Colelitíase ou Pedra na vesícula – Cid 10: K80

Colelitíase – conhecida popularmente como “pedra na vesícula” – é um quadro clínico traduzido pela presença de cálculos (pedras) na vesícula biliar. A doença também tem o nome de colecistite. Quando a pessoa ingere alimentos gordurosos, há uma “ordem” para a vesícula se contrair e enviar bile para o intestino, para ajudar na digestão. Caso a vesícula esteja doente, acusando a presença de cálculos, essa resposta fisiológica não ocorre, e o indivíduo pode ter sintomas de má digestão. Pode haver a formação de um único cálculo ou de vários, grandes ou pequenos (chamados de microcálculos). Independentemente da dimensão ou quantidade, no entanto, podem produzir sintomas significativos e complicações graves, capazes até de comprometer a vida de seu portador.

Não informado

Na suspeita de complicações, a pessoa deve ser examinada com urgência. O diagnóstico baseia-se inicialmente na queixa clínica do doente. O médico solicita exames de laboratório para verificar se há infecção, dificuldade de drenagem de bile ou alterações das enzimas do pâncreas. Diante da suspeita clínica de colelitíase sem complicações, o exame por imagem mais indicado é o ultra-som de abdome, método que atinge mais de 95% de acerto diagnóstico. Outra técnica eficiente, embora hoje caindo em desuso diante das vantagens do ultra-som, é o estudo radiológico da vesícula, chamado de colecistograma oral. O doente ingere uma substância de contraste em cápsulas e, no dia seguinte, realizam-se chapas radiológicas. Ao doente de coledocolitíase com icterícia, principalmente na suspeita de colangite, indica-se um exame chamado colangiografia endoscópica, que tem a finalidade não só de ajudar no diagnóstico, mas também de tratar a complicação, através da abertura da papila e remoção dos cálculos com instrumentos próprios. Já a tomografia computadorizada de abdome auxilia no diagnóstico e prognóstico de quem tem pancreatite aguda. É possível empregar ainda outros exames, como a cintilografia das vias biliares (exame que usa contraste radioativo para estudo da função do órgão), a ressonância magnética e, mais recentemente, a ecoendoscopia (aparelho de ultra-som acoplado ao endoscópio que visa obter imagens próximas a lesão estudada).

Os portadores de cálculos na vesícula podem até não apresentar sintomas. Mas em regra, nos casos em que a colelitíase não causa grandes complicações, o doente manifesta basicamente intolerância alimentar a gorduras e sente cólica biliar. A intolerância traduz-se por sensação de má digestão ao ingerir alimentos gordurosos: há queixa de “peso” na região superior do abdome e formação excessiva de gases. Já a cólica biliar é uma dor espasmódica na parte superior direita ou na região central do abdome, às vezes acompanhada de náuseas e vômitos. Em geral, esses sintomas são passageiros. Diante deles, porém, o paciente deve procurar o médico, que pode identificar o problema antes da ocorrência de complicações típicas da colelitíase.

O tratamento da colelitíase objetiva prevenir possíveis complicações. Em geral, opta-se pela retirada da vesícula biliar, que é onde a bile se deposita e forma as pedras. Recomenda-se a remoção do órgão porque ele é considerado doente e permanentemente capaz de formar futuros cálculos. O organismo adapta-se facilmente à ausência da vesícula. A cirurgia da retirada do órgão, chamada colecistectomia, pode ser realizada por vários métodos. Pelo modo convencional, o cirurgião atinge o órgão por uma incisão feita no abdome (laparotomia). Trata-se de um método usado há mais de cem anos, com muito sucesso. Tem baixo índice de mortalidade e pouco risco de complicações. As desvantagens são a dor pós-operatória, a cicatriz cirúrgica, o período de internação (em torno de três dias) e a necessidade de repouso (cerca de uma semana). A colecistectomia por via laparoscópica, introduzida há mais de dez anos, permite a remoção da vesícula por meios minimamente invasivos. Pressupõe o emprego de um aparelho chamado laparoscópio, (tubo óptico com uma pequena câmera de televisão na extremidade) que, introduzido por uma pequena incisão no umbigo, envia imagens a um monitor de vídeo. Por outras três incisões pequenas, o cirurgião executa a operação, considerada hoje o tratamento preferencial para a extração da vesícula biliar. Suas vantagens: menos dor após a operação, seqüela estética mínima, alta hospitalar precoce e rápida recuperação do paciente. Em algumas situações, porém, não se pode executar essa cirurgia, por problemas técnicos ou alterações da anatomia local, que, de modo geral, aumentariam os riscos operatórios. Nesses casos, o cirurgião opta pelo método convencional.

Dos métodos evitáveis, recomenda-se não ganhar peso excessivamente e tão pouco realizar regimes de emagrecimento agressivos.

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