Cálculo Renal – Cid 10: N21.9

São estruturas sólidas que se formam de maneira anormal nos rins. Popularmente conhecidas como “pedras dos rins” ? os “urolitos”, em linguagem científica ?, surgem a partir da precipitação de íons (átomos com excesso ou falta de carga elétrica negativa), moléculas ou elementos químicos presentes na urina. O nome da doença por elas provocada é calculose renal ou urolitíase. A urina é uma solução de água (solvente) com outros elementos químicos e moléculas (solutos). Essa solução apresenta constantes variações, tanto no volume de água como na quantidade e na variedade de solutos. Habitualmente, a urina revela-se em estado de saturação, ou seja, há uma quantidade de solutos superior à capacidade da água de dissolvê-los. Ainda assim, o organismo consegue manter o chamado “equilíbrio de solubilidade”. Ou seja, algumas forças físico-químicas, iônicas e moleculares conseguem manter os solutos dissolvidos, vencendo forças contrárias, que tendem a provocar a agregação dos solutos na forma de pequenos corpos sólidos. Alterações na dinâmica urinária também podem propiciar o surgimento dos cálculos. Numa situação normal, a movimentação constante da urina, encaminhada para fora do corpo, permite eliminar pequenos cristais, evitando que eles cresçam pela agregação de outros e assim se transformem em cálculos. No entanto, se um cristal permanecer aderido ao tecido renal, ou se houver obstrução total ou parcial ao fluxo da urina, aumentam as chances de se originar um grande cálculo.

Não é contagioso.

O quadro clínico relatado pelo paciente já permite ao médico suspeitar do problema. No exame físico, a pessoa revela sensibilidade pronunciada com a palpação ou a percussão das regiões lombares e da parte abdominal correspondente às dores. A confirmação do diagnóstico se dá com exames adicionais, como de urina, de sangue, radiológicos, ultra-sonográficos ou, ainda, de análise da composição do cálculo.

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Os sintomas variam conforme a parte do sistema urinário afetada pelo problema. Em geral, formados nos rins, em 80% dos casos os cálculos se desprendem e tendem a ser eliminados na urina. Quando aderidos ao rim, habitualmente não produzem sinais, exceto, às vezes, um leve sangramento, observado apenas pela cor da urina. Além da eventual e indefinida dor lombar, os cálculos situados nos cálices urinários (pequenas cavidades dos rins que recebem a urina recém-produzida) também não causam sintomas. Fortes crises de dor são características de cálculos nas pelves renais (cada rim possui uma pelve, cavidade que recebe a confluência dos cálices urinários) ou nos ureteres (cada rim possui um ureter, delgado canal por onde a urina transita até a bexiga). Bloqueada a passagem da urina, surgem dores intensas, como a da cólica, atingindo as costas e a parte lateral afetada do abdome. Alguns cálculos do ureter irradiam a dor para os genitais e geram crises de irritação de bexiga, com necessidade de urinar a toda hora. Costumeiramente, as dores vêm acompanhadas de náuseas, vômitos, sudorese e agitação. Quando atingem a bexiga, os cálculos podem provocar irritação local, com sensação de ardor ao urinar, micções freqüentes e impossibilidade de reter a urina. Dependendo de suas dimensões, o cálculo pode entrar na uretra (canal por onde a urina deixa a bexiga e é expelida para fora do corpo) e obstruí-la: o sintoma é uma grande dificuldade para urinar, que pode chegar ao limite de retenção urinária. Qualquer que seja sua posição, o cálculo talvez provoque sangramentos, que tornam a urina vermelha ou rósea. Caso haja uma infecção associada, tremores, calafrios e febre serão observados. Vale lembrar, porém, que não é a simples presença do cálculo que provoca a dor, mas sim a obstrução do aparelho urinário.

