Angina – CID 10: I20

O termo “angina pectoris” vem do grego e significa dor no peito. Na Grécia Antiga era reconhecida a importância médica da dor no peito como sinal de doença cardíaca, como manifestação de obstrução de artéria coronária que leva sangue e nutre o coração. A má irrigação do coração resulta no aparecimento da dor. O reconhecimento da dor no peito como manifestação da doença arterial coronária é de suma importância, pois o diagnóstico precoce pode ser de grande valia para seu tratamento. É causada por: 1- Aterosclerose Os vasos sangüíneos que levam sangue ao coração são chamados de artérias coronárias. O conjunto de artérias coronárias constitui a circulação coronária. As artérias coronárias podem ser obstruídas por placas de gordura que vão se depositando em seu interior. Esse processo de deposição de gordura e formação de placas que levam à obstrução progressiva das artérias coronárias é denominado aterosclerose. 2- Isquemia miocárdica Isquemia miocárdica significa má irrigação do músculo cardíaco, decorrente de obstrução da circulação coronária. A isquemia miocárdica que ocorre durante um episódio de angina é temporária; um estado em que a irrigação do músculo cardíaco não é suficiente para suprir suas necessidades para a intensidade de trabalho que está realizando. A isquemia cessa com a suspensão da atividade física que desencadeou a angina e retorno a um patamar de atividade cardíaca mais baixa ou com uso de nitroglicerina sublingual, que dilata as artérias coronárias e diminui o trabalho cardíaco.

Não é contagiosa.

O diagnóstico da angina é feito sobretudo pela história clínica de desconforto precordial esquerdo ou subesternal, que é percebido como um “aperto” ou “peso” ou “pressão”. A dor pode ser irradiada para o pescoço, face interna do braço esquerdo, mandíbula, epigástrio e mais raramente para o dorso. A dor anginosa tem duração de até 20 minutos, melhorando com o repouso e vasodilatadores coronários. Aspectos psicológicos de angústia, medo, sensação de morte eminente, pavor, provocados pelo episódio anginoso, chama a atenção no quadro clínico. Os exames auxiliares (Eletrocardiograma, teste ergométrico, cinecoronariografia) podem ser normais.

Apesar de dor ou desconforto no peito ser uma das manifestações mais importantes da doença cardíaca, é importante reconhecer que dor no peito pode resultar de alterações em diversas estruturas, que não o coração. Os seguintes fatores caracterizam a dor no peito e, de acordo com suas características, sugerem qual a origem da dor: tipo e localização da dor, irradiação da dor para outras regiões do corpo, intensidade, duração e fatores desencadeantes e de melhora e piora da dor. A dor no peito, secundária à isquemia miocárdica, tipicamente se manifesta com as seguintes características. Ressalte-se, no entanto que, num determinado indivíduo, a angina não necessariamente se manifesta com todas as características típicas que descreveremos a seguir: – dor em aperto, opressão, pressão, peso ou queimação, localizada na região sub-esternal, ou seja, abaixo do osso esterno (que é localizado no meio do tórax, entre as costelas). Contudo, a dor pode se localizar em qualquer porção do tórax, mais freqüentemente no meio ou do lado esquerdo e, ainda, nos ombros, braços, pescoço, mandíbula, dentes, nas costas (entre as duas escapulas) e até, menos freqüente, na porção superior do abdome. Comumente se inicia na porção anterior do tórax, pode se irradiar para os ombros, braços, pescoço, mandíbula, dentes e costas.

O tratamento da insuficiência coronária envolve três possíveis abordagens. Se você é portador de insuficiência coronária, seu médico discutirá com você e o ajudará a optar por aquela que for mais adequada para seu caso. 1- Tratamento medicamentoso: consiste no uso de remédios que visam diminuir a possibilidade de desenvolvimento de isquemia miocárdica. Os remédios usados para este fim dilatam os vasos sangüíneos e aumentam o fluxo de sangue ao coração, ou diminuem o trabalho cardíaco de tal maneira que, realizando menor trabalho, o fluxo de sangue diminuído devido à obstrução coronária seja suficiente para suprir as necessidades do coração. A aspirina, geralmente utilizada em doses baixas (apresentação infantil, por exemplo) ‘afina o sangue’, ou seja, diminui a possibilidade de ocorrer a formação de coágulos na circulação coronária, que podem ocluir as artérias e até levar ao infarto. A nitroglicerina e os bloqueadores de cálcio são vasodilatadores coronarianos, ao passo que os remédios da classe denominada ‘betabloqueadores’ diminuem o trabalho cardíaco. 2- Tratamento por meio de cateter: a angioplastia consiste na dilatação de uma obstrução coronária, por meio do uso de um cateter especial, introduzido em uma artéria do braço ou da perna. Esse cateter possui um balão na sua ponta, que esmaga a placa de aterosclerose ao ser insuflado. O tratamento com ‘laser’ consiste na eliminação da placa de aterosclerose, que é cauterizada com a aplicação do laser. A aterectomia é a retirada da placa por meio de um mecanismo especial localizado na ponta de um cateter. O ‘stent’ é um dispositivo metálico (semelhante a um ‘bobe de cabelo’) que é implantado no local onde havia a obstrução coronária, com o intuito de manter a artéria desobstruida e diminuir a possibilidade de retorno da obstrução coronária. 3- Tratamento cirúrgico: revascularizaçao do miocárdio (conhecida popularmente como “ponte de safena”). Essa cirurgia consiste na utilização de segmentos das veias da perna (veia safena) ou de artérias (mais comumente a artéria mamária, da parede torácica, mas podem ser utilizadas outras artérias do braço e até do estômago) para unir um segmento sem obstrução a um segmento obstruído oferecendo, desta maneira, uma rota alternativa ao fluxo sanguíneo que não passe pela obstrução (daí o termo “ponte”).

Leve uma vida saudável. Controle os fatores de risco. Tente manter-se próximo ao seu peso ideal, evite sedentarismo, adote dieta saudável, controlando os níveis de gordura. Se for hipertenso ou diabético, controle-os da melhor maneira possível. Consulte seu médico sempre que tiver alguma dúvida. A atividade física, de maneira geral, é benéfica para o coração. Seu médico o orientará quanto ao grau de atividade física adequada para o seu caso e, se você deve exercer atividade física em ambiente supervisionado ou não. A atividade sexual não deixa de ser um exercício físico e está associada a uma elevação da freqüência cardíaca e da pressão arterial e requerem maior trabalho cardíaco. Na grande maioria dos casos, não existem restrições quanto à atividade sexual para pacientes portadores de angina. Pergunte ao seu médico se este é o seu caso.

Veja Também:

Deixe uma resposta