Enxaqueca – CID 10: G43

A enxaqueca é uma das mais freqüentes e das mais dolorosas formas de cefaléia. Afetando de 5 a 10% da população e predominante no sexo feminino ? em cada quatro vítimas do problema, três são mulheres ?, ela se caracteriza pelo aparecimento de fortes dores de cabeça recorrentes, muitas vezes associadas a outros sintomas que a antecedem ou a acompanham. Estas são as variedades principais: Enxaqueca sem aura ? crises, nunca precedidas de aura, são recorrentes e pode durar, cada uma, de 4 a 72 horas. Geralmente, a dor é latejante, de intensidade moderada ou severa e associada a náuseas, vômitos, fotofobia (aversão à luz) e fonofobia (aversão ao barulho intenso). Enxaqueca com aura ? apresenta sintomas (por exemplo: perturbações visuais ou distúrbios motores) decorrentes de disfunção no córtex ou no tronco cerebral, que se desenvolvem de modo gradual em 5 a 20 minutos. Segue-se então a dor de cabeça, com características semelhantes à da enxaqueca sem aura. Enxaqueca oftalmoplégica ? forma rara, na qual as crises de cefaléia se associam à paresia de um ou mais dos nervos responsáveis pelos movimentos dos olhos e, com isso, a sintomas decorrentes como a ptose palpebral (queda da pálpebra) e a diplopia (visão dupla). Enxaqueca retiniana ? também pouco comum, manifesta-se por escotoma ou amaurose monocular (perda da visão num dos olhos) associados à dor de cabeça e de duração de menos de uma hora. Síndrome periódica da infância ? seus sintomas não são usuais na enxaqueca. Precursor ou associado à crise de dor de cabeça, esse quadro apresenta, entre outros sintomas possíveis, dores abdominais recorrentes e vômitos cíclicos. ?Status? enxaquecoso ? trata-se de uma situação caracterizada pela permanência das manifestações clínicas por mais de 72 horas, apesar do tratamento. Infarto enxaquecoso ? como o status enxaquecoso, é uma complicação da crise. Nesse caso, os sintomas da aura persistem por uma semana ou mais, e as imagens feitas por tomografia computadorizada ou ressonância magnética revelam a presença de lesão encefálica provocada por isquemia (interrupção da circulação sanguínea em determinada parte do corpo causada pela constrição de artérias ou pelo bloqueio arterial por embolia).

Não é transmissível

A descrição dos sintomas pelo paciente, sobretudo quando as características clínicas são bem definidas, costuma ser suficiente para o estabelecimento do diagnóstico, dispensando exames subsidiários. No entanto, se a pessoa tiver uma história de crises com freqüência cada vez maior, dor unilateral fixa e sinais neurológicos específicos e duradouros, é essencial a investigação com exames como a tomografia computadorizada, por exemplo, para que o médico possa verificar a possibilidade de ocorrência de alguma lesão cerebral que esteja determinando quadro similar ao da enxaqueca.

A enxaqueca pode ou não ser precedida por uma série de indicações que ?anunciam? a proximidade da crise. Chamadas de ?sintomas premonitórios?, essas manifestações podem surgir algumas horas antes da instalação da crise de enxaqueca. Elas variam de pessoa para pessoa, mas as mais relatadas pelos pacientes são hiperatividade, depressão nervosa, irritabilidade, bocejos repetidos, dificuldade de memória, desejo de determinados alimentos e sonolência. Outras vezes, ocorre à chamada ?aura? da enxaqueca, um conjunto de sintomas que aparecem minutos antes da crise. Entre eles, os mais freqüentes são: perturbações visuais, como sensação de ziguezague luminoso, visão de pontos luminosos e até escotoma (?cegueira? em determinados pontos do campo de visão). Menos comuns na aura são distúrbios motores como paresia (paralisia incompleta), hemiparesia (paralisia de uma metade do corpo) ou hemiparestesia (formigamento em uma metade do corpo). Mais rara ainda é a afasia (perda momentânea da fala). Nas crianças, as crises de enxaqueca costumam ser menos intensas e mais benignas que nos adultos, mas nem por isso devem deixar de merecer atenção. Em alguns casos, antes da instalação da crise o pequeno paciente passa por uma fase que inclui manifestações como vômitos cíclicos, dores abdominais recorrentes, vertigens, distúrbios de sono, hiperatividade e dores do crescimento (dores articulares inespecíficas, que aparecem na criança, sem ter uma correlação com uma afecção reumática ou óssea).

O tratamento na fase aguda varia de acordo com a intensidade da crise. Se esta é leve, repouso em quarto escuro, analgésicos e sono podem ser suficientes. Recentemente surgiram medicamentos novos, denominados agonistas dos receptores 5HT 1D e 5 HT-1B, que também são capazes de favorecer o desaparecimento da crise aguda de enxaqueca. São os chamados triptans. Merece destaque o fato de que certos quadros psíquicos, como os de ansiedade e de depressão, podem agravar uma enxaqueca. Nesses casos, associadas ao tratamento medicamentoso, a psicoterapia e as práticas de relaxamento podem ser muito úteis.

O tratamento preventivo é indicado para pacientes que têm crises freqüentes ? mais de uma por mês ? ou que, embora mais espaçadas, são muito intensas e demoradas, a ponto de causar sérios problemas às atividades e ao estado psíquico do paciente. Vários medicamentos podem ser prescritos para a prevenção das crises. Alguns foram desenvolvidos visando especificamente à enxaqueca; outros, embora concebidos originalmente para finalidades diferentes, também têm se mostrado eficazes contra ela. Assim, o paciente não deve se surpreender se o médico lhe receitar um remédio cuja finalidade básica é prevenir crises de angina do peito ? por exemplo, um betabloqueador. Certos remédios contra depressão nervosa também têm revelado sua utilidade na prevenção da enxaqueca, como os tricíclicos e medicamentos empregados primariamente para tratar a epilepsia. Vale mencionar que alguns pacientes têm suas crises desencadeadas pela ingestão de determinadas substâncias, como chocolate, bebidas alcoólicas, certos queijos e assim por diante. Obviamente, eles devem evitá-los.

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