Enfisema Pulmonar – CID 10: J43

O enfisema pulmonar é uma doença crônica caracterizada pela destruição dos alvéolos pulmonares ? minúsculas bolsas localizadas nas terminações dos bronquíolos, nas quais se realiza a absorção de oxigênio e a eliminação de gás carbônico no sangue ? e pela obstrução da saída de ar dos pulmões. O tabagismo, a poluição atmosférica e determinadas poeiras tóxicas constituem os fatores comumente relacionados à doença. Para atingir os pulmões, o ar passa por um tubo que começa na garganta, chamado traquéia. Em sua base, a traquéia se divide em dois condutos menores, os dois brônquios, cada um desembocando em um dos pulmões. Os brônquios, por sua vez, subdividem-se em ramos com tamanho progressivamente menor. Os menores deles, existentes aos milhões nas extremidades dessa “árvore”, chamam-se bronquíolos. Cada bronquíolo termina numa minúscula bolsa, chamada alvéolo. E é exatamente aí, nos alvéolos, que ocorre a troca de gases: o sangue absorve oxigênio e elimina gás carbônico no ar que, agora, percorrerá o caminho inverso ? dos alvéolos, passando pelos brônquios e pela traquéia, até o nariz e a boca, e daí para fora do corpo.

Não informado

Existe uma série de exames capazes de detectar indícios do enfisema pulmonar e determinar sua gravidade. Entre os mais empregados, figuram: 1- a radiografia simples de tórax. Aplicada em geral nas fases iniciais da doença, detecta a ocorrência de sinais de hiperinsuflação pulmonar (?bolhas? no pulmão), ou seja, se já existe dificuldade para a saída de ar dos pulmões. A radiografia, contudo, raramente estabelece o diagnóstico definitivo. 2- gasometria arterial (coleta de sangue arterial, geralmente no punho, para exame dos níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue). Pacientes com níveis de oxigênio abaixo do normal e/ou gás carbônico acima da média necessitarão de tratamento mais agressivo. 3- prova ventilatória (série de manobras respiratórias realizadas pelo paciente junto a um aparelho apropriado. Serve para avaliar a reserva ventilatória, isto é, fornece uma idéia objetiva da falta de ar sofrida durante o teste). Em casos específicos, usa-se ainda a tomografia de alta resolução de tórax. A absoluta precisão de diagnóstico depende de biópsia: por meio de cirurgia, retira-se de um fragmento pulmonar para exame de alterações de tecido características da doença. Na prática, porém, este último método não se justifica, por envolver os riscos inerentes a qualquer intervenção cirúrgica. 4- tomografia de tórax tem utilidade nos casos em que se faz necessário um diagnóstico precoce e preciso de enfisema pulmonar, e apenas em pacientes selecionados para o estudo do tipo de enfisema. Não é, portanto, obrigatória para todas as situações.

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O primeiro deles é a tosse seca, irritante. Depois, seguem-se freqüentes infecções respiratórias e, finalmente, a falta de ar. Esta evolui de forma muito lenta. Nos primeiros estágios da doença, o enfisemático queixa-se de cansaço ao fazer grandes esforços físicos, como subir escadas apressadamente ou carregar peso. Nas fases mais avançadas, o fôlego falta até para executar tarefas corriqueiras como tomar banho, alimentar-se ou conversar. No início, há pouca tosse. O catarro, quando ocorre, vem em pequena quantidade e tem cor clara. A perda de peso, contudo, pode se mostrar significativa. Não raro, o paciente procura o médico apenas diante do primeiro problema provocado pela doença, geralmente uma infecção.

