Câncer de Tireoide – Cid 10: C73

Mesmo as raras situações em que se comprova que um nódulo é maligno não representam causa para alarme. Em geral o câncer de tiróide cresce muito lentamente e pode ser completamente removido pela cirurgia. Mesmo se não puder ser totalmente extirpado, geralmente responde ao tratamento com iodo radioativo e hormônio tireoidiano. Existem vários tipos de câncer de tiróide: papilar, folicular, variante de Hûrthle, medular e indiferenciado. O tipo papilar é o mais freqüente e também o mais fácil de tratar. Em geral, quando se dissemina, atinge apenas os gânglios próximos. Os tumores folicular e Hurthle são mais propensos a se disseminar para locais distantes, podendo atingir os ossos, pulmões e fígado. O câncer de tiróide tende a ser esporádico e em raras situações envolve herança genética – ocorrência mais comum no tipo medular. O fator de maior importância para seu aparecimento é a exposição à radiação na região cervical. No passado, principalmente nos Estados Unidos, utilizou-se a radiação na região cervical para o tratamento de várias doenças benignas, como aumento das amígdalas, acne, tuberculose etc. Essas pessoas têm maior chance de desenvolverem tanto nódulo quanto câncer da tiróide. Há também uma preocupação com a possibilidade de vazamentos radioativos de reatores nucleares. Após o acidente com o reator de Chernobyl, houve grande aumento na freqüência de câncer de tiróide, pois nesses casos há liberação para a atmosfera de isótopos radioativos do iodo, que podem ser inalados e absorvidos.

Não é contagioso.

O diagnóstico de câncer da tiróide se estabelece da mesma forma descrita para a investigação de um nódulo tireoidiano; ou seja, através de uma punção-biópsia por agulha fina.

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Tanto o carcinoma papilífero quanto o folicular costumam ser assintomáticos nas fases iniciais. Quando os sinais aparecem, o mais comum da doença costuma ser o aparecimento de nódulo palpável ou visível na região da tireóide ou do pescoço. Em estágios mais avançados, pode ocorrer também aumento dos gânglios linfáticos e do volume do pescoço, rouquidão, tosse persistente, dificuldade para engolir e sensação de compressão da traquéia.

O tratamento habitual consiste em realizar a retirada de toda a tiróide, a chamada tiroidectomia total, com exploração da cadeia de gânglios do pescoço do mesmo lado do tumor. Em seguida, realiza-se uma cintilografia do corpo todo, chamada de pesquisa de corpo inteiro (PCI). Após a cirurgia o paciente fica sem tomar hormônio tireoidiano por cerca de quatro a seis semanas, desenvolvendo um quadro controlado e transitório de hipotiroidismo. O paciente toma, ambulatorialmente e por via oral uma dose de iodo radioativo, que permitirá detectar a presença de restos tireoidianos ou de eventuais metástases, situação na qual ele toma uma dose maior do mesmo iodo radioativo, para destruição das lesões. Na administração do iodo radioativo o paciente deve ser internado, para proteção radiológica. Depois da cirurgia e do eventual uso do iodo radioativo, o paciente passa a tomar hormônio tireoidiano por via oral, de forma parecida com o que foi descrito para o hipotiroidismo. No entanto, objetiva-se o uso de uma dose de hormônio tireoidiano que mantenha o TSH indetectável, por ser este um estimulante do crescimento das células tireoidianas. Como as células tireoidianas produzem tiroglobulina, depois de extirpada a tiróide mede-se essa proteína para monitorar uma eventual recidiva do tumor. Os cânceres do tipo papilar e folicular têm bom prognóstico e, quando bem conduzidos, resultam em mortalidade mínima. O tipo indiferenciado ou anaplásico mostra um comportamento agressivo e responde mal a qualquer modalidade de tratamento. Os cânceres do tipo Hurthle e medular têm um prognóstico intermediário.

Atualmente nenhuma organização médica recomenda exames de rotina para prevenção do câncer de tireóide em pacientes que não apresentam nenhum sinal ou sintoma. Mas, é recomendado que seja feito um exame físico com a palpação da tireóide anualmente.

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