Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) – Cid 10: M32

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune (aquela que ocorre devido à formação de anticorpos contra constituintes do próprio organismo). É crônica e pode se manifestar em qualquer idade e sexo, mas afeta principalmente mulheres jovens. Embora não seja conhecida, admite-se que a interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais participem do desencadeamento desta doença. Estudos epidemiológicos realizados nos Estados Unidos mostram uma prevalência de LES variando de 1 caso para 2.000 a 1 para 10.000 habitantes. Não há estudos epidemiológicos no Brasil, mas, se imaginarmos as mesmas freqüências dos Estados Unidos, devemos ter entre 16.000 e 80.000 casos de LES no país.

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O médico deve suspeitar de LES, de acordo com as queixas e alterações observadas ao exame físico e solicitar os exames laboratoriais adequados para confirmação do diagnóstico. Existem exames que são positivos na maioria dos pacientes com LES, como os anticorpos antinucleares (FAN), mas que, infelizmente, são positivos também em outras doenças, ou mesmo em pessoas sadias. Outros testes laboratoriais como o anticorpo anti-DNA nativo e anti-Sm são altamente específicos, mas a positividade é de 50 e 35%, respectivamente. Hoje já vem sendo utilizado a anti nucleososmo para o seu diagnóstico

Os mais freqüentes são: a) Lesões de pele: as mais características são avermelhadas em maçãs dos rosto e dorso do nariz, denominadas lesões em vespertílio ou ‘asa de borboleta’ (a distribuição da lesão lembra uma borboleta). As lesões discóides (que normalmente aparecem no rosto, nuca e couro cabeludo) são bem delimitadas e mais profundas e podem causar alteração da cor da pele (mais clara ou escura). Muitas outras lesões cutâneas, principalmente em antebraços e região do decote, podem aparecer e frequentemente pioram após exposição ao sol. b) Queixas articulares: dor e inchaço, principalmente nas articulações das mãos. Geralmente são transitórias e recidivantes. Mais raramente podem causar deformidades. c) Pleurite ou miocardite: pode ocorrer inflamação de pleura ou pericárdio (membranas que recobrem o pulmão e coração, respectivamente). d) Nefrite (inflamação no rim): ocorre em aproximadamente 50% dos casos. Deve ser tratada precoce e adequadamente para se evitar a insuficiência renal (perda da função do rim). A gravidade da nefrite é variável e quando os exames clínicos e laboratoriais não permitem a adequada avaliação do caso, é necessária a biópsia renal. e) Alterações no sangue: em mais da metade dos casos pode ocorrer diminuição de glóbulos vermelhos (anemia), de glóbulos brancos (leucopenia), dos linfócitos (linfopenia) ou de plaquetas (plaquetopenia). f) Alterações cerebrais: menos freqüentemente podemos observar convulsões ou alteração nível de consciência, perda da memória e concentração e até queixas sugestivas de comprometimento de nervos periféricos, levando à sensação de formigamento nas pernas ou braços. g) Alterações do comportamento: como psicose, por exemplo. h) Vasculite: a inflamação de pequenos vasos sanguíneos pode causar lesões avermelhadas e dolorosas em palma de mãos, planta de pés, céu da boca ou braços e pernas. Muito raramente, se a inflamação ocorre em vasos sanguíneos maiores pode causar dor e escurecimento de dedos, feridas nas pernas etc. i) Queixas de febre sem infecção aparente, emagrecimento e fraqueza: são comuns quando a doença está ativa. j) Outras manifestações: oculares (conjuntivite, por exemplo), aumento do fígado (hepatomegalia), aumento do baço (esplenomegalia) e de gânglios também podem ocorrer em fase ativa da doença.

Visa permitir o controle da atividade da doença, minimizar os efeitos colaterais dos medicamentos e proporcionar boa qualidade de vida aos portadores de lúpus. Lembre-se que todo tratamento é individualizado e varia de acordo com a manifestação da doença. Vários medicamentos, como anti-inflamatórios não hormonais, corticóides, antimaláricos e imunossupressores podem ser utilizados. Novos imunossupressores vem sendo lançados. Atualmente, terapias biológicas e celulares vêm sendo utilizadas no tratamento e agem tanto nos mediadores que causam a inflamação como nas células que produzem os anticorpos. Dúvidas em relação ao tratamento devem ser discutidas com o médico. O adequado manejo do LES tem permitido uma longa e produtiva vida aos portadores.

Evitar fatores desencadeantes da atividade do lúpus (como tomar sol ou outras formas de radiação ultravioleta e o uso de estrógenos e de medicamentos como hidralazina, hidrazida, procainamida etc.) e procurar tratar as infecções e evitar o estresse são algumas condutas a serem observadas, na medida do possível. Vale salientar que mulheres com lúpus podem engravidar, desde que estejam fora do período de atividade da doença. Devem fazer acompanhamento médico rigoroso no pré natal e no pós parto. Mudanças no estilo de vida como cessação do tabagismo, alimentação saudável, exercícios físicos orientados e utilização de protetor solar são fundamentais. O reumatologista é o especialista indicado para fazer o tratamento e acompanhamento de pacientes com LES e, quando necessário, outros especialistas devem fazer o seguimento em conjunto.

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