Hantavirose – CID 10: A98.5

As Hantaviroses são antropozoonoses virais agudas, cujas infecções em humanos podem se manifestar sob varias formas clinicas, desde o modo inaparente ou como enfermidade subclinica, cuja suspeita diagnostica fundamenta-se nos antecedentes epidemiológicos, ate quadros mais graves e característicos, como a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), típica da Europa e da Ásia, e a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavirus (SCPH), detectada somente nas Américas.

Inalação de aerossóis formados a partir de secreções e excretas dos reservatórios (roedores). Outras formas mais raras de transmissão: ingestão de água e alimentos contaminados; percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordeduras de roedores; contato do vírus com mucosas (conjuntiva, boca, nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas dos roedores, em indivíduos que trabalham ou visitam laboratórios e biotérios contaminados. Embora considerado evento raro, foi descrita transmissão pessoa a pessoa na Argentina.

Suspeita clinica e epidemiológica. O diagnostico laboratorial: Elisa IgM logo no inicio dos sintomas; imunohistoquimica (material: tecidos e fragmentos de órgãos, colhidos ate, no maximo, oito horas apos o óbito) ou RT-PCR (material: soro, coagulo sanguineo e fragmentos de tecidos, colhidos nos primeiros 7 a 10 dias da doença).

Febre alta (acima de 38º), dores no corpo, dor abdominal, dor de cabeça, tosse seca, taquicardia e dificuldade para respirar. Essa fase dura em média de três a cinco dias, podendo evoluir para a fase cardiopulmonar. A fase cardiopulmonar caracteriza-se por insuficiência respiratória aguda grave e choque circulatório, apresentando alta taxa de letalidade (45%).

Síndrome pulmonar por Hantavírus – Os casos suspeitos devem ser imediatamente transferidos para hospital com unidade de terapia intensiva. O paciente deve ser transportado em condições que assegurem a estabilidade hemodinâmica e os parâmetros ventilatorios adequados, com oxigenoterapia e acesso venoso, evitando-se a administração excessiva de líquido por via endovenosa e observandose as normas de biosseguranca. Como, ate o momento, não existe terapêutica antiviral comprovadamente eficaz contra a SCPH, é indicada medidas gerais de suporte clinico para manutenção das funções vitais, com ênfase na oxigenação e na observação rigorosa do paciente, desde o inicio do quadro respiratório, inclusive com uso de ventilação assistida. A hipotensão deve ser controlada, ministrando-se expansões plasmáticas e mantendo-se extremo cuidado na sobrecarga hídrica, evitando-se o uso de drogas vasopressoras. Os distúrbios hidreletrolitico e acido-basico devem ser corrigidos, inclusive com assistência em unidade de terapia intensiva, nos casos mais graves. Recomenda-se o isolamento do paciente em condições de proteção com barreiras (avental, luvas e mascara dotadas de filtros N95).

A prevenção das Hantavirose baseia-se na utilização de medidas que impeçam o contato do homem com os roedores silvestres e suas excretas. As medidas de controle devem conter ações de combate aos reservatórios para manter a área livre da presença desses animais, como, por exemplo, roçar o terreno em volta da casa, dar destino adequado aos entulhos existentes, manter alimentos estocados em recipientes fechados e à prova de roedores, além de outras medidas que impeçam a interação entre o homem e roedores silvestres, nos locais onde é conhecida a presença desses animais.

Veja Também:

Deixe uma resposta