Febre Tifoide – CID 10: A01.0

Doença bacteriana aguda, cujo quadro clinico apresenta se geralmente com febre alta, cefaléia, mal-estar geral, anorexia, bradicardia relativa (dissociação pulso-temperatura, conhecida como sinal de Faget), esplenomegalia, manchas rosadas no tronco (roseola tifica), obstipacao intestinal ou diarréia e tosse seca. Pode haver comprometimento do sistema nervoso central. A administração de antibioticoterapia mascara o quadro clinico, impedindo o diagnostico precoce e etiológico. A Febre Tifóide tem distribuição mundial e esta associada a baixos níveis socioeconômicos, principalmente a precárias condições de saneamento.

Doença de veiculação hídrica e alimentar, cuja transmissão pode ocorrer pela forma direta, pelo contato com as mãos do doente ou portador, ou, principalmente, de forma indireta, através de água e alimentos contaminados com fezes ou urina de paciente ou portador. A contaminação de alimentos, geralmente, se da pela manipulação por portadores ou pacientes oligossintomaticos (com manifestações clinicas discretas), razão pela qual a febre tifóide e também conhecida como a doença das mãos sujas. Os legumes irrigados com água contaminada, produtos do mar mal cozidos ou crus (moluscos e crustáceos), leite e derivados não pasteurizados, produtos congelados e enlatados podem veicular salmonelas. A contaminação de alimentos, geralmente, e feita por portadores ou pacientes oligossintomaticos.

Clinico-epidemiologico e laboratorial. Esse ultimo baseia-se no isolamento e identificação do agente etiológico, nas diferentes fases clinicas, a partir do sangue (hemocultura), fezes (coprocultura), aspirado medular (mielocultura) e urina (urocultura). A Hemocultura apresenta maior positividade nas duas semanas iniciais da doença, devendo o sangue ser colhido, de preferência, antes que o paciente inicie a antibioticoterapia. Recomenda-se a coleta de dois a três amostras, com intervalos de 30 minutos. A Coprocultura e indicada a partir da segunda ate a quinta semanas da doença, assim como no estagio de convalescença e na pesquisa de portadores. No estado de convalescença, e indicada à coleta de amostras com intervalos de 24 horas. No caso de portadores assintomáticos, particularmente aqueles envolvidos na manipulação de alimentos, recomenda-se a coleta de sete amostras seqüenciadas. A Mielocultura possui elevada sensibilidade ( 90%) e a antibioticoterapia previa não interfere no seu resultado. As desvantagens são o desconforto para o doente e a necessidade de pessoal medico com treinamento especifico para o procedimento de punção medular. A Urocultura possui valor diagnostico limitado e a positividade máxima ocorre na terceira semana de doença. A Reação de Widal, embora ainda muito utilizada no Brasil, carece de padronização, possibilitando diferentes resultados, dependendo das cepas de Salmonella envolvidas e a possível interferência de vacinação previa, não sendo suficiente para confirmar ou descartar um caso.

Os sinais e sintomas são: febre alta, dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite, bradicardia relativa, esplenomegalia, manchas rosadas no tronco do corpo, diarréia e tosse seca.

Preferencialmente ambulatorial. Cloranfenicol, na dose, para adultos, de 50mg/kg/dia, dividida em quatro tomadas (6/6 horas), ate a dose máxima de 4g/dia; crianças: 50mg/kg/dia, dividida em quatro tomadas (6/6 horas), ate a dose máxima de 3g/dia. Preferencialmente, as doses são administradas por via oral. Quando os doentes se tornam afebris, o que em geral ocorre a partir do quinto dia de tratamento, as doses do cloranfenicol devem ser reduzidas para 2g/dia (adultos) e 30mg/kg/dia (crianças). O tratamento deve ser mantido durante 15 dias apos o ultimo dia de febre, perfazendo um maximo de 21 dias. Nos doentes com impossibilidade de administração por via oral, poderá ser utilizada a via parenteral. Efeitos colaterais ? ha possibilidade de toxicidade medular, que pode se manifestar sob a forma de anemia (dose dependente) ou mesmo anemia aplastica (reação idiossincrasica) a qual, e rara.

O saneamento básico, o preparo adequado dos alimentos e a higiene pessoal são as principais medidas de prevenção. Em se tratando de alimentos, observar os seguintes aspectos: ? Consumir água tratada; ? Selecionar alimentos frescos com boa aparência, e antes do consumo os mesmos devem ser lavados e desinfetados; ? Para desinfecção, os alimentos crus como frutas, legumes e verduras devem ser mergulhados durante 30 minutos em uma solução preparada com uma colher de sopa de hipoclorito de sódio (água sanitária) a 2,5% para cada litro de água tratada; ? Consumir leite e derivados pasteurizados; ? Não utilizar alimentos depois da data de vencimento; ? Lavar as mãos regularmente: antes, durante e após a preparação dos alimentos; ao manusear objetos sujos; depois de tocar em animais; depois de ir ao banheiro ou após a troca de fraldas; antes da amamentação; ? Lavar e desinfetar todas as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos; ? Proteger os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guarde os alimentos em recipientes fechados). A vacina atualmente disponível não possui um alto poder imunogênico e a imunidade é de curta duração, sendo indicada apenas em casos específicos como para pessoas que ingressem em zonas de alta endemicidade, como por ocasião de viagem.

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