Há duas formas de tratamento: 1- tratamento clínico: inclui o alívio das cólicas renais, o emprego de medicamentos que possam dissolver o cálculo já formado e medidas preventivas ao surgimento de novos cálculos. Analgésicos, antiespasmódicos, antiinflamatórios não-hormonais e opiáceos têm o poder de ajudar a enfrentar as intensas crises de dor, bem como seus sintomas associados, como náuseas e vômitos. Os medicamentos específicos para a dissolução de cálculos variam conforme a composição desses e podem evitar que o problema reapareça. Com o auxílio da terapia clínica, 80% dos cálculos são eliminados espontaneamente. Para tanto, estima-se que o tamanho do cálculo não deva superar um diâmetro de cinco a seis milímetros. 2- intervencionista: quando o paciente é refratário ao tratamento clínico para a dor, ou há um grave prejuízo dos rins e das vias excretoras ou detecta-se a presença de uma infecção urinária concomitante, há algumas intervenções a serem feitas, com maior ou menor grau de invasão do organismo: – Litotripsia extracorpórea por onda de choque (LEOC) ? é a menos invasiva e a primeira alternativa a ser cogitada quando o tratamento clínico não dá resultado. Consiste na emissão de ondas de choque capazes de rachar aos poucos a estrutura do cálculo: seus fragmentos, assim, acabam eliminados gradualmente pela urina. Aplicada em mais 85% dos casos, a LEOC é um procedimento ambulatorial e até dispensa anestesia. Às vezes, são necessárias reaplicações e uma espera de até três meses, até a eliminação completa dos fragmentos. – Nefrolitotripsia percutânea (NPC) ? nesse caso, um aparelho chamado nefroscópio, dotado de um tubo óptico, atravessa um caminho estabelecido entre a pele e o interior do rim. O nefroscópio permite visualizar dentro do rim o cálculo, que é retirado por pinças especiais ou, caso seja grande, fragmentado para posterior retirada dos resíduos. O procedimento exige anestesia. – Extração endoscópica de cálculos ureterais por cistoscopia ? assim como o nefroscópio, o cistoscópio é um aparelho com um tubo óptico, que é feito passar pela uretra até a bexiga. Por meio de cateteres (sondas) introduzidos no ureter, o cirurgião tenta extrair os cálculos ali encontrados. – Ureteroscopia e ureterolitotripsia ? o tubo óptico do ureteroscópio, passando pela uretra e a bexiga, é introduzido no ureter. Localizado o cálculo, trabalha-se para extraí-lo ou fragmentá-lo. A anestesia é necessária. – Cistolitotripsia ? consiste na fragmentação e subseqüente retirada do cálculo da bexiga, e pode ser feita por meio da LEOC ou da cistoscopia. – Uretroscopia ? com o auxílio de tubo óptico, é empregada na remoção de cálculos retidos na uretra. Cirurgia Quando nenhum desses recursos alcança sucesso, o médico pode decidir por tratamentos cirúrgicos convencionais, mais invasivos.

Uma vez tido um cálculo renal, a pessoa sempre estará susceptível à formação de novos cálculos. A taxa de recorrência é de 10% no primeiro ano, 35% nos cinco anos subseqüentes e 50 a 60% em 10 anos. Por isso a grande importância de medidas de prevenção. Uma simples e importante mudança para prevenir as pedras nos rins é o aumento da ingestão de líquidos, preferencialmente água, no mínimo de 2 a 3 litros por dia. Para as pessoas com maior propensão para formar cálculos de oxalato de cálcio, a redução da ingestão de certos alimentos pode ser indicada se a urina contiver um excesso de oxalato. Esses alimentos incluem: chocolate, café, cola, nozes, beterraba, espinafre, morango e chá. Para os cálculos de estruvita, também chamados de infecciosos, após a sua remoção é importante manter a urina livre da bactéria que pode causar a infecção. Exames de urina regulares são indicados para monitorar a presença da bactéria da urina. Em alguns casos, há a necessidade do uso de medicamentos específicos para prevenir a recorrência dos cálculos. É importante ressaltar que a prevenção de novos cálculos deve ser feita pelo resto da vida.

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