Constipação Intestinal – Cid 10: K59

O indivíduo saudável, em condições alimentares normais, habitualmente evacua a intervalos que variam entre seis e 72 horas. Quando há um aumento importante nos intervalos entre as evacuações, ou quando as fezes se apresentam bastante endurecidas ou afiladas, diz-se que a pessoa está sofrendo de constipação intestinal, problema popularmente conhecido como “prisão de ventre”. As constipações intestinais classificam-se em três grupos: 1- causa motora: são as provocadas por distúrbios dos movimentos peristálticos do intestino. Síndrome do cólon irritável – também conhecida como colite, é causa relativamente comum de prisão de ventre. Uso crônico de laxativos – leva ao aumento da constipação intestinal e à necessidade de purgativos sucessivamente mais fortes. Dieta inadequada – a industrialização dos alimentos, com a conseqüente oferta de produtos pobres em fibras e a alimentação rápida da vida moderna são fatores diretamente ligados à prisão de ventre: o organismo se ressente da falta de matéria-prima para a formação do bolo fecal. Diminuição do poder expulsivo – a falta de exercícios abdominais, a obesidade, entre outros, são alguns dos motivos que podem motivar a diminuição da capacidade de compressão dos músculos do abdome, com conseqüentes quadros de constipação intestinal. Sedentarismo – a vida moderna nas grandes cidades contribui para tornar a pessoa sedentária, levando-a a ficar sentada durante horas no local de trabalho, à frente do televisor, diante do computador ou ao volante do carro. Essa falta de movimentação leva à obesidade, à flacidez muscular e à diminuição do reflexo da evacuação – somados, tais problemas podem propiciar a constipação intestinal. Megacólon – a dilatação progressiva de uma porção do intestino grosso, chamada ‘cólon sigmóide’ e, com isso, provoca constipação intestinal. Moléstias de depósito – doenças motivadas pelo acúmulo de substâncias tóxicas no organismo – por exemplo, o chumbo, na moléstia conhecida como saturnismo – costumam vir acompanhadas de constipação intestinal, possivelmente provocada por depósito do produto nocivo nos nervos e músculos dos intestinos. Doenças hormonais – entre as várias doenças desse tipo, capazes de provocar prisão de ventre, a mais comum é o hipotireoidismo que, pela diminuição geral do metabolismo, reduz também o peristaltismo gastrintestinal (movimento característico que impulsiona o bolo fecal). Distúrbios hidroeletrolíticos (da água e dos sais) – os níveis de cálcio e potássio no plasma sanguíneo interferem diretamente na motilidade do tubo digestivo. Assim, qualquer alteração dos sais minerais no organismo ocasiona diminuição, geralmente aguda, do ritmo intestinal. A desidratação também provoca prisão de ventre, decorrente da avidez da mucosa gastrintestinal pela água, o que produz um bolo fecal seco e de pequeno volume. Envenenamento – a ingestão crônica de substâncias como fósforo, arsênico e mercúrio ocasiona a constipação intestinal por destruir a mucosa intestinal e os plexos mioentéricos. Lesões neurológicas – lesões do sistema nervoso central, decorrentes de tumores e traumatismos, bem como lesões da medula determinadas por inflamações ou tumores de qualquer natureza podem interferir diretamente no mecanismo ligado ao reflexo da evacuação, causando constipação intestinal. Iatrogenia – alguns medicamentos, como antiácidos à base de alumínio ou cálcio, antiespasmódicos (que melhoram cólicas) de qualquer natureza e diuréticos (estimulantes da eliminação de urina), podem propiciar o aparecimento da constipação intestinal. Depressão – a representação máxima dos quadros depressivos é a anorexia (diminuição ou falta de apetite). Nesses casos, tanto pela diminuição da quantidade de alimentos ingeridos quanto pelas alterações típicas da depressão, é comum ocorrer à prisão de ventre. Ansiedade e angústia – associadas ou não à tensão emocional, podem causar constipação intestinal, em decorrência da presença de colite ou da diminuição da ingestão de alimentos. Íleo paralítico – as cólicas renais e biliares, a dor pancreática e o pós-operatório de cirurgias abdominais costumam induzir a uma diminuição do peristaltismo intestinal. Como resultado, surgem constipações agudas ou pouco prolongadas, que às vezes podem ter sua duração ampliada. 2- causa mecânica: derivam de obstruções intestinais de qualquer natureza. Tumores benignos e malignos – a presença de pólipos de grandes dimensões no interior do intestino grosso pode causar o surgimento de prisão de ventre, mas é um acontecimento raro. Já a constipação nos doentes portadores de câncer intestinal é muito freqüente. Doença diverticular dos cólons – de um lado, a própria prisão de ventre habitual pode provocar o aparecimento de divertículos (pequenos ‘sacos’ aderidos à parede interna dos intestinos) nos pontos de fraqueza da parede intestinal. De outro, a presença de grande número de divertículos no cólon esquerdo provavelmente interfere no mecanismo peristáltico do intestino grosso, diminuindo a força de contração. Crises repetidas de diverticulite reduzem o diâmetro intestinal, dificultando a passagem das fezes e agravando o quadro de constipação intestinal. Colite isquêmica – decorre de má irrigação arterial. Correspondente a um infarto do intestino e pode evoluir para um estreitamento cicatricial, o que é um obstáculo mecânico para a progressão do bolo fecal. Compressão extrínseca – por compressão ou aderência, os tumores abdominais externos ao intestino, principalmente os pélvicos (de origem maligna, benigna ou inflamatória), podem estreitar o diâmetro interno intestinal, dificultando assim o trânsito do bolo fecal. Moléstias granulomatosas – Na maioria das vezes, essas doenças – entre as quais está a tuberculose – associam-se a quadros diarréicos. No entanto, por estreitamento da passagem intestinal, por aderências, ou ainda por alterações no reto, elas podem vir acompanhadas de prisão de ventre. 3- causa mista: surgem de uma combinação de fatores tanto motores quanto mecânicos. A tensão aumentada do esfíncter anal de causa desconhecida (ao que se chama de “hipertonia esfincteriana idiopática”) ou de causa emocional ou psicologia (psicogênica), por si só, determina alterações no mecanismo da defecação, propiciando o aparecimento de fezes duras e ressecadas. A eliminação destas, contra a pressão causada pela hipertonia, pode levar ao aparecimento de fissuras anais que, por sua vez, aumentam ainda mais a hipertonia, agravando o quadro de constipação. Por outro lado, afecções do reto e do ânus, como fissuras de causas inespecíficas, proctites (inflamações do reto) e hemorróidas complicadas, podem se acompanhar de uma hipertonia esfincteriana que provoca prisão de ventre. A hipertonia esfincteriana primária ou secundária é uma causa mista de prisão de ventre, por estarem envolvidos mecanismos motores (hipertonia muscular) e mecânicos (fissuras, proctites, hemorróidas complicadas, etc.).