O tratamento passa por cinco objetivos primários: – Interromper o vício do tabagismo, se for o caso; – Aliviar a falta de ar; – Diminuir a tosse e o catarro, quando houver; – Evitar infecções respiratórias, capazes de piorar a qualidade de vida do doente. – Aumentar a capacidade do paciente em realizar exercícios. O tabagismo tem o efeito traiçoeiro de lesar progressivamente as estruturas pulmonares do fumante, sem que ele perceba a extensão do problema. Como a reserva funcional dos pulmões é elevada, os primeiros sintomas vão se manifestar somente depois dos 40 ou 50 anos de idade. O abandono do tabagismo constitui um ponto indispensável. Caso a pessoa mantenha o vício, ninguém pode prever com exatidão como a doença evoluirá. Mas uma coisa é certa: o cigarro faz com que todas as outras medidas terapêuticas tenham seu efeito diminuído. Medicamentos: – broncodilatadores (que dilatam os brônquios): facilitam a respiração; – drogas antiinflamatórias, para combater a infecção brônquica, ajudam a aliviar a falta de ar. Em ambas as medicações deve-se preferir sempre a via inalatória à via oral. A inalação ou a “bombinha” revelam-se mais eficazes que comprimidos ou xaropes, pois agem com maior rapidez e potência e apresentam menos efeitos colaterais, como tremores nas mãos e a palpitação. Ambos tendem a desaparecer com o uso continuado da medicação, e não contra-indicam seu uso. Cabe ao médico indicar as doses adequadas e o intervalo a ser respeitado entre elas. Os xaropes antitosse revelam-se pouco eficientes para enfisemáticos. Isso ocorre porque a tosse, no caso, deriva de algum outro fator inicial, como uma infecção ou inflamação. E, para pacientes com suspeita de infecção respiratória, normalmente prescrevem-se antibióticos. Aliada aos medicamentos, a fisioterapia específica num centro de reabilitação respiratória tem importância vital para o paciente enfisemático. Por meio de exercícios respiratórios com braços e pernas, a pessoa aprende a mobilizar melhor suas secreções respiratórias, ou seja, a fazer com que o catarro “se solte” dos brônquios e seja expectorado ou deglutido. Aprende também a realizar atividades cotidianas (vestir-se, tomar banho, comer) sem se cansar muito. Essa medida revela-se essencial para aqueles com baixos níveis de oxigênio no sangue: a fim de executar suas tarefas com segurança ao longo de 12 a 18 horas por dia, eles têm de otimizar a pequena reserva de ar de que dispõem. Em certos casos, dependendo do estágio e do nível de gravidade da doença, as pessoas com enfisema podem necessitar de oxigênio, inalado por meio de um cateter nasal, por vezes durante as 24 horas do dia. Alguns doentes com determinado tipo de enfisema vêm sendo submetidos a um tratamento por intervenção cirúrgica. Tratam-se de pacientes com quadro clínico específico, criteriosamente selecionados para participar desse programa. Os dados disponíveis na literatura médica, contudo, não permitem uma conclusão definitiva a respeito dessa modalidade de tratamento e seus resultados. O enfisema pulmonar não tem cura. No entanto, como em qualquer outro mal crônico, é possível interromper sua evolução. A obediência às orientações médicas pode permitir a recuperação da qualidade de vida.

Não fumar é a regra número um para se evitar a doença. Aos tabagistas, resta abandonar o quanto antes o hábito. Ficar longe de ambientes poluídos também ajuda, embora isso nem sempre dependa apenas da vontade de cada um. Existe uma diversidade de técnicas para interromper o tabagismo, entre elas: medicamentos, apoio psicológico individual ou em grupo, acupuntura e terapias substitutivas de nicotina com gomas de mascar ou adesivos transdérmicos. Independentemente do método, deixar o vício é extremamente difícil. No caso dos pacientes com enfisema, vale ficar atento para que o quadro não se torne agudo, o que geralmente é provocado por infecções. Em determinadas situações, portanto, os médicos tomam a medida preventiva de prescrever vacinas contra os microrganismos que mais atacam os enfisemáticos, como o pneumococo, o vírus da influenza e os hemófilos.

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