Endometriose – Cid 10: N80

Ocorre na fase da vida em que a mulher menstrua, cessando após a menopausa, embora haja casos raros após esse período. É causada pelo surgimento de tecido endometrial (normalmente encontrado no interior do útero) em outros locais do organismo, sobretudo na pelve. É mais freqüente após os 30 anos e em mulheres que nunca engravidaram. Os locais comumente afetados são os órgãos ou estruturas vizinhas ao útero (como os ovários e o peritônio – membrana que recobre o interior do abdome), podendo atingir também a própria parede uterina (caso este que chamamos de adenomiose), o colo uterino, a vagina, o intestino e a bexiga. Ainda que menos freqüente, a doença aparece em cicatrizes cirúrgicas (especialmente de parto) e nos pulmões. Não são totalmente conhecidas, embora diferentes hipóteses tentem explicar como ocorre o problema: – Teoria da menstruação retrógrada: fenômeno comum à maioria das mulheres, que faz com que o sangue da menstruação, em vez de sair pela via habitual, siga pelas trompas para o interior do abdome, possibilitando a fixação de células endometriais (que vão junto com o sangue) e o desenvolvimento da endometriose em mulheres predispostas, por algum motivo ainda desconhecido. – Teoria da metaplasia celômica: transformação de células de outra origem em células endometriais, com crescimento em local inadequado. Ressaltam-se também outras possibilidades, como predisposição genética, disfunção imunológica e migração de células anômalas por meio da circulação.

Não informada

Após avaliação clínica adequada (história relatada pela mulher e exame físico), existem alguns exames complementares que poderão ser úteis (exames de sangue, ultra-som entre outros). Diante da suspeita de endometriose, pode-se acompanhar clinicamente a evolução do caso ou indicar cirurgia por videolaparoscopia (técnica que utiliza câmera e pinças, a fim de avaliar a cavidade abdominal por meio de incisões mínimas) para realização de biópsia e confirmação diagnóstica. A cirurgia também pode ser realizada com corte no abdome (laparotomia), semelhante ao de uma cesariana, porém, isso apresenta algumas desvantagens quanto à cicatrização, tempo de recuperação pós-operatória e estética. O tempo médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico é de aproximadamente sete anos e, por vezes, o diagnóstico é realizado durante investigação de infertilidade.

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Dor pélvica: dor durante a menstruação, no período da ovulação ou sem qualquer relação com o ciclo menstrual. Dor durante ou após o ato sexual também é freqüente. – Sangramento: fluxos menstruais intensos ou prolongados, sangramento entre as menstruações ou irregularidade menstrual. – Infertilidade. – Sintomas intestinais: diarréia, intestino preso, cólicas ou sangramentos, dificuldade ou dor ao evacuar. – Sintomas urinários: dor ou sangramento ao urinar e aumento da freqüência urinária. – Outros sintomas: dor lombar, cansaço extremo. Embora a maioria das mulheres com endometriose apresente alguns dos sintomas acima, outras não referem nenhuma queixa. Além disso, esses sintomas são constantemente encontrados em outras situações, as quais devem ser sempre pesquisadas. Assim, o atendimento médico – para esclarecimento do diagnóstico e acompanhamento – torna-se fundamental.

Deve ser decidido entre a mulher (ou o casal) e o seu médico, e devem-se levar em consideração alguns fatores, como: idade, intensidade dos sintomas, desejo de ter filhos e gravidade do caso. Dentre as possibilidades de tratamento, a maioria não é curativa. Visam a aliviar os sintomas de dor, reduzir as lesões, preservar ou restabelecer a fertilidade e evitar ou retardar a evolução da endometriose. – Tratamento medicamentoso: objetiva, fundamentalmente, a melhora dos sintomas. Quando se utiliza medicação hormonal, busca-se a parada da ovulação e, dependendo da medicação, a suspensão dos fluxos menstruais. Algumas substâncias podem ter efeitos colaterais importantes e sua indicação deve ser avaliada caso a caso. Dentre as medicações não-hormonais destacam-se os antiinflamatórios, utilizados nos períodos de dor. – Tratamento cirúrgico: pode ser conservador ou radical, sendo realizado preferencialmente por videolaparoscopia. A cirurgia conservadora busca remover ou destruir o tecido endometrial em localização anômala e deve considerar, também, a extensão e tipo de lesões. Embora não promova a cura, pode aliviar os sintomas de forma considerável. O tratamento radical pode ser necessário para mulheres com sintomas graves e sem melhora do quadro com as demais alternativas. Ele é indicado quando a mulher não deseja engravidar e consiste na retirada do útero, a qual será realizada com ou sem a remoção dos ovários. Quando os ovários são preservados, a chance de persistência ou retorno do problema existe e nova intervenção poderá ser necessária. Lesões extensas, profundamente aderidas às estruturas afetadas, assim como a presença de doença na bexiga ou no intestino, aumentam a complexidade da cirurgia realizada. – Tratamentos complementares: exercícios físicos aeróbicos são recomendados e apoio psicológico pode ser necessário. Não há estudos clínicos comprovando a eficácia de terapias alternativas, mas algumas mulheres têm referido melhora da saúde com uso de acupuntura, homeopatia, cuidados nutricionais (redução de cafeína, açúcar, álcool), além de técnicas de relaxamento e meditação (como ioga, por exemplo).

– Você pode consumir alimentos à base de soja. – O consumo de ômega-3 tem um efeito preventivo sobre a endometriose (e as mentruações dolorosas).

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