Asma Brônquica – Cid 10: j45

A asma brônquica, ou simplesmente “asma”, é uma doença crônica que provoca inflamação e conseqüente estreitamento dos brônquios, dificultando a passagem do ar. Ela pode decorrer de características herdadas, mas isso não significa que o filho de uma pessoa asmática necessariamente terá a doença. O estreitamento brônquico, que pode regredir espontaneamente ou por meio de medicação, algumas vezes coloca em risco a vida do paciente. Em regra, a asma pode ser controlada com tratamento e a prática de medidas preventivas adequadas. O acompanhamento médico é sempre essencial. A asma pode atingir pessoas de todas as idades e raças. Estima-se que afete cerca de 10% das crianças e 6% dos adultos, mas sua incidência vem aumentando em todo o mundo. A crise asmática pode ser desencadeada por vários fatores. O doente ou quem cuida dele deve observar o que costuma desencadear a crise, para melhorar a eficácia das medidas preventivas. Entre os fatores desencadeantes mais comuns estão: a poeira doméstica – que contém ácaros (minúsculos aracnídeos capazes de liberar substâncias prejudiciais ao organismo humano), pêlos e penas de animais, alérgenos (qualquer agente que cause alergia), alimentos, fumaça de cigarro, cheiros fortes, infecções provocadas por vírus, mudanças bruscas de temperatura e fatores emocionais. A exposição constante a agentes desencadeantes pode levar a surtos asmáticos progressivamente mais intensos e freqüentes. Isso pode ocorrer, por exemplo, com os portadores da chamada asma ocupacional, provocada pela inalação sistemática de determinadas substâncias presentes no ambiente de trabalho. Quando o diagnóstico é de asma ocupacional, é preciso o afastamento do trabalho.

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Baseia-se no exame físico e na história clínica do paciente. É importante que o médico receba o maior número possível de informações, sobretudo em relação a eventuais fatores desencadeantes e sobre a intensidade e a freqüência das crises. É possível comprovar a obstrução das vias aéreas por meio de métodos como a medida do fluxo expiratório máximo e a espirometria (também conhecida como prova de função pulmonar, ela é realizada com um aparelho chamado espirômetro, que mede o volume de ar inspirado e expirado). O diagnóstico costuma ser particularmente difícil nos lactentes e nas pessoas idosas. No caso dos primeiros, várias doenças além da asma podem apresentar quadro clínico caracterizado por chiado no peito (inclusive as infecções provocadas por vírus). Nos idosos, a asma pode ser facilmente confundida com a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e com a insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Há uma circunstância especial, chamada mal asmático, em que a internação hospitalar se torna necessária, pois a crise é grave a ponto de não ser possível controlá-la com as medidas terapêuticas habituais. Em casos extremos, ela pode levar a um quadro de insuficiência respiratória, exigindo o emprego de respiradores artificiais.

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Os mais comuns são: Falta de ar (dispnéia), tosse persistente e chiado no peito. A sensação de aperto no peito, ao acordar, pode significar uma manifestação da chamada asma noturna. A intensidade e a freqüência dos sintomas variam de pessoa para pessoa. A tosse – às vezes, o único sintoma da asma, principalmente em crianças, geralmente piora à noite. Ela também pode se agravar e, nesse caso, até ser seguida de vômito, após atividades físicas mais intensas ou no caso de alguma infecção. Há fases em que os sintomas da doença se intensificam: são as chamadas crises asmáticas.

Para um tratamento apropriado, o paciente ou quem cuida dele deve identificar os fatores desencadeantes das crises, para tentar evitá-los. Além disso, deve seguir corretamente a prescrição médica e aprender a reconhecer os períodos de piora, para tentar impedir o agravamento das crises que, quase sempre, são controláveis se detectadas de imediato. 1- Medicamentos Para o tratamento da asma podem ser divididos em dois grandes grupos: – Medicamentos de alívio: usados na crise aguda. São basicamente broncodilatadores (dilatam os brônquios por meio do relaxamento dos músculos da parede brônquica); – corticóides (as chamadas “cortisonas”): agem com eficácia na redução do processo inflamatório dos brônquios. Os medicamentos preventivos são usados para impedir o surgimento das crises; por isso, não devem ser usados durante um processo agudo, mas sim como tratamento de longo prazo, de característica profilática. Trata-se, basicamente, de corticóides administrados por via inalatória (cortisonas na forma de “bombinhas”) e de inibidores ou antagonistas dos leucotrienos (substâncias que impedem o efeito desencadeador da asma), apresentados na forma de comprimidos. Convém lembrar que, como a asma é uma doença das vias aéreas, sempre que possível deve-se dar preferência aos medicamentos usados por via inalatória, como “bombinhas”, soluções para inalação ou inaladores de pó seco. Fumar é sempre muito prejudicial à saúde. No caso da asma essa prática é, por motivos óbvios, particularmente nocivos. Por isso, o asmático fumante deve renunciar imediatamente ao hábito. E aquele que não fuma deve evitar, tanto quanto possível, os ambientes impregnados de fumaça de cigarro. Ela pode agravar os sintomas da doença. Em cerca de um terço das asmáticas grávidas, as manifestações da doença costumam se acentuar ao longo da gestação e do puerpério (período que se inicia logo após o parto e se encerra quando os órgãos genitais da mulher retomam seu estado normal). Por isso, o clínico e o obstetra devem trabalhar integradamente, em prol de um tratamento que garanta o máximo de bem-estar à mãe e à criança. A gestante asmática grave pode experimentar uma piora dos sintomas especialmente no último trimestre. É importante saber, porém, que a asma não controlada representa mais risco para o feto do que o uso dos medicamentos broncodilatores ou antiinflamatórios. Eles devem ser usados sempre, com as mesmas indicações que seriam utilizadas em qualquer caso de asma. 2- Atividades físicas Em regra, o paciente asmático pode ser estimulado a praticar exercícios, desde que respeite sua tolerância quanto à duração e à intensidade – tudo dependerá da avaliação médica. Atividades físicas regulares podem tornar mais eficaz a ventilação pulmonar do asmático, aumentando desse modo sua tolerância ao exercício. Normalmente, a medicação de manutenção preventiva é suficiente para prevenir a crise que poderia ser provocada pelo exercício. No entanto, se ela ocorrer, a inalação de um broncodilatador (“bombinha”) protege a pessoa por no mínimo duas horas. Durante a consulta, o médico orienta o paciente sobre o modo adequado de usar o aerossol do broncodilatador, que é fundamental para o bom controle da asma.

Como prevenção de crises de asma, o asmático poderá usar os corticosteróides, os beta2-agonistas de longa duração e os antileucotrienos, além de ter um bom controle ambiental, evitando exposição aos “gatilhos” da crise asmática. Não há como prevenir a existência da doença, mas sim as suas exacerbações e seus sintomas diários.

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