Câncer de Intestino – Cid 10 : c78

A história natural do câncer de cólon está bem estabelecida. O cólon é revestido internamente por uma mucosa – fina camada de células que formam pequenas glândulas Devido à predisposição genética ou por uma série de estímulos externos, uma pequena área dessa mucosa pode desenvolver células com características diferentes do usual. Com o passar do tempo, essas células começam a crescer de forma anômala, podendo formar um pólipo – lesão benigna que pode ser facilmente removida sem necessidade de uma cirurgia. Se o pólipo não for removido, pode evoluir para um câncer de cólon. Quanto maior o tamanho do pólipo, maior o risco de evolução para câncer. De maneira geral, podemos separar os cânceres de cólon em: Tumores relacionados à predisposição genética ou familiar: são geralmente encontrados entre pacientes jovens e com outros casos de câncer na família. As síndromes mais comuns são a “Adenomatose Polipóide Familiar” e a “Síndrome de Lynch” ou do “Câncer de Cólon Hereditário Não Polipóide”. Outras síndromes menos comuns – e mesmo algumas ainda não identificadas – podem resultar em aumento do risco de câncer de cólon. É importante ressaltar que o fato de uma pessoa ter parentes com câncer não indica necessariamente que ela tenha predisposição genética, nem que tenha risco aumentado de desenvolver a doença. Entretanto, pessoas com múltiplos parentes diretos (pai, mãe) com câncer de cólon devem procurar auxílio de um especialista para determinar se correm risco aumentado de câncer e qual seria o melhor esquema de acompanhamento preventivo. Tumores esporádicos: ou seja, sem relação aparente. O câncer de cólon esporádico engloba a maioria dos casos e é bastante incomum abaixo dos 50 anos. A história natural é semelhante a dos tumores relacionados à predisposição genética, com as mesmas alterações progressivas da mucosa e com o aparecimento de pólipos antes do câncer. As diferenças estão na causa da alteração inicial das células da mucosa, no maior tempo necessário para o aparecimento das alterações e do câncer e no menor número de pólipos. Esse tipo de tumor parece estar relacionado a múltiplos fatores, com destaque para os hábitos alimentares. Pessoas oriundas de lugares onde a dieta é rica em frutas e verduras, com muita fibra vegetal, parecem ter menor incidência da doença. Acredita-se que a fibra acelere o trânsito intestinal e faça com que toxinas fiquem menos tempo em contato com a mucosa. Além disso, frutas e verduras são ricas em antioxidantes. Nos países escandinavos onde há grande consumo de produtos lácteos, há um número relativamente pequeno de tumores de cólon, sugerindo um possível papel protetor do cálcio. –. Já pessoas oriundas de regiões onde a dieta é pobre em fibra e rica em gordura animal, parecem ter risco aumentado. Pacientes com colite ulcerativa e com doença de Crohn (ambas são doenças inflamatórias intestinais) também apresentam risco aumentado em desenvolver câncer de cólon.

Não é contagioso.

O ideal seria que se diagnosticasse o pólipo antes que o mesmo tivesse a chance de se tornar um câncer. Recomenda-se que pessoas com risco normal (sem história de câncer na família) comecem a fazer exames para detecção precoce a partir dos 50 anos. Aquelas com dores abdominais persistentes, sangramento pelo ânus, alterações no hábito intestinal e anemia inexplicada devem procurar o médico para uma avaliação mais detalhada. Caso haja uma suspeita significativa, o paciente é encaminhado para uma colonoscopia (exame indolor onde um pequeno tubo de fibra óptica é inserido através do ânus, examinando-se todo o cólon). Na presença de pólipos, pode-se fazer a remoção durante o exame. Se houver uma lesão suspeita para câncer, pode ser realizada biópsia da área. Se a presença de um câncer for confirmada, o paciente é encaminhado para realizar uma série de exames complementares para se fazer o “estadiamento”. O estadiamento é, na realidade, um mapeamento de onde o tumor se encontra, possibilitando o planejamento do tratamento. Usualmente o estadiamento inclui tomografias de tórax e de abdome total ou ultra-som, além de exames de sangue.

Os sintomas do câncer de cólon tendem a ser bastante inespecíficos e dependem da localização do tumor. Talvez o mais comum seja o aparecimento de sangue junto às fezes, o que infelizmente pode ser confundido com sangramento por hemorróidas. Pacientes com câncer de cólon direito (início do cólon) tendem a apresentar anemia e desconforto no lado direito do abdome. Nos casos mais avançados, pode-se sentir uma massa no local, bem como dor a palpação. Os pacientes com tumores localizados no lado esquerdo tendem a apresentar sangramento pelo ânus e alterações na freqüência e consistência das fezes. É comum reclamarem de constipação alternada com diarréia, bem como da diminuição no diâmetro das fezes. Casos mais avançados podem apresentar massa palpável, dor, cólica e mesmo obstrução completa do intestino.

O tratamento do câncer de cólon varia de acordo com o estadiamento, condições físicas do paciente e situações especiais que possam estar presentes. A seguir, a correlação entre o estágio do câncer de cólon e o tratamento usualmente recomendado, ressalvando que cada caso pode apresentar características distintas que exijam um tratamento diferenciado. Classificamos o câncer de cólon em quatro estágios: Estágio I: o câncer está bem localizado e pode ser tratado com remoção cirúrgica. Estágio II: o câncer ainda está bem localizado, mas o grau de envolvimento é maior. O tratamento ainda é predominantemente cirúrgico. Muito ocasionalmente pode ser complementado por quimioterapia. Estágio III: o câncer já se estabeleceu nos gânglios linfáticos próximos ao cólon. O tratamento continua sendo cirúrgico, mas o uso de quimioterapia por seis meses após a cirurgia aumenta as chances de cura e é quase sempre recomendado. Estágio IV: o câncer atingiu algum órgão distante, geralmente fígado ou pulmão. Nesses casos, o tratamento se baseia principalmente no uso de quimioterapia e com cirurgia, em casos especiais. A cirurgia usada varia de acordo com a localização e tamanho do tumor. A quimioterapia utilizada baseia-se, principalmente, na combinação de drogas quimioterápicas – quase sempre incluindo o agente quimioterápico chamado 5-fluorouracil ou 5-FU, ou seus análogos. Novas drogas não quimioterápicas, chamadas de agentes moleculares, vem sendo utilizadas no tratamento do câncer de cólon avançado (estádio IV), em associação à quimioterapia. Essas drogas são o bevacizumab e o cetuximab, medicamentos capazes de se ligar às células do tumor e bloquear ou retardar seu crescimento.

A prevenção do câncer de cólon pode ser dividida em duas partes. Uma dieta rica em frutas e verduras, associada à moderação no consumo de gordura animal e exercícios parecem ser benéficos. O uso de suplementos nutricionais, principalmente quanto ao cálcio e ao folato, ou drogas como antiinflamatórios e statinas, ainda são objetos de estudo, não podendo ser recomendadas. Pessoas com mais de 50 anos devem procurar o médico para realizar exames de detecção precoce específicos. Pessoas com casos de câncer de cólon na família podem precisar de avaliação ainda mais cedo e devem consultar o médico para discutir o assunto. Aquelas com síndromes hereditárias devem consultar um especialista da área para determinar seu risco, esquema adequado de acompanhamento e se o uso de medicamentos para diminuir o risco de câncer de cólon está ou não recomendado.

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