Hanseníase ou Lepra – CID 10: A30

Doença crônica granulomatosa, proveniente de infecção causada pelo Mycobacterium leprae. Esse bacilo tem a capacidade de infectar grande numero de indivíduos (alta infectividade), no entanto poucos adoecem (baixa patogenicidade); essas propriedades dependem de, alem das características intrínsecas do bacilo, de sua relação com o hospedeiro e o grau de endemicidade do meio. O alto potencial incapacitante da Hanseníase esta diretamente relacionado ao poder imunogenico do M. leprae.

A principal via de eliminação dos bacilos dos pacientes multibacilares (virchowianos e dimorfos) e a aérea superior, sendo, também, o trato respiratório a mais provável via de entrada do M. leprae no corpo.

O diagnostico e clinico e epidemiológico, realizado por meio da analise da historia e condições de vida do paciente, do exame dermatoneurologico, para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos (sensitivo, motor e/ou autonômico). Os casos com suspeita de comprometimento neural, sem lesão cutânea (suspeita de Hanseníase neural pura), e aqueles que apresentam área com alteração sensitiva e/ou autonômica duvidosa e sem lesão cutânea evidente deverão ser encaminhados para unidades de saúde de maior complexidade para confirmação diagnostica. Em crianças, o diagnostico da Hanseníase exige exame criterioso, diante da dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade. Nesse caso, recomenda-se utilizar o “Protocolo Complementar de Investigação Diagnóstica de Casos de Hanseníase em Menores de 15 Anos”. A classificação operacional do caso de Hanseníase, visando o tratamento com poliquimioterapia e baseada no numero de lesões cutâneas de acordo com os seguintes critérios: Paucibacilar (PB) – Casos com ate cinco lesões de pele; Multibacilar (MB) – Casos com mais de cinco lesões de pele. Diagnóstico laboratorial Exame baciloscópico – A baciloscopia de pele (esfregaço intradermico), quando disponível, deve ser utilizada como exame complementar para a classificação dos casos em PB ou MB. A baciloscopia positiva classifica o caso como MB, independentemente do numero de lesões. Observação: O resultado negativo da baciloscopia não exclui o diagnostico de Hanseníase.

Veja também

* Manchas na pele de cor parda, esbranquiçadas ou eritematosas, às vezes pouco visíveis e com limites imprecisos; * Alteração da temperatura no local afetado pelas manchas; * Comprometimento dos nervos periféricos; * Dormência em algumas regiões do corpo causada pelo comprometimento da enervação. A perda da sensibilidade local pode levar a feridas e à perda dos dedos ou de outras partes do organismo; * Aparecimento de caroços ou inchaço nas partes mais frias do corpo, como orelhas, mãos e cotovelos; * Alteração da musculatura esquelética principalmente a das mãos, que resulta nas chamadas “mãos de garra”; * Infiltrações na face que caracterizam a face leonina característica da forma virchowiana da doença.

Os pacientes devem ser tratados em regime ambulatorial. Nos serviços básicos de saúde, administra-se uma associação de medicamentos, a poliquimioterapia (PQT/OMS). A PQT/OMS mata o bacilo e evita a evolução da doença, prevenindo as incapacidades e deformidades por ela causadas, levando a cura. E administrada através de esquema padrão, de acordo com a classificação operacional do doente em paucibacilar e multibacilar. A informação sobre a classificação do doente e fundamental para se selecionar o esquema de tratamento adequado ao seu caso. Para crianças com Hanseníase, a dose dos medicamentos do esquema padrão e ajustada de acordo com a idade e peso. Já no caso de pessoas com intolerância a um dos medicamentos do esquema padrão, são indicados esquemas alternativos. A alta por cura e dada apos a administração do numero de doses preconizado pelo esquema terapêutico, dentro do prazo recomendado.

Uma importante medida de prevenção é a informação sobre os sinais e sintomas da doença, pois, quanto mais cedo for identificada, mais fácil e rápida ocorrerá à cura. Outra medida preventiva, é a realização do exame dermato-neurológico e aplicação da vacina BCG nas pessoas que vivem com os portadores desta doença.

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