Labirintite – Cid 10: H83.0

O labirinto, localizado na parte interna da orelha, tem a importante função de detectar a cada instante a posição do corpo e enviar correspondentes sinais bioelétricos às estruturas cerebrais relacionadas ao equilíbrio. Quando esse órgão é afetado por algum problema, pode remeter informações incorretas àquelas estruturas, que, baseadas nesses dados errados, reagem com instruções inadequadas ao corpo. Daí as sensações de perda de equilíbrio e vertigem. Mais de cem doenças podem acometer o labirinto: algumas comprometem mais o equilíbrio; outras, também a audição. É possível classificar esses males em grupos, de acordo com a causa que desencadeia o mau funcionamento labiríntico. As principais categorias de causas são: congênitas e hereditárias, traumáticas, infecciosas, metabólicas, intoxicações e muitas outras, perfazendo um total de cerca de uma centena de diferentes doenças que podem acometer a orelha, desencadeando vertigem, muitas vezes acompanhada de perda auditiva e zumbido.

Não informado

Muitas vezes, a pessoa que sente qualquer um dos sintomas acima mencionados não o leva a sério e, com isso, pode-se perder a oportunidade de detectar e tratar a tempo uma doença de conseqüências sérias. A fim de se orientar para prescrever o tratamento adequado a um problema de labirinto, o médico realiza quatro tipos de diagnóstico: de história, de localização, etiológico (da causa do problema) e de intensidade. O diagnóstico de história procura estabelecer a correspondência entre os sintomas e o tipo de problema apresentado pelo paciente. Um portador de doença do labirinto pode ter as sensações de vertigem, mareio ou desequilíbrio, mas é importante verificar se também há outros sintomas, de origens diferentes. Assim, o paciente deve fornecer informações sobre o início do problema, fator desencadeante, tipo de evolução, fatores de melhora ou de piora, além de sintomas. O diagnóstico de localização define se o problema localiza-se no labirinto propriamente dito, nos nervos que o ligam ao cérebro, na parte do cérebro correspondente ao equilíbrio ou em algum sistema a distância que esteja provocando mau funcionamento do labirinto – ainda que este e o sistema neurológico revelem-se íntegros. O otorrinolaringologista faz esse diagnóstico diferencial com o auxílio de exames subsidiários (como audiometria, impedanciometria, potenciais auditivos evocados e eletronistagmografia). O diagnóstico etiológico realiza-se com a ajuda de análises de sangue ou de imagem, com o objetivo de identificar a doença que pode estar desencadeando a labirintite. A partir desse diagnóstico, o médico trata a causa e não apenas os sintomas. O diagnóstico de intensidade, o mais importante do ponto de vista do doente, consiste no cruzamento de informações do histórico (duração do problema, tipo de evolução, limitações provocadas) com os dados obtidos pelos exames otorrinolaringológicos. A partir de seus resultados, o médico pode aliviar os sintomas e fazer projeções quanto à evolução da doença e às limitações por ela impostas à vida profissional e social, além de propor o tratamento adequado.

As manifestações da labirintite são habitualmente descritas, de modo genérico, como “tonturas”. Na verdade, essas sensações podem ocorrer de diversas maneiras, entre as quais a vertigem (sensação de que o ambiente está se movendo), o desequilíbrio (a pessoa tem dificuldade em equilibrar-se em pé), o mareio (desequilíbrio que pode ser acompanhado por enjôo e sudorese), o desfalecimento (escurecimento da vista, com perda de força ou de consciência) e a ausência (perda repentina da orientação, ou ainda esquecimento da tarefa que se está executando ou do lugar onde se está).

Existem quatro tipos básicos de tratamento, que em muitos casos são simultaneamente prescritos pelo médico: o sintomático, o etiológico, o de estado geral e o de reabilitação. Em algumas situações, pode ser indicada uma intervenção cirúrgica. Tratamento sintomático – é feito na fase aguda ou nas crises de reagudização do processo. Prevê o uso de medicamentos – a maior parte delas, anti-histamínicos (medicamentos neutralizadores da ação da histamina, produto orgânico que tem o poder de dilatar os vasos sangüíneos e de contrair os músculos lisos). Com ação sobre o cérebro –, para diminuir a sensação de movimentação do ambiente, evitar náuseas e até coibir vômitos. A terapia pode ser prolongada por todo o tempo em que o paciente revelar os sintomas e ser suspensa na fase de reabilitação. Em alguns casos, os diuréticos e os calmantes são de grande valia. Convêm também, que o paciente se abstenha de substâncias estimulantes, como cafeína, nicotina, pseudoefedrina e fenilefrina (estas duas últimas encontradas nas gotas nasais e antigripais). Tratamento etiológico – a mais importante das terapias é, sem dúvidas, combater a causa da labirintite. O tratamento etiológico, contudo, depende da natureza da doença de origem e nem sempre se mostra rápido e definitivo – como no caso de enfermidades crônicas, de transcurso longo ou que evoluem em crises, como o diabetes e problemas circulatórios ou metabólicos. Tratamento do estado geral – em pacientes que, na fase aguda, exibam quadro de náuseas, vômitos e sudorese, pode ser necessária a internação hospitalar para o tratamento do estado geral. Tratamento de reabilitação – tem por objetivo recuperar o paciente o mais cedo possível para suas atividades profissionais e sociais. Em geral, essa terapia é orientada por um fonoaudiólogo e compreende exercícios oculares e corporais – há quem faça a estimulação elétrica dos labirintos, sem vantagem sobre os exercícios físicos. Nesse período devem ser suspensos os medicamentos antivertiginosos, que retardam a reabilitação. Intervenção cirúrgica – em alguns casos, a intervenção cirúrgica pode ser escolhida para eliminar o mal que causa o distúrbio, como no caso dos tumores Em outras situações, ela pode ser empregada como forma de obter alívio dos sintomas – com esse objetivo, é possível descomprimir o labirinto, no caso de pressão interna aumentada semelhante ao glaucoma que ocorre nos olhos. Em casos mais graves é possível destruir o labirinto ou cortar o nervo que está enviando ao cérebro as informações de forma distorcida.

Muitas das causas da labirintite – como traumatismos, tumores e os congênitos – não podem ser evitadas. Mas felizmente é possível prevenir a imensa maioria das manifestações por meio da manutenção de um bom estado geral de saúde e o controle permanente de eventuais problemas crônicos, como obesidade, hipertensão, disfunções hormonais, renais ou hepáticas.

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