Câncer de Mama – Cid 10: c50

O câncer de mama é uma dos tipos mais comuns de tumores malignos em todo o mundo. Calcula-se que um em cada nove mulheres americanas será vítima de câncer de mama ao longo da vida. A importância do câncer de mama aumenta muito quando se lembra que a doença está associada, erroneamente, à morte e a mutilação do corpo da mulher. Como veremos adiante, os resultados do tratamento moderno têm aumentado muito as chances de cura, enquanto que a cirurgia conservadora e a cirurgia plástica vêm corrigindo a potencial mutilação causada pela doença. Desconhecemos as causas diretas da grande maioria dos casos de câncer de mama.

Não é contagioso.

A Mamografia é um raios-x da mama, na qual a mesma é comprimida entre dois placas de acrílico para melhor visualização. Em geral são feitas duas chapas de cada mama: uma de cima para baixo e uma de lado. Apesar da compressão da mama poder ser um pouco desagradável para algumas mulheres, é importante lembrar que ela não é perigosa para a mama. A dose de raios X utilizada nos aparelhos modernos é também muito baixa, e não deve servir de empecilho para a realização do exame. A grande vantagem da mamografia é que ela é capaz de detectar lesões muito pequenas para serem palpadas, lesões essas que tem maior probabilidade de cura. Por mais precisos que possam ser os exames de imagem, o câncer de mama só pode ser diagnosticado com certeza mediante uma biópsia, quando é retirado material da área suspeita e é examinado ao microscópio pelo patologista. O exame imuno-histoquímico: Por meio deste exame, o patologista é capaz de determinar características específicas do tumor, que servem para se determinar o prognóstico do caso e, também, para a escolha do melhor método de tratamento.

Os sintomas mais comuns são: – Nódulo mamário ou um espessamento de parte da mama que a deixe diferente do tecido em volta; – Secreção de sangue ou algum outro líquido pelo mamilo; – Mudança no formato ou tamanho da mama; – Mudança na pele da mama, como aparecimento de ondulações ou covas; – Inversão do mamilo para dentro da mama; – Descamação da pele dos mamilos; – Vermelhidão ou corrosão da pele da mama, semelhante à casca de uma laranja; – Mudanças de cor, reentrâncias ou enrugamentos em uma determinada área da mama; – Presença de um ou mais nódulos nas axilas; – Sensação de calor, rubor ou inchaço na mama. É importante ressaltar que nem todo nódulo mamário é um câncer de mama. Cerca de quatro dentre cinco casos de nódulos mamários que são diagnosticados são benignos. Entretanto, é sempre importante que um médico faça o diagnóstico correto. Os sintomas de câncer de mama masculino são bem semelhantes ao feminino e na suspeita, um médico sempre deve ser consultado.

