Câncer de Pele – CID 10: D23.9

As radiações solares têm sido apontadas como o principal fator predisponente à doença. Entre essas pessoas mais suscetíveis estão as de raça branca, cabelos louros ou ruivos, com pele e olhos claros. Também se incluem no grupo de mais alto risco as que se submeteram a excesso de exposição solar ao longo da vida, com queimaduras graves e formação de bolhas. A exposição solar freqüente causa nestas pessoas diversos tipos de lesões pré-malignas. Sabe-se hoje que a exposição solar durante a infância é tanto ou mais importante que a exposição tardia, que precede o aparecimento do câncer de pele. Algumas regiões muito ensolaradas, especialmente na praia e na zona rural, reúnem condições que aumentam a incidência desse tipo de lesão. Nelas, é importante a adoção de medidas apropriadas de prevenção, bem como de campanhas de conscientização e esclarecimento à população. Existem diversos tipos de câncer de pele. Os mais comuns são o carcinoma carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. O mais grave, no entanto, é o melanoma maligno. O tratamento curativo dos diversos tipos de câncer de pele depende de sua detecção precoce e ressecção cirúrgica. Pode-se dizer que o carcinoma basocelular constitui uma doença localizada, que não se espalha para outros órgãos. O carcinoma espinocelular tem algum potencial para metastatizar, e o melanoma é o câncer de pele com maior risco de disseminação. Mesmo o melanoma é curável na grande maioria das vezes, desde que detectado precocemente. Carcinoma basocelular (CBC) Considerado o mais benigno entre os tumores malignos de pele, o epitelioma basocelular tem crescimento lento, em meses ou anos. Dificilmente atinge estruturas como cartilagens ou ossos e a ocorrência de metástases (disseminação de um tumor maligno ou de um processo inflamatório para outros órgãos, próximos ou distantes daquele inicialmente atingido) é raríssima. As lesões atingem principalmente os dois terços superiores da face e, com freqüência bem menor, o pescoço e o tronco. Áreas sem pêlos quase nunca desenvolvem esse tipo de câncer. Carcinoma espinocelular (CEC) Segundo tipo de câncer de pele mais freqüente, o carcinoma espinocelular atinge mais comumente as pessoas com mais de 50 anos de idade, de pele e olhos claros, que não se protegem adequadamente do sol, e incide mais em homens. O tumor pode aparecer em qualquer região da pele e das mucosas, em especial em áreas lesadas pelos raios solares ou a partir de lesões do tipo ceratose solar (uma alteração pré-maligna). Cicatrizes de queimaduras, radiodermites (queimaduras causadas por excesso de exposição à radioterapia) crônicas e úlceras de estase (feridas nas pernas e pés causadas por má circulação) também podem favorecer o aparecimento do carcinoma espinocelular, que pode ter caráter invasivo e às vezes origina metástases. Ferimentos traumáticos e tabagismo costumam predispor o aparecimento do tumor nos lábios ou nas mucosas. As lesões do carcinoma espinocelular são ulceradas, rasas e com bordas alargadas, elevadas e endurecidas. Às vezes, mostram-se recobertas por crosta e base granulosa vermelha. As áreas mais atingidas são os lábios inferiores, a face e o dorso das mãos. Melanoma O melanoma é uma doença rara quando comparada com os dois tipos de câncer de pele descritos anteriormente. Geralmente aparece como uma lesão escurecida, de bordas irregulares, eventualmente ulceradas. A lesão pode ocorrer tanto em áreas de pele expostas ao sol quanto nas de menor exposição, como o tronco. Freqüentemente os pacientes relatam ter tido uma ?pinta? no local por anos e que esta lesão passou a crescer e mudar de formato, tamanho ou cor, a coçar ou ser ulcerada. A lesão pode tanto ser sobrelevada quanto plana. O melanoma é mais freqüente entre pessoas de pele clara e sob exposição excessiva e precoce ao sol, embora exista um componente familiar em diversos casos. Raras vezes o melanoma pode ocorrer em mucosas, e em alguns casos é diagnosticado já a partir de uma biópsia de gânglio ou algum órgão, sem que se ache a lesão originária na pele.

Não é contagioso.

