Epilepsia – Cid 10: G40

Sabe-se hoje, que a epilepsia é uma doença caracterizada por distúrbios neurológicos temporários e reversíveis, com manifestações motoras, sensitivas e/ou psíquicas; ocorrendo na forma de crises repetidas, chamadas comumente de ataques epilépticos. A crise convulsiva pode ser vista, para usar uma imagem simples, como um “mau funcionamento elétrico” do cérebro. Se as células nervosas se comunicassem entre si, emitindo estímulos elétricos numa voltagem de 110 volts, uma crise convulsiva aconteceria toda vez que uma célula ou um grupo delas, emitisse uma descarga de 220 volts. O local de onde partem essas descargas anormais e o posterior envolvimento de outras regiões do cérebro é que determinam o tipo de crise. Uma crise epiléptica, então, corresponde a uma atividade anormal numa parte do cérebro (chamada crise focal) ou pode se espalhar (crise generalizada) para todo o cérebro, sendo que essa generalização acarreta perda da consciência. A mais famosa das crises epilépticas é a crise tônico-clônica generalizada (CTCG) ou “grande mal”. A manifestação clínica dessa disfunção neuronal ocorre numa região de controle motor e se traduz por movimentos anormais (“corpo duro”). Além disso, ocorre um arroxeamento dos lábios e das pontas dos dedos, um aumento e acúmulo de saliva na boca, fazendo-o babar, contração da mandíbula com risco de morder a língua. Em geral, seus olhos ficam abertos, arregalados e sua respiração é difícil. Posteriormente, aparecem abalos musculares envolvendo todos os segmentos do corpo. Tudo isso pode ou não ser acompanhado de eliminação de urina e fezes. Após essa fase que dura aproximadamente cinco minutos, o doente vai, progressivamente, recuperando a consciência até retornar ao estado anterior de absoluta normalidade. Essa fase é chamada de pós-comicial. Quando as crises duram mais de 30 minutos sem que a pessoa acorde ou quando elas se repetem sucessivamente durante esse intervalo de tempo, dá-se o nome de Estado de Mal; o que corresponde a uma urgência médica, pois podem prejudicar o cérebro.

Não é transmissível

Além da história clínica do paciente, é importante a realização de exames complementares: tomografia computadorizada e ressonância magnética (RNM), que podem evidenciar a presença de malformações cerebrais congênitas ou adquiridas na infância, cujos sintomas (os ataques) só tiveram início na fase adulta. Outro exame relevante é o eletro encefalograma (EEG), que avalia a atividade elétrica cerebral e pode, em alguns casos, mostrar a localização em que estão ocorrendo às descargas elétricas anormais, permitindo ao médico a escolha da melhor terapêutica medicamentosa. Alguns centros dispõem de monitorização de EEG por circuito de televisão, recurso que permite a gravação de uma crise e sua repercussão no traçado do EEG. Isso é de grande utilidade no diagnóstico de pseudicrises (conversão de um problema psíquico na forma de um distúrbio epiléptico) O exame que avalia a perfusão cerebral por tomografia computadorizada (SPECT) e a tomografia por emissão de pósitron (PET) podem também auxiliar na localização dos focos epilépticos. O estudo do líquido da espinha (liquor) está indicado quando se suspeita de crises epilépticas secundárias e/ou associadas a processos infecciosos das meninges (meningite) e/ou do cérebro (encefalite).

Os sintomas da epilepsia variam de acordo com os neurônios que estão em estado de hiperexcitação. Os resultados podem ser de confusão temporária, ausência, movimentos musculares descoordenados e completa perda da consciência. Quando as crises ocorrem apenas em parte do cérebro, elas são chamadas de crises convulsivas parciais e podem ser divididas em: – Crises convulsivas parciais simples: nesse caso, não há perda de consciência do paciente. Entretanto, este pode relatar mudanças nas emoções ou em questões sensoriais, como paladar, olfato, visão e audição. Essa crise também pode resultar em movimentos involuntários dos membros e vertigens. – Crises convulsivas parciais complexas: nesses casos, há perda da consciência e o paciente pode apresentar movimentos não propositais, como andar em círculos e mastigar intensamente. Quando a hiperexcitação neuronal não se atém apenas a uma determinada região cerebral, há o que chamamos de crises convulsivas generalizadas e podem ser classificadas com – Crises mioclônicas: é caracterizada por movimentos dos braços e pernas. – Crises de ausência (Petit Mal): causa uma breve perda da consciência com súbito movimento do corpo. – Crises atônicas: são caracterizadas por quedas e perda do tônus muscular do corpo. – Crises tônico-clônicas (Grande Mal): é o tipo mais intenso de crise convulsiva generalizada. Nela, o paciente apresenta perda de consciência, enrijecimento dos músculos, movimentos descoordenados e perda do controle da bexiga.

O tratamento baseia-se no uso de medicamentos anticonvulsivantes sendo que, o ideal, é o uso de uma só droga ou monoterapia. Isso porque são substâncias que interagem entre si e quanto maior o número de drogas (politerapia) maior o número de interações e possíveis efeitos colaterais. O médico opta por uma droga em função do tipo de crise e características clínica e psíquicas do paciente. A resposta terapêutica, assim como os efeitos colaterais guiarão as demais condutas no tratamento. Em alguns casos, pode haver necessidade de associação de mais de um medicamento (politerapia). Com freqüência a ser estipulada pelo médico e de acordo com a necessidade, serão solicitados exames de sangue para avaliação dão funcionamento renal, hepático, hemograma, assim como concentração sanguínea dos anticonvulsivantes (chamada “dosagem sérica”). Transcorridos de dois a cinco anos sem crises, a medicação pode ser, gradualmente reduzida, até sua suspensão total, caso não ocorra nova crise. Destes pacientes, 80% a 85% ficará sem crises e sem medicação; contudo, 15% a 20% apresentará recorrência de crises, necessitando reintrodução da medicação. A recorrência de nova crise é muito pequena, caso o doente esteja sem medicação há mais de dois anos. Numa parcela pequena de pacientes, o controle medicamentoso das crises permanece insatisfatório, com ataques frequentes, que interferem bastante na qualidade de vida e risco de morte. Nessas situações, pode ser indicado o tratamento cirúrgico. Mas isso não garante que o doente ficará livre deles ou que poderá deixar para sempre de tomar os medicamentos.

É importante que o paciente saiba quais os fatores desencadeiam as crises convulsivas e faça o possível para evitá-los. Para isso, tente mudar hábitos de vida com – consumo excessivo de álcool; – sobrecarga e fadiga, com noites mal dormidas; – estimulação luminosa intensa: televisão, videogames e computadores, festas noturnas. Para as crianças pequenas, é essencial administrar antipiréticos (medicamentos que diminuem a febre) quando a temperatura corporal estiver acima de 38,5°C. Uma temperatura acima pode provocar convulsões em crianças.

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