Arritmia Cardíaca e Morte Súbita – CID 10: I49.9

Na definição da Organização Mundial de Saúde, o intervalo de tempo entre o início dos sintomas até a ocorrência do óbito deve ser menor que uma hora, para que a morte seja classificada como súbita. É um distúrbio intenso e agudo da função cardíaca que produz a interrupção do fluxo sangüíneo para o organismo e perda da consciência, seguida de morte súbita e inesperada.

Não é contagiosa.

Existem vários métodos diagnósticos destinados a estratificar o risco de arritmias em pacientes com doença cardíaca conhecida e mesmo no caso de doença subclínica (sem sintomas). O ecocardiograma é um método de extrema importância para identificar indivíduos com dilatações das câmaras cardíacas e função de bombeamento diminuída. Quanto maior o grau de disfunção cardíaca, maior o risco de desenvolverem arritmias malignas. O ecocardiograma realizado sob estresse farmacológico ou físico, o teste ergométrico e os mapeamentos de perfusão com esforço ou estresse farmacológico, são métodos não invasivos que podem identificar indivíduos com doença isquêmica do coração. Outros exames de imagem como a tomografia das artérias coronárias, a ressonância magnética e a coronariografia por cateterismo cardíaco são de extrema importância na avaliação de alterações estruturais do coração e/ou obstruções das artérias coronárias. O risco de arritmias propriamente dito pode ser avaliado pela monitorização com Holter de 24 h ou monitor de eventos (Loop recorder), pelo teste ergométrico, eletrocardiograma de alta resolução, entre outros exames. Cada método diagnóstico traz informações específicas e tem indicações precisas para sua realização, devendo ser solicitados pelo médico responsável pelo paciente, de acordo com a suspeita clínica.

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A presença de sintomas sugestivos é o primeiro passo para a avaliação do indivíduo possivelmente portador de arritmias. Os principais sintomas relacionados às arritmias cardíacas são as palpitações, a taquicardia, a sensação de falha, o rítmo irregular, as tonturas e as síncopes (perdas de consciência súbitas). A angina e o infarto do miocárdio podem desencadear arritmias malignas e neste caso, a dor ou opressão no peito pode ser o sintoma inicial. As arritmias podem ser classificadas em dois subgrupos: as taquiarritmias que causam aceleração do coração e as bradiarritmias, que causam desaceleração do coração. As taquiarritmias são subdivididas em supraventriculares, em geral benignas e não relacionadas à morte súbita; e as ventriculares, que geralmente relacionam-se à morte súbita, embora existam formas mais benignas de taquicardias ventriculares – especialmente se o indivíduo tiver coração normal.

O tratamento da doença cardíaca é o primeiro passo para que se evite a ocorrência de arritmias. Além disso, vários são os possíveis tratamentos específicos, tanto para as arritmias primárias como secundárias a doenças cardíacas pré-existentes e estarão indicados de acordo com o tipo de arritmia em questão: medicamentos, marcapassos, ablação por cateter, desfibriladores e até mesmo cirurgias. Cabe ao médico do paciente avaliar o benefício e a indicação de cada um.

A prevenção da morte súbita passa desde a prevenção da doença coronariana e seus fatores de risco (hipertensão, diabetes, sedentarismo, tabagismo), avaliação cardiológica de pessoas com história de desmaios (síncopes) ou história familiar de morte súbita, até a implantação de defibriladores externos automáticos em locais por onde passem mais de 2000 pessoas/dia, como aeroportos, shoppings, estádios. O desfibrilador externo automático (DEA) é auto-explicativo, podendo ser manuseado por qualquer pessoa.

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