sabonetes de enxofre e ácido salicílico, várias vezes ao dia, e no uso de soluções desengordurantes e anti-sépticas. Para o tratamento e prevenção de cravos, recomenda-se o uso de produtos esfoliantes, que provocam uma pequena descamação da pele. Há quem empregue o ácido azelaico para os casos de acne com manchas, com resultados apenas razoáveis em algumas situações. Após a limpeza de pele e a extração dos cravos – feita por médico ou esteticista habilitado – pode-se fazer o chamado peeling (uma esfoliação química) de intensidade variável. O objetivo é reverter rapidamente o quadro de oleosidade, poros abertos, cravos e manchas leves. No entanto, convêm evitar esse tratamento em lesões como espinhas, caroços e abscessos. É possível ainda tratar as lesões císticas (lesões globosas, de tamanho variável, de consistência dura ou branda), desde que não infectadas, por meio de infiltração de corticóides dentro da lesão. Caso estejam infectadas ou com pus, recomenda-se a drenagem do material. Quando é preciso tratamento sistemático, prescrevem-se antibióticos para controlar as reações inflamatórias e a infecção da pele. Essa terapia é de longo prazo: se necessário, estende-se por meses, em doses decrescentes de manutenção. A acne também pode ser tratada, na mulher, com inibidores de andrógeno e, pacientes de ambos os sexos, muitas vezes são tratados com isotretinoína (derivado da vitamina A) que promove uma atrofia das glândulas sebáceas. Um tratamento adequado do problema em geral previne a formação de cicatrizes. Caso surjam, no entanto, há uma série de recursos capazes de corrigi-las: elevação de cicatrizes, peelings químicos (com ácidos) ou cirúrgicos (a chamada dermo-abrasão), além de um moderno método de intervenção com laser, que exige sedação prévia do paciente. Os procedimentos corretivos podem trazer uma melhora significativa, mas não garantem a eliminação completa das cicatrizes e deixam uma vermelhidão na pele, que desaparece gradualmente em dois a quatro meses. Durante esse período, o local afetado precisa de proteção solar.

Em primeiro lugar, é importante não ‘espremer’ a lesão, a fim de evitar a formação de cicatrizes. Caso tenha iniciado um tratamento, convém fazer manutenções regulares até que, com o passar dos anos, os sintomas desapareçam naturalmente.

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