Autismo – Cid 10: J01

O Autismo é considerado como um transtorno global do neurodesenvolvimento que compromete a criança em múltiplos aspectos do seu comportamento e de suas habilidades cognitivas, cujas características principais incluem: a- dificuldades na sociabilidade b- atraso no desenvolvimento da linguagem c- comportamentos compulsivos ou ritualísticos Estes comportamentos genericamente descritos podem expressar-se com diversos matizes, com maior ou menor intensidade, e vão compor as características clínicas que são peculiares de cada caso, constituindo o que atualmente se considera o “Espectro Autista”. Esta nova postura conceitual tem permitido a identificação de casos sutis nos quais as características descritas estão mais discretamente alteradas. Dentro desse contexto, a determinação do diagnóstico exige a atenção de profissionais experientes. A difusão de informações mais detalhadas para os pais sobre como se processam aqueles aspectos do desenvolvimento e sinalizando possíveis desvios, permitirá sensibilizá-los na observação de seus filhos, podendo assim buscar os recursos adequados para corrigi-los.

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A maioria das crianças autistas tem desempenho intelectual desigual, assim, testar a inteligência não é uma tarefa simples. Pode ser necessário repetir os testes várias vezes. Crianças autistas normalmente se saem melhor nos itens de desempenho (habilidades motoras e espaciais) do que nos itens verbais durante testes padrão de Q.I. Acredita-se que aproximadamente 70 por cento das crianças com autismo têm algum grau de retardamento mental (Q.I. menor do que 70).

Uma criança autista prefere estar só, não forma relações pessoais íntimas, não abraça, evita contato de olho, resiste às mudanças, é excessivamente presa a objetos familiares e repete continuamente certos atos e rituais. A criança pode começar a falar depois de outras crianças da mesma idade, pode usar o idioma de um modo estranho, ou pode não conseguir – por não poder ou não querer – falar nada. Quando falamos com a criança, ela freqüentemente tem dificuldade em entender o que foi dito. Ela pode repetir as palavras que são ditas a ela (ecolalia) e inverter o uso normal de pronomes, principalmente usando o tu em vez de eu ou mim ao se referir a si própria.

O tratamento implica em indicações de psicoterapias individuais psicanalíticas ou cognitivo-comportamentais com profissionais experientes. Deverá também ser encaminhada para atendimento fonoaudiológico, objetivando o desenvolvimento da linguagem, buscando neste espaço sempre o desenvolvimento interacional. Com o mesmo objetivo deverá freqüentar escola adequada, com classes de poucos alunos para que possa ter atenção individualizada, sendo os professores devidamente orientados pela equipe profissional especializada que auxiliará no planejamento das estratégias cotidianas da criança autista. Algumas destas crianças beneficiam-se de medicamentos com a finalidade de auxiliar no controle das alterações comportamentais, melhorar sua disponibilidade de interesse e atenção e reduzir as estereotipias. Esta orientação deverá ser realizada por médico neurologista ou psiquiatra experiente, habituado a lidar com crianças que se apresentam dentro do espectro autista. De fundamental importância é o trabalho de orientação e esclarecimento constante dos pais – cuja participação no processo de integração e remodelamento comportamental é essencial. Nestas circunstâncias, a Terapia de Casal ou de Família estará indicada, contribuindo para ancorar as ansiedades familiares e favorecendo a participação mais efetiva dos pais.

A orientação profilática para evitar a ocorrência de doenças genéticas é a realização de aconselhamento genético consistente quando houver familiares portadores deste tipo de problema, tanto para as síndromes malformativas como para as doenças metabólicas e degenerativas. As agressões orgânicas ao sistema nervoso vêm sendo prevenidas pela melhora do atendimento e pelos avanços tecnológicos postos em prática nas maternidades no período perinatal. Finalmente, seria de grande valor aos casais que planejam ter um bebê, que conhecessem como se dá o seu desenvolvimento, principalmente a aquisição cognitivo-emocional e saber a importância dos relacionamentos precoces com a criança. Mais especialmente, deverão ser alertados para o significado das relações do bebê com os seus primeiros cuidadores que são mãe e pai, para que se viabilize uma base estrutural neurobiológica consistente, que garanta suas aquisições futuras, mais especificamente do seu desenvolvimento emocional.

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