Esquizofrenia – Cid 10: F20

É um transtorno psiquiátrico caracterizado pelo surgimento de sintomas psicóticos (delírios e alucinações) na fase aguda da doença. Estes geralmente evoluem para um estado crônico, marcado por sintomas como apatia, acompanhados ou não por novos episódios de delírios e alucinações.

Não é transmissível

O diagnóstico da esquizofrenia continua tendo como base a sintomatologia clínica apresentada pelo paciente e, em parte, sua evolução ao longo do tempo. Vários sistemas diagnósticos têm sido propostos. Os dois mais utilizados, porém, são os da Associação Americana de Psiquiatria da Organização Mundial de Saúde. Uma série de doenças (neurológicas, infecciosas, metabólicas), medicamentos ou drogas podem propiciar o quadro agudo de sintomas psicóticos. Faz parte da avaliação clínica inicial do paciente, portanto, a investigação de possíveis fatores orgânicos que possam contribuir para o aparecimento de delírios e alucinações.


Não há sintomas específicos da esquizofrenia. A sintomatologia tende a ser bastante variável, mudando de acordo com o passar do tempo e o tratamento medicamentoso. Fase aguda Delírio esquizofrênico – é bizarro, implausível e incompreensível. O paciente mantém sua crença com total convicção e a vive como verdade evidente, à qual atribui grande significado pessoal. Apesar de evidência ou argumentação lógica em contrário, o indivíduo delirante não modifica seu ponto de vista, mesmo quando o conteúdo de suas idéias é claramente inconsistente. Delírio persecutório – constitui o tipo mais freqüente de delírio e está geralmente associado à idéia de que pessoas ou organizações estão empenhadas em prejudicar, ferir, envenenar, matar, arruinar a reputação ou enlouquecer o paciente. Delírio de auto-referência – relacionado à idéia de que objetos, acontecimentos e pessoas têm um significado individual e especial para o paciente. Este acredita, por exemplo, que um artigo de jornal ou um comentário ouvido na televisão foram dirigidos especificamente a ele. Delírio de grandeza – também chamado de delírio expansivo. O paciente se atribui importância, poder, conhecimento, habilidades, riqueza ou identidade que estão longe de corresponder à realidade. Delírio de ciúmes – idéia de que o cônjuge ou parceiro é infiel. O indivíduo segue os passos do outro, examina suas roupas e pertences à procura de provas de infidelidade e não se satisfaz caso não encontre indicativos da imaginada traição. Delírio erótico – a mulher acredita ser amada por um homem (ou vice-versa) geralmente inacessível, de condição social mais elevada e com quem muitas vezes nem sequer teve contato direto. Delírio hipocondríaco – convicção infundada, apesar de prova médica em contrário, de que se está fisicamente doente. Alucinações – isoladas ou em associação com delírios, são sintomas freqüentes na fase aguda da esquizofrenia. Em geral, o paciente ouve vozes que o xingam, falam a seu respeito ou lhe dão ordens. Assim como os delírios, as alucinações auditivas costumam ocupar quase integralmente a atenção do indivíduo que, em alguns casos, age em função delas. Alucinações visuais, táteis, olfativas, gustativas e corporais também podem surgir, embora se revelem menos freqüentes. Distúrbios do pensamento – o fenômeno mais comum é o da incoerência: há perda da associação lógica dos elementos do discurso que, em casos extremos, se torna completamente incompreensível. Mudanças de tópico para tópico ocorrem sem motivo aparente, levando à perda de objetividade das idéias. Tais fenômenos são freqüentemente chamados de “desagregação do pensamento” ou “descarrilamento”. Ainda na esfera do pensamento podem surgir: pressão ideomotora (o discurso é acelerado, em voz alta e repleto de redundâncias); neologismos, que são palavras criadas pelo indivíduo, de significado particular e que apenas ele entende; e uso idiossincrático de palavras, por meio do qual termos gramaticalmente corretos são empregados com sentido errôneo e bizarro (o paciente pode falar em “cinemática”, por exemplo, como sinônimo da capacidade de se comunicar corretamente). Distúrbios afetivos – entre eles, o mais típico na fase aguda da esquizofrenia é o da incongruência afetiva, que se caracteriza por idéias acompanhadas de conteúdos afetivos incompatíveis e muitas vezes antagônicos a elas – por exemplo, o indivíduo sorri ao contar sobre sua revolta por ter sido trazido à força ao hospital. Risos sem motivo e mudanças bruscas de um estado afetivo para outro também podem ocorrer. Fase crônica O sintoma mais característico é o embotamento afetivo: a expressão de afetos é ausente ou bastante diminuída, a pessoa parece indiferente, apática, inexpressiva e não responde emocionalmente aos conteúdos propostos pelo entrevistador. Sintomas crônicos também ocorrem na esfera do pensamento. Por haver pobreza do discurso (o paciente fala pouco) ou, ainda, pobreza do conteúdo do discurso (o paciente fala normalmente ou até em excesso, mas de forma vaga, dispersiva e pouco informativa). São ainda característicos do estado crônico o empobrecimento conativo (perda dos impulsos para a ação, inatividade), a desatenção e o isolamento social. Vale citar que a divisão dos sintomas esquizofrênicos em agudos e crônicos é algo artificial. Sintomas crônicos, sobretudo o embotamento afetivo, podem surgir desde o início da doença, enquanto sintomas típicos da fase aguda podem permanecer cronicamente ativos em alguns casos, mesmo mediante a aplicação do tratamento medicamentoso adequado.

