Raiva – Cid 10: A82

Encefalite viral aguda transmitida por mamíferos é o nome científico da doença, mas ela é mais conhecida como raiva. A raiva é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus, que acometem mamíferos, inclusive o homem.

A doença é transmitida ao homem principalmente através da mordida de animais infectados. Ainda existem as possibilidades, mais raras, de se contrair a doença por contato com material infectado de um animal raivoso, como a saliva diretamente nos olhos, mucosas ou feridas. A doença também pode ser transmitida através da lambedura e/ou arranhadura de animais doentes. O período de incubação, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, dura em média 45 dias (contato com cão). Nos cães e gatos a emissão de vírus pela saliva ocorre entre 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sintomas clínicos, persistindo durante toda a evolução da doença. A morte do animal ocorre, em média, entre 5 a 7 dias após a apresentação dos sintomas. Em relação aos animais silvestres, há poucos estudos sobre o período de transmissão. Sabe-se, porém, que varia de espécie para espécie. Por exemplo, especificamente os quirópteros podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente.

Os pródromos duram de 2 a 4 dias e são inespecíficos. O paciente apresenta mal-estar, pequeno aumento de temperatura, anorexia, cefaleia, náuseas, dor de garganta, entorpecimento, irritabilidade, inquietude e sensação de angústia. Podem ocorrer hiperestesia e parestesia no trajeto de nervos periféricos, próximos ao local da mordedura e alterações de comportamento. A infecção progride, surgindo manifestações de ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos musculares involuntários, generalizados e/ou convulsões. Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua ocorrem quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando sialorreia intensa. Os espasmos musculares evoluem para paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal. O paciente se mantém consciente, com período de alucinações, até a instalação de quadro comatoso e evolução para óbito. Observa-se presença de disfagia, aerofobia, hiperacusia, fotofobia. O período de evolução após instalados os sinais e sintomas até o óbito, é em geral de 5 a 7 dias.

Os sintomas da raiva são todos decorrentes deste acometimento: – Confusão; – Desorientação; – Agressividade; – Alucinações; – Dificuldade de deglutir; – Paralisia motora; – Espasmos; – Salivação excessiva

Em caso de possível exposição ao vírus da raiva é imprescindível: limpeza do ferimento com água corrente abundante e sabão. Por não existir tratamento específico, deve-se procurar assistência médica imediatamente para que o profissional de saúde avalie e indique ou não tratamento profilático antirrábico. Nunca se deve interromper o tratamento profilático antirrábico.

A assistência médica deve ser procurada o mais rápido possível após a agressão. Quanto ao ferimento, deve-se deixar sangrar por pouco tempo; lavar abundantemente com água e sabão e aplicar algum produto antisséptico. O tratamento profilático deve ser prescrito pelo médico ou enfermeiro, que avaliará o caso indicando a aplicação de vacina e/ou soro. Fornecer informações ao serviço de saúde quanto ao animal: se tem dono, endereço. Nunca deve ser interrompido o tratamento profilático indicado. Dicas de prevenção para viajantes: Em caso de possível exposição ao vírus rábico, seja por mordedura, lambedura ou arranhadura, lavar imediatamente a localidade com água corrente e sabão em abundância e procurar assistência médica para, se necessário, aplicação de vacina e soro antirrábico. Considerar o esquema de pré-exposição para viagens a locais com alta prevalência da doença e grupos que se expõem constantemente a animais.

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