Filaríase por Wuchereria bancrofti – CID 10: B74.0

A Filariose causada pela Wuchereria bancrofti se manifesta clinicamente no homem sob varias formas. Existem indivíduos com esta parasitose que nunca desenvolvem sintomas, havendo ou não detecção de microfilarias no sangue periférico; outros podem apresentar febre recorrente aguda, astenia, mialgias, fotofobia, quadros urticariformes, pericardite, cefaléia, linfadenite e linfangite retrograda, com ou sem microfilaremia. Os casos crônicos mais graves são de indivíduos que apresentam hidrocele, quiluria e elefantíase de membros, mamas e órgãos genitais. Nesses casos, em geral, a densidade de microfilaria no sangue e muito pequena ou mesmo não detectável. Descrevem-se, ainda, casos de eosinofilia pulmonar tropical, síndrome que se manifesta por crises paroxísticas de asma, com pneumonia intersticial crônica e ligeira febre recorrente, cujo leucograma registra importante eosinofilia. Nesses casos, o exame dos tecidos mostra microfilarias em processo de degeneração, não encontradas no sangue periférico (filariase oculta).

Pela picada dos mosquitos transmissores com larvas infectantes (L3). No Brasil, o Culex quinquefasciatus e o principal transmissor. Em geral, as microfilarias tem periodicidade para circular no sangue periférico, sendo mais detectadas a noite, entre as 23h e 1h. Não se transmite de pessoa a pessoa.

O teste de rotina e feito pela pesquisa da microfilaria no sangue periférico, pelo método da gota espessa (periodicidade (noturna, das 23h às 1h). Pode-se, ainda, pesquisar microfilaria no liquido ascitico, pleural, sinovial, cefalorraquidiano, urina, expectoração e gânglios, sendo, entretanto, restrito a casos específicos. Pela presença do verme adulto no sistema linfático, genitália ou em outras lesões (essa forma de diagnostico não e realizada como rotina). Sorologia – Podem ser realizados os testes de Elisa ou testes imunocromatograficos para pesquisa de antígenos circulantes. Diagnóstico por imagem – Nos homens, e indicada à ultra-sonografia da bolsa escrotal; em mulheres, a ultra-sonografia da mama ou região inguinal e axilar deve ser avaliada.

Na fase aguda podem aparecer fenômenos inflamatórios, entre eles inflamação dos vasos linfáticos e linfadenites, além de sintomas gerais, como febre, dor de cabeça, mal estar, entre outros. Mais tarde, por um período que pode levar meses ou anos, os pacientes podem apresentar inchaço de membros, e/ou mamas no caso das mulheres, e inchaço por retenção de líquido nos testículos no caso dos homens. Doenças infecciosas da pele são freqüentes e presença de gordura na urina são outras possíveis manifestações. Pode ainda haver a evolução para formas graves e incapacitantes de elefantíase (aumento excessivo do tamanho de membros).

A droga de escolha e a Dietilcarbamazina (DEC), com vários esquemas preconizados: 6mg/kg/dia, VO, com periodicidade semestral ou anual; 6mg/kg/dia, VO, por 12 dias; 6mg/kg/dia, VO, por dois a quatro semanas. Outra droga, também, utilizada e a Ivermectina (IVM), na dose de 200?g /kg, um vez por ano, VO. Alem disso, tem-se utilizado a associação da IVM + DEC nas doses: IVM, 200?g /kg + DEC, 6mg/kg, VO, um vez por ano, ou IVM, 200?g/kg + DEC 6mg/kg. Doses únicas de IVM são aparentemente iguais em eficácia, segurança e tolerância, quando comparadas com doses únicas de DEC. O regime em combinação aparenta ser melhor do que a utilização de ambas as drogas isoladamente, para obtenção, a longo prazo, da redução, da densidade e da prevalência da microfilaremia. O período exato desses vários tratamentos não tem sido estabelecido, porem estima-se que se deve administrar dose única por 5 a 10 anos. A DEC não pode ser administrada em áreas onde coexiste oncocercose ou loiase. Felizmente, não ha coexistência geográfica dessas filarioses no Brasil. Para facilitar a relação peso/dose IVM, observar: Ivermectina, dose única, VO, obedecendo à escala de peso corporal (15 a 24kg: 1/2 comprimido; 25 a 35kg: um comprimido; 36 a 50kg: um 1/2 comprimido; 51 a 65kg: dois comprimidos; 65 a 79kg: dois 1/2 comprimidos; ?80kg: 200?g/kg).

Evitar a exposição prolongada aos mosquitos da espécie Culex quinquefasciatus nos locais onde ainda ocorre a transmissão. No Brasil, estes locais estão restritos a bairros periféricos dos municípios de Recife, Olinda, Jaboatão e Paulista, todos da Região Metropolitana de Recife.

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