Antes de iniciar o tratamento, a família do paciente deve certificar-se de que entendeu os objetivos e riscos associados ao uso da medicação, depois de ter discutido amplamente as alternativas terapêuticas com o médico. Isso é importante para garantir um relacionamento de confiança entre ambas às partes, além de contribuir para melhorar a adesão ao tratamento. Existe atualmente uma série de medicamentos de comprovada eficácia no tratamento dos sintomas esquizofrênicos. Com exceção da clozapina, que parece ser a mais eficaz das drogas, todos os antipsicóticos alcançam resultados semelhantes. A grande diferença está na potência de cada medicação – drogas mais potentes produzem mais efeitos colaterais neurológicos (por exemplo, parkinsonismo medicamentoso), enquanto as menos potentes mostram-se mais sedativas. Além da já citada clozapina, o médico pode escolher drogas como clorpromazina, tioridazina, trifluoperazina, flufenazina, tiotixeno, haloperidol, pimozide e risperidona. Além do efeito terapêutico, os antipsicóticos também costumam produzir grande variedade de efeitos colaterais. A natureza e a intensidade desses efeitos em cada classe de antipsicóticos dependem da potência bloqueadora dos diferentes tipos de receptores no sistema nervoso central. Drogas de alta potência causam em geral mais efeitos motores e menos sedação quando comparadas com neurolépticos menos potentes. Os antipsicóticos são eficazes no controle de sintomas característicos da fase aguda, como delírios, alucinações e agitação psicomotora. Sintomas crônicos tendem a ser resistentes ao tratamento medicamentoso com antipsicóticos clássicos, mas parecem responder relativamente bem à clozapina e, possivelmente, à risperidona. Portanto, a escolha da droga a ser utilizada depende da história pregressa de uso de medicamentos por parte do paciente e do perfil de efeitos colaterais associados. Estes podem ser agudos ou crônicos. O paciente deve comunicar quaisquer efeitos observados ao médico, pois na maior parte das vezes há como tratá-los. Tratamento alternativo Estratégias não-medicamentosas são também empregadas no tratamento de pacientes esquizofrênicos. Terapias de base cognitiva parecem ser úteis para modificar crenças patológicas e há indícios de que também podem contribuir para melhorar a adesão do paciente ao tratamento. A orientação familiar – no sentido de reduzir os níveis de emoção expressa na interação com o paciente – tem se demonstrado eficaz para diminuir as taxas de recaída. O uso de psicoterapias de base analítica para o tratamento de pacientes psicóticos ainda não comprovou plenamente sua eficiência.


As causas da esquizofrenia ainda são mal compreendidas. Assim, qualquer estratégia traçada com o objetivo de prevenir a doença tende a se revelar bastante limitada. Algumas evidências, porém, sugerem que a incidência da doença vem diminuindo lentamente ao longo das últimas décadas, o que pode resultar da melhoria das condições gerais de saúde da população – por exemplo, hoje há menos complicações derivadas de infecções virais e as condições de parto evoluíram consideravelmente nos últimos tempos

3 Responses

  1. JUARES SANTOS
  2. NILO DA SILVA
  3. Ana Cristina

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