Como enxergam os daltônicos?

Uma das doenças mais comuns que temos hoje em dia é o daltonismo, uma doença genética que afeta a visão do portador, você já se perguntou como essas pessoas veem o mundo? Existem meios dos daltônicos diferenciarem as cores que não enxergam?

O Tecno Curioso organizou essa matéria para você passar um dia como daltônico, descobrindo as dificuldades por que passam as pessoas que portam essa anomalia genética, que recebeu seu nome em homenagem ao químico John Dalton, o primeiro homem a estudar a doença, a qual ele mesmo tinha.

Aula de Biologia

Como já explicamos acima, o Daltonismo é genético, ou seja, passa de pai para filho, e para entendermos completamente como ela funciona, teremos que estudar sua estrutura cromossômica.

Como sabemos, os zigotos de homens são conhecidos por terem os cromossomos X e Y (XY) enquanto as mulheres têm apenas dois X (XX), o daltonismo é uma doença onde apenas os cromossomos X são afetados, e se manifesta em cruzamentos cromossômicos onde todos os cromossomos X são portadores da anomalia.

De praxe você já deve ter percebido porque é tão comum ver homens daltônicos não é? Porque homens tem apenas um cromossomo X, e se esse for portador do gene do daltonismo, já será automaticamente daltônico.

Mulheres podem ser daltônicas?

Estudos afirmam que cerca de 8% da população é portadora do daltonismo, mas penas 1% são mulheres, mas, por que isso?

Como explicamos na nossa mini aula de Biologia acima, os homens só tem um cromossomo X, por isso estão mais suscetíveis à doença, já as mulheres tem dois cromossomos X, o que torna mais difícil que elas sejam daltônicas.

Se representarmos o daltonismo em um genótipo como “°” podemos dizer que um homem daltônico tem genótipo X°Y, já no caso das mulheres, mesmo que elas tenham em um de seus cromossomos o gene da doença, ela ainda não será daltônica, ficando conhecida como portadora X°X ou XX°, ou seja, a mulher só será daltônica se tiver um genótipo igual a X°X°.

Vamos usar um exemplo prático, um pai é daltônico X°Y e a mãe é apenas portadora (mas não é daltônica) X°X e ambos querem saber qual é a chance de seus filhos serem daltônicos, para “calcularmos” isso podemos fazer tal diagrama:

Pai a direita,

mãe abaixo


Y

X°X°

X°Y

X


X°X

XY

De acordo com o diagrama, em um casal onde o pai é daltônico e a mãe é portadora, existem 25% de chances de nascer uma menina daltônica, 25% de uma menina portadora, 25% de um menino daltônico e 25% de um menino normal, ou seja, para que uma menina seja daltônica, seu pai deve ser daltônico e sua mãe deve ser portadora ou daltônica também.

Os três tipos de daltonismo

Muitas pessoas acreditam que daltônicos enxergam tudo em preto em branco, como se vivessem um filme antigo, mas elas estão totalmente erradas, uma pessoa daltônica pode sofrer de três variações da doença, a Protanopia, a Deuteranopia, e Tritanopia.

Protanopia

Na protanopia a pessoa tem dificuldade ou é impossibilitado de tons da cor vermelha e também verde, enxergando somente tons de marrom forte, como se fosse caramelo.

Deuteranopia

Na deuteranopia é a mais comum e dificulta a discriminação de cores nos tons de verde, de forma muito parecida com a protanopia, porém essa não é tão intensa, sendo possível diferenciar com alguma dificuldade tais cores por a tonalidade do marrom que enchergam

Tritanopia

A tritanopia é a mais rara das variações da doença, nela a pessoa tem dificuldades ou não vê a cor azul, sendo que todas as tonalidades da cor lhe pareçam com a cor rosa, ou seja, quem sofre de tritanopia vive em um mundo rosa.

Você é daltônico?

No vídeo abaixo, um YouTuber que de fato é daltônico, ao lado de sua esposa que não é portadora da anomalia, realiza alguns testes de daltonismo que são facilmente encontrados na internet, acompanhe o vídeo e veja se você passa nos testes, se passar, preste atenção na dificuldade que o homem tem para identificar as imagens contidas nos mesmos.

Torne-se um daltônico

Abaixo estamos disponibilizando um link onde você pode fazer o upload de uma imagem qualquer de seu computador para um simulador, onde o mesmo modifica a imagem para que você a veja de acordo com a variação da doença que escolheu. Dessa maneira, pedimos que você imagine como seria se você não pudesse diferenciar as cores também, o que isso poderia afetar na sua vida?

Para testar o simulador, clique aqui.

Acessibilidade

Como a doença já é muito comum no mundo inteiro, empresas que produzem conteúdos visuais para a internet ou outras fontes, já começam a disponibilizar alternativas para pessoas que sofrem da anomalia.

Um bom exemplo são os jogos digitais para computadores, celulares e tablets que já vem com opções de assistência para daltônicos, onde as cores do jogo são modificadas de acordo com a variação da doença do jogador, facilitando muito para quem quer se divertir jogando e muitas vezes não pode pois depende da diferenciação de cores para poder desenvolver-se no game.

Coloradd

O designer português Miguel Neiva teve a brilhante ideia de criar símbolos universais para que os daltônicos consigam diferenciar as cores quando forem comprar alguma roupa por exemplo. Isso facilitará e muito a vida de quem não tem sempre uma pessoa junto para ficar lhe informando quais são as cores que ele não pode ver, evitando que o mesmo acabe comprando coisas sem querer por achar que são de uma cor, mas na verdade são de outra.

Cerca de 90% da comunicação mundial é feita por cores, um grande exemplo e que pode dificultar muito a vida de um daltônico é a cor das vias de trem dos metrôs, nos mapas dos caminhos subterrâneos as linhas de trem são diferenciadas umas das outras por cores para que os passageiros possam identificar por onde o seu trem vai passar, mas, como um daltônico vai diferenciar uma linha vermelha de uma linha verde?

No vídeo abaixo as símbolos universais são explicados, e você deve admitir, foi uma grande ideia do português pensar nas dificuldades por que passam os daltônicos, não é?

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