Câncer de Rim – Cid 10: C64

O câncer renal se desenvolve na região responsável pela filtragem do sangue. Geralmente ocorre apenas em um dos rins, mas em raros casos pode ocorrer simultaneamente em ambos. Iniciado no tecido renal, o tumor cresce e pode invadir o sistema que coleta e drena a urina, podendo causar sangramento que aparece na urina. O desenvolvimento tumoral também pode invadir estruturas próximas ao rim, espalhar-se para os gânglios linfáticos e outros órgãos, como os ossos, os pulmões, o cérebro e o fígado. Muitas vezes, o tumor cresce para dentro da veia renal, formando um trombo (coágulo de sangue) que eventualmente pode chegar ao coração. Uma forma mais rara de câncer renal é aquele que tem origem no sistema de coleta da urina. Esses tumores têm uma evolução diferente e se comportam mais como tumores da bexiga que como tumores renais clássicos.

Não é contagioso.

Tanto a ultra-sonografia como a tomografia computadorizada identifica o tumor e, na maioria das vezes, mostra a extensão do câncer para fora do rim e o trombo na veia renal e na cava. Alguns casos podem gerar dúvida diagnóstica como, por exemplo, tumores císticos – aqueles que, em vez de formados por tecido sólido, padrão normal do câncer de rim, é constituído por cistos – são confundidos com cistos benignos ou tumores muito pequenos, provavelmente benignos. Nesses casos, a arteriografia renal é decisiva, pois permite detectar ou não a existência de artérias típicas dos tumores. A ressonância nuclear magnética tem sido utilizada em alguns centros como alternativa para o diagnóstico dos tumores renais. Em função da freqüência com que tumores renais se espalham para os ossos, a cintilografia óssea também faz parte da avaliação inicial. Leva-se em consideração a extensão, a presença de tumor nos gânglios linfáticos ou na veia cava e as metástases em outros órgãos. A classificação pré-operatória é feita por meio de ultra-sonografia, tomografia computadorizada (abdome, tórax e cérebro) e/ou radiografia do tórax. Se há dúvidas quanto à presença e à extensão de trombos dentro da veia cava, utiliza-se a cavografia – um tipo de exame radiológico. Além disso, utiliza-se freqüentemente a cintilografia óssea, e em alguns centros o PET Scan. Quando o tumor está limitado ao rim, à sobrevida após a retirada do tumor tende a ser maior que quando existem gânglios comprometidos. Aparentemente, a ocorrência de trombo tumoral na veia renal ou na cava, quando não existe invasão ganglionar ou metástases à distância, não compromete o prognóstico, desde que o tumor seja totalmente retirado. Para tumores diagnosticados e operados em estádios iniciais, a chance de cura é grande.

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Em sua fase inicial, o carcinoma renal não apresenta manifestações clínicas, o que dificulta o diagnóstico precoce. O surgimento dos sintomas depende do crescimento do tumor. Caso invada o sistema coletor, ocorre eliminação de sangue pela urina (hematúria). Atingindo estruturas vizinhas ao rim, verifica-se dor e o médico consegue palpar uma massa endurecida no lado do abdome, sob as costelas ou nas costas – quando o tumor cresce muito. O aparecimento conjunto desses sintomas – chamado de “tríade clássica” – só acontece em 10% dos casos. A dor surge em 40%, a hematúria em 35% e a presença de massa abdominal em 25% dos pacientes. Outros sintomas, como febre e anemia, são mais raros e podem manifestar-se como decorrência de metástases (disseminação de um tumor maligno para outros órgãos do corpo, próximos ou distantes daquele que foi inicialmente atingido) ou da produção de certas substâncias pelo tumor.

A ressecção (extirpação) cirúrgica é o único tratamento curativo efetivo para o câncer renal. A técnica mais utilizada, que pressupõe a retirada de todo o tumor, juntamente com o rim, a glândula supra-renal, a gordura Peri – renal e os gânglios linfáticos, é chamada nefrectomia radical. Na maioria dos casos, o procedimento cirúrgico demora de duas a quatro horas e requer anestesia geral. Geralmente não há necessidade de internações na Unidade de Terapia Intensiva ou transfusões de sangue e o paciente pode ter alta hospitalar em cinco dias. Em casos de tumores muito grandes, talvez seja necessário realizar uma arteriografia com oclusão da artéria renal alguns dias antes da operação. Com essa medida, o médico pretende diminuir a chegada de sangue até o tumor para reduzir seu tamanho. Isso facilita o descolamento do tumor das áreas vizinhas e diminui as perdas sanguíneas durante a operação. Quando se trata de tumores pequenos, vem aumentando a experiência com a retirada isolada do tumor (quando possível) ou, no máximo, associada à parte do rim (nefrectomia parcial). Nos últimos anos, a videolaparoscopia, uma técnica cirúrgica com uso de câmera e cortes pequenos, tem sido proposta para a retirada do câncer de rim. A sobrevida de cinco anos nos pacientes com câncer localizado no rim, depois da nefrectomia radical, é de aproximadamente 75%. Em casos de comprometimento ganglionar, o índice cai para 50%. Quando existem metástases à distância, raros pacientes sobrevivem por dois anos. Qual a eficácia dos tratamentos não cirúrgicos? Radioterapia – Seu emprego tende a ser paliativo, para diminuir a dor nas metástases ósseas localizadas. Quimioterapia – recentemente descobriu-se que drogas que inibem o crescimento de vasos prolongam a sobrevida de pacientes com câncer renal avançado. Atualmente dispomos de algumas medicações com este efeito, inclusive no Brasil. O maior fator limitante ao uso destas medicações é o seu preço elevado. Imunoterapia – o câncer renal sempre chamou a atenção por seu comportamento não usual. Por vezes, apresenta regressão espontânea, ou as metástases demoram a crescer. Esses fatos sugerem que a imunidade do paciente pode ter algo a ver com a evolução da doença. Existe grande experiência com o interferon e a interleucina-2, dois agentes imunoterápicos que podem ser ativos em pacientes com câncer de rim metastático. Com a descoberta de quimioterápicos descritos acima, a imunoterapia perdeu um pouco de seu espaço no tratamento desses pacientes.

Algumas medidas de prevenção podem ser adotadas. – Evite fumar. – Coma mais frutas e verduras. – Mantenha-se no peso ideal e exercite-se com freqüência. – Controle a pressão sanguínea. – Evite o contato com substâncias tóxicas, como poluentes, produtos químicos, pesticidas etc.

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