1. Cirurgia: A cirurgia conservadora da mama, entretanto, tem seus limites: ela não pode ser feita em tumores grandes (a maioria dos cirurgiões só a realiza se o tumor tiver menos de três cm), pois existe o risco grande de uma recidiva da doença na mama quando tumores maiores são operados com esta técnica. Da mesma maneira, mamas muito pequena às vezes não oferecem uma margem suficiente de tecido sadio para que se possa fazer uma cirurgia conservadora segura e de resultado estético aceitável. De qualquer maneira, a cirurgia conservadora é sempre seguida de um tratamento radioterápico ao restante da mama. 2. Radioterapia: É parte integrante do tratamento do câncer de mama, após a cirurgia conservadora. Neste caso, cerca de um mês após a cirurgia o tratamento se inicia. São sessões diárias, englobando toda a mama, cinco vezes por semana, por um período variável de cinco a sete semanas. Os efeitos colaterais do tratamento são poucos: pode haver vermelhidão da pele irradiada (‘dermatite actínica’), chegando às vezes a descamação temporária da pele; dependendo do tamanho do campo de radioterapia, pode haver queimadura do esôfago (‘esofagite actínica’), também temporária, mas que pode causar dor ao engolir. O tratamento de radioterapia da mama diminui a probabilidade de recidiva da doença na região operada, podendo ainda contribuir em pequena escala para uma melhor sobrevida das pacientes. Normalmente, são tratadas todas as mulheres que sofreram cirurgia conservadora ou que foram mastectomizadas e tinham tumores menores que cinco cm ou mais de quatro gânglios axilares com tumor. Se a paciente receber quimioterapia, recomenda-se que a radioterapia seja feita após o término de todo o tratamento quimioterápico. A radioterapia pode também ser utilizada quando a doença apresenta recidiva em outras áreas – como nos ossos – e, neste caso, ela é indicada para tratar sintomas dolorosos ou de compressão de um órgão. 3. Quimioterapia: É feita hoje na maioria das mulheres diagnosticadas com câncer de mama, principalmente naquelas com menos de 70 anos de idade. Ela pode ser feita de dois maneiras: a-) quimioterapia neo-adjuvante: é feita logo após a biópsia da mama, mas antes da cirurgia definitiva. Em geral, este tratamento é indicado para pacientes com tumores maiores (acima de três cm), numa tentativa de se reduzir o tamanho do tumor e torná-lo operável por cirurgia conservadora, evitando-se a mastectomia. b-) quimioterapia adjuvante: é feita após a cirurgia conservadora ou mastectomia, a fim de se eliminar restos microscópicos de tumor. É iniciada de dois a seis semanas após a cirurgia e tem duração aproximada de quatro meses. Há vários tipos de quimioterapia a serem usados e a escolha depende de uma série de fatores: idade, presença ou não de receptores hormonais, doenças pré-existentes etc. Alguns tratamentos são mais tóxicos, com perda de cabelo e náuseas, mas outros são mais toleráveis, com menos efeitos colaterais. c-) quimioterapia paliativa: é usada em mulheres cuja doença retornou após algum tempo do tratamento inicial, em geral em outros órgãos (pulmão, fígado, ossos etc.). O tipo de droga quimioterápica usada depende de uma série de fatores; duas pacientes com doença aparentemente igual podem receber tratamentos diferentes. Com este tratamento geralmente é possível reduzir o tumor e mantê-lo sob controle, às vezes por longos períodos de tempo. As drogas quimioterápicas mais usadas em câncer de mama são: ciclofosfamida, doxorubicina, epirubicina, fluoracil, taxol, taxotere, vinorelbina e capecitabina (esta de uso oral). O uso da herceptina, um anticorpo dirigido contra a molécula de her-2-neu (presente em 30% dos casos de câncer de mama) é uma modalidade de tratamento relativamente recente, mas muito interessante, uma vez que ela é específica para esta proteína, poupando assim as células normais. Seus efeitos colaterais são muito leves, principalmente se comparados à quimioterapia. Essa medicação só é usada em casos cujos tumores sejam positivos para her-2-neu no exame imuno-histoquímico. 4. Hormonioterapia: É o uso de hormônios ou anti-hormônios com o intuito de matar as células tumorais do câncer de mama. Sabe-se que a adição ou retirada de hormônios em pacientes com câncer de mama pode causar regressão do quadro tumoral. Hoje sabemos que os casos que se prestam a este tipo de tratamento são somente os que têm receptores de estrógeno e/ou progesterona positivos no exame imuno-histoquímico. Somente essas pacientes devem ser submetidas a esta modalidade de tratamento. A retirada dos estrógenos de uma mulher antes da menopausa pode ser feita pela remoção cirúrgica dos ovários, do uso da radioterapia aos ovários (hoje pouco usada) ou do uso de medicações que inibem quase que totalmente o funcionamento ovariano forçando a mulher a parar de menstruar. Outra modalidade de tratamento é o uso de anti-hormônios, dos quais o mais comumente usado é o tamoxifeno. Nas mulheres cujos tumores contenham receptores hormonais geralmente se usa a hormonioterapia durante cinco anos após a cirurgia inicial, com o intuito de diminuir as chances de recidiva tumoral (o tamoxifeno é a droga mais usada). Recentemente têm sido introduzidas no mercado novas drogas, os inibidores de aromatase, que podem ser usadas em mulheres que já estão na menopausa. Estas drogas (as principais são anastrozol e letrozol) bloqueiam a pequena produção de hormônio feminino que é feita fora dos ovários – principalmente no tecido gorduroso – e desta maneira conseguem baixar ainda mais os neveis de hormônio feminino nas mulheres cujos ovários já não funcionam. Além de usadas após a cirurgia por um prazo de cinco anos, as terapias hormonais podem ser utilizadas posteriormente, no caso da mulher apresentar recidiva da doença em outras áreas do corpo. Geralmente, a hormonioterapia é usada isoladamente, mas pode ser associada à radioterapia e a cirurgia. 5. Terapias-alvo: A expressão exacerbada de uma proteína denominada Her-2 na superfície das células tumorais de aproximadamente 20% das mulheres com câncer de mama faz com que estes tumores cresçam de maneira mais agressiva que o comum. Atualmente há medicações que conseguem bloquear o efeito estimulador do crescimento dessa proteína. Trastuzumabe e Lapatinibe são as primeiras de uma série de medicações que alvejam Her-2. A dependência do crescimento tumoral em relação a um crescimento de novos vasos também constitui um alvo atualmente disponível em câncer de mama. A medicação Bevacizumabe (assim como várias outras ainda não testadas em câncer de mama) bloqueia VEGF, uma das proteína responsáveis pelo crescimento de novos vasos que nutrirão o tumor. Associada a quimioterápicos tradicionais, essa terapia-alvo consegue diminuir a progressão do tumor.

Algumas atitudes ajudam a prevenir o câncer de mama: – Evite o excesso de peso, pois a obesidade aumenta o risco de câncer de mama sobretudo após a menopausa; – Tenha uma alimentação sempre saudável. Ingira constantemente frutas, verduras e legumes. Muitos vegetais contem antioxidades que reduzem os danos causados ao DNA da célula. Evite ingerir gordura em excesso; – Evite o sedentarismo. O esporte e atividade física eliminam toxinas do corpo que podem lesionar células e propiciar o aparecimento do câncer; – Evite o consumo exagerado de álcool, uma vez que o uso do álcool está associado ao aparecimento do câncer de mama; – A terapia de reposição hormonal pode aumentar os riscos de câncer de mama. Se você já tem histórico familiar de câncer de mama, converse cuidadosamente com seu médico para verificar os potenciais riscos e benefícios da terapia; – Evite o cigarro, uma vez que o fumo em longo prazo pode aumentar o risco de câncer de mama; – Mulheres com histórico familiar de câncer de mama e mais de 60 anos podem conversar com seu médico para tomar medicamentos que bloqueiem hormônios, como tamoxifeno e raloxifeno. Mulheres com alto risco de desenvolverem câncer de mama podem optar por removerem a mama, conhecido como mastectomia preventiva. Podem ainda escolher por remoção profilática dos ovários; – A amamentação prolongada reduz os riscos de câncer de mama. Mulheres que amamentam por mais de um ano tem riscos menores de desenvolver a doença.

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