Febre Amarela – CID 10: A95

Doença febril aguda, de curta duração (no maximo 12 dias) e gravidade variável. Apresenta-se como infecções subclinicas e/ ou leves, ate formas graves, fatais. O quadro típico tem evolução bifásica (período de infecção e de intoxicação), com inicio abrupto, febre alta e pulso lento em relação à temperatura (sinal de Faget), calafrios, cefaléia intensa, mialgias, prostração, náuseas e vômitos, durando cerca de três dias, apos os quais se observa remissão da febre e melhora dos sintomas, o que pode durar algumas horas ou, no maximo, dois dias. O caso pode evoluir para cura ou para a forma grave (período de intoxicação), caracterizada pelo aumento da febre, diarréia e reaparecimento de vômitos com aspecto de borra de café, instalação de insuficiência hepática e renal. Surgem também icterícia, manifestações hemorrágicas (hematemese, melena, epistaxe, hematuria, sangramento vestibular e da cavidade oral, entre outras), oliguria, albuminuria e prostração intensa, alem de comprometimento do sensório, que se expressa mediante obnubilacao mental e torpor com evolução para coma. Epidemiologicamente, a doença pode se apresentar sob duas formas distintas: Febre Amarela Urbana (FAU) e Febre Amarela Silvestre (FAS), diferenciando- se uma da outra pela localização geográfica, espécie vetorial e tipo de hospedeiro.

Na Febre Amarela Silvestre (FAS), o ciclo de transmissão se processa entre o macaco infectado –> mosquito silvestre –> macaco sadio. Na Febre Amarela Urbana (FAU), a transmissão se faz através da picada do mosquito Aedes aegypti, no ciclo: homem infectado –> Aedes aegypti –> homem sadio.

E clinico, epidemiológico e laboratorial. O diagnostico laboratorial e feito por isolamento do vírus de amostras de sangue ou de tecido hepático, por detecção de antígeno em tecido (imunofluorescencia e imunoperoxidase) ou por sorologia. Esses últimos são métodos complementares aos primeiros e as técnicas utilizadas são: captura de IgM (MAC-ELISA), inibição de hemaglutinacao (IH), fixação do complemento (FC) e neutralização (TN). A exceção do MAC-ELISA, todos os outros testes necessitam de duas amostras pareadas de sangue, considerando-se positivos os resultados que apresentam aumento dos títulos de anticorpos de, no mínimo, quatro vezes, entre a amostra colhida no inicio da fase aguda comparada com a da convalescença da enfermidade (intervalo entre as coletas de 14 a 21 dias). O MAC-ELISA, na maioria dos casos, permite o diagnostico presuntivo com uma única amostra de soro, pois e bastante sensível para detecção de IgM, dispensando o pareamento do soro. Técnicas de biologia molecular para detecção de antígenos virais e/ou acido nucléico viral (reação em cadeia de polimerase (PCR), imunofluorescencia, imunohistoquimica e hibridização in situ), embora não utilizadas na rotina, são de grande utilidade. Ha alterações das aminotransferases, que podem atingir níveis acima de 2.000 unidades/mm3, sendo a AST (TGO) mais elevada que a ALT (TGP). As bilirrubinas também se elevam nos casos graves, especialmente a fração direta, atingindo níveis acima de 10mg/mm3.

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Muitas pessoas com o vírus da febre amarela não apresentam manifestações da doença ou, se apresentam, são muito discretas. Os sintomas, em geral, surgem até seis dias após a picada pelo mosquito infectado. A pessoa pode apresentar febre alta (maior que 37,8ºC) e de início súbito, mal estar, dor de cabeça, dor muscular e calafrios. Podem surgir também náuseas, vômitos e diarréia. Grande parte dos pacientes melhora após dois a quatro dias e torna-se imune a novos episódios da doença. Muitos pacientes, inclusive, podem acreditar que os sintomas são de um estado gripal e nem souberam que tiveram a doença. A forma grave da febre amarela surge um ou dois dias depois de um período de aparente melhora. É resultado da relação entre estado do sistema imunológico do paciente e ação do vírus; por isso alguns pacientes evoluem para melhora e auto-imunização enquanto outros desenvolvem a forma grave. Nela, entre 20% e 50% dos pacientes podem evoluir para o óbito. Nessa fase, reaparecem a febre, a dor abdominal, o vômito e a diarréia. Ocorrem sangramentos nas gengivas e pelo nariz e as fezes e o vômito podem ser escuros como borra de café. Pode haver comprometimento do fígado e o volume de urina diminui até a ausência total, por mau funcionamento dos rins. Os sintomas iniciais da febre amarela são os mesmos da dengue e da leptospirose. Por isso é importante buscar atendimento médico o mais rápido possível aos primeiros sinais, para que seja feito o diagnóstico diferencial, por meio da coleta de sangue e exame sorológico ? principalmente o isolamento do vírus em cultura. Assim, serão tomadas as medidas adequadas para o tratamento.

Não existe tratamento antiviral especifico. E apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso, com reposição de liquidos e das perdas sanguíneas, quando indicada. Os quadros clássicos e/ou fulminantes exigem atendimento em unidade de terapia intensiva (UTI), o que reduz as complicações e a letalidade.

A única forma de prevenção é a vacinação. A vacina contra a febre amarela é segura e tem validade de 10 anos. Ela integra o calendário de vacinação brasileiro e está disponível nos postos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). A vacinação está indicada: 1-. em áreas nacionais de risco para a doença (zona rural das regiões Norte e Centro Oeste; no Maranhão, em parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). No Estado de São Paulo especial atenção deve ser dada aos municípios ribeirinhos ao Rio Grande e ao Rio Paraná (fronteira com Minas Gerais e Mato Grosso do Sul). Nessas regiões, a vacinação é feita de forma rotineira. 2-. onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus em macacos. Com a chegada das férias, muitos turistas escolhem como destinos locais para a prática do ecoturismo, encontrados em abundância em todo o território nacional. Em boa parte do Brasil, esses locais se encontram em áreas de risco para a febre amarela silvestre, o que exige cuidados dos viajantes. Para viagens internacionais é necessário o registro da vacina contra Febre Amarela no Certificado Internacional de Vacinação. Para uma viagem tranqüila, o Ministério da Saúde recomenda aos turistas a vacinação contra a doença 10 dias antes de chegar ao local escolhido. Essa antecedência é essencial, pois é o tempo necessário para o organismo humano criar proteção contra a doença. Portanto, se você vai viajar para alguma das áreas onde pode haver transmissão de febre amarela, tome a vacina em um posto de saúde e viaje tranqüilo.

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