Não informado

Depende da análise do histórico do paciente: muitos relatam constipação intestinal quando na verdade não sofrem desse mal. O tempo decorrido desde o aparecimento da prisão de ventre e sua evolução no passar dos anos quase sempre apontam para causa correta do problema. A dieta habitual, a atividade física, a maneira de evacuar, o horário da evacuação e o ritmo de vida são outras informações indispensáveis para um diagnóstico correto. Ao conversar com o doente, o médico pode também saber da eventual presença de moléstias endócrinas ou neurológicas que possam estar associadas à prisão de ventre, bem como da possível existência de quadros de tensão, depressão ou ansiedade. A perda de peso e o aspecto das fezes são igualmente fatores importantes a constatar. No exame físico, a presença de hérnias e tumores abdominais, com flacidez das paredes abdominal e perineal (relativo ao períneo, parte do corpo situada entre os órgãos sexuais e o ânus), conduz diretamente ao diagnóstico da prisão de ventre. Também são investigados os sinais clínicos de moléstias endócrinas, neurológicas, de doenças de depósito e envenenamento, o que pode fornecer boas pistas sobre a origem da constipação. O toque vaginal e o exame retal constituem igualmente itens obrigatórios no exame físico do doente constipado, pois podem ser decisivos no estabelecimento do diagnóstico do problema, poupando tempo e gastos desnecessários. Raramente são necessários exames complementares. No entanto, conforme a suspeita de doença levantada pelos exames clínicos e físicos podem ser precisas análises de sangue para confirmar ou afastar outras hipóteses diagnósticas. O estudo radiológico contrastado do intestino grosso permite seu estudo anatômico melhor do que em qualquer outro método. Já a colonoscopia (exame onde é introduzido um tubo do diâmetro do dedo mínimo, denominado colonoscópio, com capacidade de mostrar imagens da parede intestinal) é muito eficaz para a avaliação do aspecto da mucosa intestinal, da presença de pólipos, de tumores e de moléstias granulomatosas. Dependendo da suspeita, o médico pode optar por outras técnicas de investigação, entre as quais a manometria (medição de pressão) do cólon.

