Febre Maculosa Brasileira – CID 10: A77.0

Doença infecciosa febril aguda, de gravidade variável, podendo cursar desde formas leves e atípicas ate formas graves com elevada taxa de letalidade. O inicio, geralmente, e abrupto e os sintomas são inicialmente inespecíficos, incluindo: febre elevada, cefaléia, mialgia intensa, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos. Em geral, entre o segundo e o sexto dia da doença, surge o exantema maculopapular, predominantemente nas regiões palmar e plantar, que pode evoluir para petequias, equimoses e hemorragias. O exantema e um importante e fundamental achado clinico, porem sua presença não deve ser considerada a única condição para fortalecer a suspeita diagnostica, pois pode estar ausente, o que dificulta e retarda o diagnostico e tratamento, determinando maior numero de óbitos. Nos casos graves, e comum a presença de edema de membros inferiores, hepatoesplenomegalia, manifestações gastrintestinais, como náuseas, vômitos, dor abdominal e diarréia, manifestações renais com oliguria e insuficiência renal aguda, manifestações pulmonares com tosse, edema pulmonar, pneumonia intersticial e derrame pleural, manifestações neurológicas e hemorrágicas, como petequias, sangramento muco-cutaneo, digestivo e pulmonar. Pacientes não tratados precocemente podem evoluir para formas graves. Cerca de 80% desses, se não diagnosticados e tratados a tempo, evoluem para óbito.

A Febre Maculosa Brasileira e, geralmente, adquirida pela picada de carrapato infectado e a transmissão ocorre quando o artrópode permanece aderido ao hospedeiro por, no mínimo, de 4 a 6 horas. A doença não se transmite de pessoa a pessoa.

Pode ser de difícil o diagnostico da Febre Maculosa Brasileira, sobretudo em sua fase inicial, mesmo por profissionais bastante experientes. Dados clínicos e epidemiológicos associados a achados laboratoriais reforçam o diagnostico da doença. A cultura com isolamento da Rickettsia e o método diagnostico ideal. A reação sorológica de imunofluorescencia indireta (RIFI), utilizando antígenos específicos para R. rickettsii, e o mais utilizada. Deve ser considerado como confirmatório um aumento de quatro vezes no titulo em uma segunda amostra colhida, pelo menos, dois semanas apos a primeira. Outros métodos utilizados são a reação em cadeia da polimerase (PCR) e a imunohistoquimica.

O homem, após receber a picada do carrapato infectado, pode demorar de 2 a 14 dias (em média sete dias), para apresentar os primeiros sintomas: -. febre súbita, de moderada a alta, que dura cerca três semanas, acompanhada de dor de cabeça, calafrios e vermelhidão nos olhos. -. por volta do 4º dia, podem surgir exantemas (erupções cutâneas características de doenças febris, como o sarampo, por exemplo) próximos dos punhos e tornozelos, palmas das mãos, solas dos pés, tronco, rosto e pescoço. Também podem surgir petéquias (pequeninas manchas vermelhas, devido a hemorragias). A morte é pouco comum quando se aplica o tratamento precocemente.

Nos casos suspeitos, o inicio imediato e precoce da antibioticoterapia, antes mesmo da confirmação laboratorial, tem assegurado maior recuperação dos pacientes. Em adultos, Cloranfenicol, 50mg/kg/dia, via oral, dividida em quatro tomadas, ou Doxiciclina, 100mg, de 12/12 horas, via oral. Manter o esquema ate três dias apos o termino da febre. Nos casos graves, a droga de escolha e o Clorafenicol, 500mg, EV, de 6/6 horas. Em crianças, usar Clorafenicol, não ultrapassando 1g/dia, durante o mesmo período. A Doxiciclina pode ser usada em crianças acima dos oito anos, na dose de 2 a 4mg/kg/dia, maximo de 200mg/dia, em dois tomadas, de 12/12 horas.

Evitar caminhar em áreas sabidamente infestadas por carrapatos; se isso não for possível, vestir-se de modo a que braços, pernas e pés estejam protegidos. Utilizar roupas claras para rápida visualização dos carrapatos. Não esmagar os carrapatos com as unhas, para evitar que bactérias invadam o organismo através de pequenas lesões que possam existir. Manter os gramados e pastagens aparadas. Banhar animais domésticos com carrapaticidas, principalmente aqueles de hábitos urbanos que tenham estado em regiões de pasto.

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