Estrongiloidíase – CID 10: B78

Doença parasitaria intestinal, freqüentemente assintomática. As formas sintomáticas apresentam inicialmente alterações cutâneas, secundarias a penetração das larvas na pele e caracterizadas por lesões urticariformes ou maculopapulares ou por lesão serpiginosa ou linear pruriginosa migratória (larva currens). A migração da larva pode causar manifestações pulmonares, como tosse seca, dispnéia ou broncoespasmo e edema pulmonar (síndrome de Loefler). As manifestações intestinais podem ser de media ou grande intensidade, com diarréia, dor abdominal e flatulência, acompanhadas ou não de anorexia, náusea, vômitos e dor epigástrica, que pode simular quadro de ulcera péptica. Os quadros de Estrongiloidiase grave (hiperinfeccao) se caracterizam por febre, dor abdominal, anorexia, náuseas, vômitos, diarréias profusas, manifestações pulmonares (tosse, dispnéia e broncoespasmos e, raramente, hemoptise e angustia respiratória). Na radiografia de tórax, pode-se observar ate cavitação. Podem, ainda, ocorrer infecção secundaria como meningite, endocardite, sepse e peritonite, mais freqüentemente por enterobacterias e fungos. Esses quadros, quando não tratados conveniente e precocemente, podem atingir letalidade de 85%.

As larvas infectantes (filarioides), presentes no meio externo, penetram através da pele, no homem, chegando aos pulmões, traquéia e epiglote, atingindo o trato digestivo, via descendente, onde se desenvolve o verme adulto. A fêmea parasita e ovovivípara e libera ovos larvados que eclodem ainda no intestino, liberando larvas rabditoides (nao-infectantes), que saem pelas fezes e podem evoluir, no meio externo, para a forma infectante ou para adultos de vida livre, que, ao se acasalarem, geram novas formas infectantes. Pode ocorrer, também, auto-endoinfeccao, quando as larvas passam a ser filarioides, no interior do próprio hospedeiro, sem passar por fase evolutiva no meio externo. Auto-exoinfeccao ocorre quando as larvas filarioides se localizam na região anal ou perianal, onde novamente penetram no organismo do hospedeiro.

Parasitológico de fezes, escarro ou lavado gástrico, por meio do Baermann-Moraes. Em casos graves, podem ser utilizados testes imunológicos, como Elisa, hemaglutinacao indireta, imuno-fluorescencia indireta. O estudo radiológico do intestino delgado auxilia o diagnostico.

Veja também

Lesões cutâneas: Geralmente discretas, podendo haver pequenas alergias. A pele pode apresentar manchas vermelhas, coceira e inchaço. Estes sintomas tendem a desaparecer espontaneamente dentro de 1 a 2 semanas. Lesões pulmonares: Quando as larvas perfuram os alvéolos ocorrem pequenas hemorragias, alterações inflamatórias, que podem complicar com o aparecimento de fenômenos alérgicos e invasão bacteriana secundária. No intestino, as fêmeas partenogenéticas ao nível da mucosa, possuem uma ação mecânica e irritativa capaz de provocar enterite. Assim a mucosa parasitada contém uma inflamação catarral e com a presença de pontos ulcerados. Essas úlceras podem complicar-se por invasão bacteriana, dando extensas áreas necróticas. Além de tudo isto, o paciente apresenta anemia, diarréia, emagrecimento, desidratação e irritabilidade, que são agravados em caso de subnutrição.

Cambendazol, 5mg/kg, em dose única, via oral; Tiabendazol, via oral, em vários esquemas terapêuticos: a) 25mg/kg/dia, durante cinco a sete dias, esquema muito utilizado; b) 50mg/kg/dia, em dose única, à noite. A dose máxima recomendada e de 0,3g; c) 10mg/dia, durante 30 dias. Esse esquema e recomendado para situações de autoendoinfeccao e deficiência da imunidade celular; Albendazol, 40mg/ dia, durante três dias, não recomendado em gestantes; Ivermectina, dose única, VO, obedecendo à escala de peso corporal (15 a 24kg: 1/2 comprimido; 25 a 35kg: 1 comprimido; 36 a 50kg: 1 . comprimidos; 51 a 65kg: 2 comprimidos; 65 a 79kg: 21/2 comprimidos; 80kg: 3 comprimidos ou 200mg/kg).

Principais recomendações para se prevenir dos riscos de infecção compreendem: Medidas gerais: • Evitar construir fossas próximas a fontes de água. • Evitar fontes de água que possam ser contaminadas com excrementos de animais. • Manter os sanitários sempre limpos. • No caso de verminose e especialmente a Estrongiloidíase, sempre é correto lembrar que aquela areia de parquinhos e áreas de lazer de condomínios, periodicamente deveriam ser trocada, pois as larvas desses vermes podem permanecer durante muito tempo no solo, só esperando um hospedeiro humano descalço, principalmente crianças, para completar o seu ciclo evolutivo. Medidas individuais: • Não defecar nem jogar fezes no chão. • Não andar descalço. • Lavar bem as roupas íntimas e de cama. • Ter cuidados básicos de higiene.

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