Veja também

Os sintomas associados podem ser: dores abdominais, dores de barriga, inchaços, flatulências, hemorróidas, espasmos, fezes endurecidas, ou ainda uma sensação de evacuação incompleta. Relembramos que se você estiver sentindo desconfortos no nível gastrointestinal: inchaços, hemorróidas, dores, etc. E que se você tiver dúvidas quanto ao seu estado, não hesite em consultar um médico.

Varia conforme a causa. Se o problema tem origem numa afecção proctológica (retal), o tratamento é dirigido para a correção da patologia específica. Da mesma forma, diante de uma causa mecânica, a terapia tem como objetivo a remoção dela. Com exceção do megacólon – que, na maioria das vezes, exige cirurgia –, a prisão de ventre de causa motora sempre admite tratamento clínico. Dentro desse grupo, as moléstias de depósito, as hormonais e os casos de envenenamento requerem tratamento específico para a doença de base, o que, automaticamente, provoca a eliminação da constipação. Uma vez identificados, os distúrbios hidroeletrolíticos têm fácil correção: basta administração com os elementos em falta ou suspender a droga que esteja causando a alteração. Já as lesões de natureza neurológica são de difícil tratamento, exigindo freqüentemente o uso de laxantes fortes ou então a adoção de procedimento mecânico para o esvaziamento do intestino grosso. São raros os casos em que o sedentarismo apresenta-se como causa única de constipação intestinal. Seu tratamento é óbvio – recomendam-se passeios diários e exercícios físicos. A terapia da prisão de ventre causada exclusivamente pela diminuição do poder expulsivo exige um planejamento meticuloso para o fortalecimento da musculatura deficiente. Em alguns casos, não há como evitar a cirurgia. Ao sedentarismo e à falta de poder expulsivo se associa freqüentemente outra causa de constipação: a alimentação inadequada. A correção do hábito alimentar, quando bem planejada, quase sempre normaliza o funcionamento intestinal. Convém planejar não só o tipo de alimento ingerido, com predomínio de fibras e vegetais, como também o horário das refeições e a ingestão generosa de líquidos. A constipação causada pelo uso crônico de laxativos tem tratamento difícil: nesses casos, o doente é uma pessoa profundamente neurótica ou revela dependência orgânica das substâncias laxativas. No grupo dos pacientes somático-dependentes, o sucesso terapêutico é pouco provável, e depende do grau de lesão da mucosa intestinal e das terminações nervosas dos plexos intestinais. Convém substituir os laxativos fortes por uma dieta rica em fibras e por laxativos mais suaves e produtores de bolo fecal. Quanto ao tratamento da chamada prisão de ventre habitual, considera-se o estágio da moléstia. Assim, de início, é fundamental a reeducação intestinal, o que o médico pode conseguir ao explicar detalhadamente ao paciente a fisiologia da evacuação. Uma vez informado sobre os mecanismos que deram origem ao problema, o doente pode trabalhar junto com o médico no sentido de se curar. O passo seguinte consiste em aumentar o bolo fecal de maneira a produzir fortes estímulos ao reflexo da evacuação. Isso é obtido pelo consumo de fibras vegetais e laxantes formadores do bolo fecal. Nessa fase, o paciente costuma se queixar da formação excessiva de gases e de distensão abdominal, sintomas passageiros e típicos do início do tratamento. Ele deve estabelecer um horário fixo para evacuar, sempre relacionado a uma refeição anterior. No entanto, há pessoas que se encontram em estados avançados da constipação, exigindo medidas mais agressivas, como o emprego de laxativos de contato. Antes disso, porém, talvez valha à pena recorrer a estímulos retais por meio de supositórios de glicerina. Uma vez obtidos resultados adequados nessa fase do tratamento, que deve durar de trinta a sessenta dias, todas as medidas vão sendo paulatinamente diminuídas, enquanto a dieta vai se normalizando. A fiscalização constante é necessária para que se evitem constipações reincidentes.

Educação e reeducação alimentar e de hábitos para evacuar com regularidade fezes de consistência macia. Ingestão de concentrados de fibras regularmente. Tratamento ou controle de enfermidades subjacentes locais ou sistêmicas, além da revisão dos medicamentos, principalmente, os de uso contínuo.

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