O aspecto clínico do paciente normalmente fornece elementos para o diagnóstico do carcinoma basocelular, do carcinoma espinocelular e do melanoma. É necessária, porém, a confirmação – por meio de biópsia e exame do tecido da lesão. Em casos de melanoma, na dependência da profundidade da lesão, freqüentemente está indicada a biópsia (excisão) do chamado linfonodo (ou linfonodos) sentinela, isto é, o(s) primeiro(s) linfonodos que drenam a localização do tumor. A determinação (ou não) do comprometimento desses linfonodo proporciona informações quanto ao prognóstico, além de indicar tratamento com Interferon – chamado de tratamento adjuvante.

Veja também

O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais comum. Pode se manifestar sob a forma de uma pápula (bolinha) com superfície perlácea (aspecto perolado) ou de uma ferida que não cicatriza. O melanoma é o câncer da pele menos comum, mas é o mais perigoso, podendo causar mortes. Pode se apresentar como uma lesão enegrecida, com bordas mal delimitadas, com cores e diâmetros que podem se alterar com o tempo. As pessoas mais propensas a este tipo de câncer da pele são aquelas com pele clara, que tiveram vários episódios de queimaduras solares com bolhas quando crianças ou pessoas com história familiar de melanoma.

A detecção e a remoção precoce de qualquer tipo de câncer cutâneo permitem a cura em grande parte dos casos. Existem vários recursos técnicos para a remoção ? a escolha depende da avaliação de alguns fatores, como tamanho e localização do tumor, idade e sexo do paciente, tempo de evolução da lesão, proximidade de estruturas ósseas ou cartilaginosas e limites do tumor. Tanto para o carcinoma basocelular como para o espinocelular, a probabilidade de cura é maior que 90%. Já em casos de melanoma, a taxa de cura depende muito da profundidade da lesão (quais camadas da pele estão comprometidas, quantos milímetros de profundidade ela apresenta), de sua localização, da ressecção com margens de segurança livres de doença e, naturalmente, da presença ou não de comprometimento de linfonodos ou de outros órgãos. O tratamento pode ser feito com o uso de diversas técnicas: Eletrocirurgia e curetagem ? usado para o tratamento do CBC e do CEC consistem na remoção, com uso de curetas de vários tamanhos (instrumentos em forma de concha). O método, próprio para lesões pequenas, com menos de um centímetro e limites bem definidos, oferece boa taxa de cura, com resultados estéticos adequados e procedimentos simples. Laserterapia ? método amplamente utilizado para CBC e CEC. Permite vaporização, coagulação e corte em função das necessidades exigidas pelo caso. Resulta em coagulação eficiente e a boa cicatrização da área tratada. Exerese cirúrgica e sutura ? consiste na retirada cirúrgica da lesão. E é um método largamente empregado pela cirurgia dermatológica em todos os tipos de câncer cutâneo, sendo indicado principalmente para casos de lesões maiores, com margens indefinidas e em regiões anatomicamente prejudicadas. Radioterapia ? pouco utilizada, essa terapia é a alternativa para circunstâncias nas quais há impossibilidade do uso de outros métodos (por exemplo, pacientes idosos com patologias associadas ? como diabetes e hipertensão arterial ou cirurgias mutilantes anteriores). Criocirurgia ? método usado como alternativa nos casos em que os outros recursos são contra-indicados. A aplicação de nitrogênio líquido com aparelhos adequados promove a crionecrose (morte pelo frio) dos tecidos em temperaturas que variam de -30ºC a -70ºC. Cirurgia micrográfica de Mohs ? indicada principalmente em lesões extensas reincidentes, sem margens definidas e que já sofreram outros tipos de tratamento. Consiste na remoção cirúrgica da área tratada por congelamento em diferentes profundidades e lateralidades do tumor, até que os tecidos afetados estejam livres do câncer. Pacientes com melanoma que compromete linfonodos de drenagem local, freqüentemente recebem tratamento adjuvante (com objetivo de diminuir a recidiva da doença) com Interferon. Pacientes com melanoma metastático podem ser tratados com imunoterapia (interleucina, interferon) – uma combinação de quimioterápicos com imunoterápicos (bioquimioterapia) ou ainda com quimioterapia isolada. Cirurgias paliativas e radioterapia paliativa também podem ser utilizadas em situações específicas.

– Evitar exposições prolongadas ao sol, principalmente entre as 10 e 16 horas. – Evitar bronzeamento excessivo, natural ou artificial. – Usar filtros solares com fator de proteção superior a 15, realizando a aplicação 15 minutos antes da exposição solar;

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