Hipotireoidismo – Cid 10: E03.9

É a diminuição da função da tiróide. Trata-se de doença relativamente comum, atingindo cerca de 8% das mulheres e 3% dos homens. Vários estudos revelam que ocorre de três a cinco vezes mais em mulheres do que em homens e sua prevalência aumenta com a idade – cerca de 25% das mulheres com mais de 60 anos desenvolvem algum grau de hipotireoidismo. A grande maioria dos pacientes com hipotireoidismo leve progredirá para formas mais acentuadas de deficiência tiroidiana.

Não é transmissível

Uma vez que haja suspeita clínica, os testes diagnósticos confirmatórios são relativamente simples. Na maior parte dos casos, basta uma dosagem do hormônio TSH elevada para sua confirmação. Muitas vezes dosam-se também os níveis do hormônio T4 livre, que deverão estar diminuídos. Nos pouco frequentes casos de hipotireoidismo de origem hipofisária, tanto os níveis de T4 quanto os de TSH estarão reduzidos. Como já foi citado, há proporcionalidade entre o valor de alteração dos hormônio tiroidianos (HT) e a intensidade do quadro clínico do hipotireoidismo, sendo o mais sensível destes o TSH. O valor normal de TSH, para a maior parte dos laboratórios, está contido na faixa de 0,3 a 4,5 mu/ml, e qualquer elevação acima dessa faixa é interpretada como hipotireoidismo. No entanto, valores entre 4,5 a 10,0 são considerados, com raras exceções, como hipotireoidismo leve: na faixa de 10,0 a 40,0, como hipotireoidismo moderado e acima desse valor, como grave. Em geral, a deficiência hormonal tem caráter progressivo e se não tratado o TSH pode chegar a níveis extremamente elevados. A presença dos anticorpos antitiroide, principalmente os antitiroperoxidase, ajuda a definir a tireoidite de Hashimoto como causa do hipotireoidismo. Esses autoanticorpos só têm importância para esse fim, e seu valor numérico não é relevante. Poucas vezes são necessários outros exames para completar a investigação de um caso de hipotireoidismo. Porém, é importante lembrar que os HT influenciam todo o metabolismo e, portanto, é desaconselhável que durante a investigação sejam feitos outros exames chamados ‘de rotina’ (como o de colesterol ou glicemia), devido à possibilidade de ocorrer alteração secundária ao distúrbio tiroidiano.

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Como os hormônios tiroidianos têm função em quase todo o organismo, o hipotireoidismo leva a uma diminuição nas funções corporais. No entanto, na fase inicial pode-se não perceber nada. Eventualmente, a primeira manifestação será o aumento de tamanho da tiróide. À medida que o quadro progride, a pessoa pode sentir-se mais cansada e com mais frio que as outras. A pele, as unhas e o cabelo tendem a ficar mais secos e a crescer mais devagar. Se esse quadro progredir, pode ocorrer inchaço, principalmente em torno dos olhos e na face. A circulação pode ser afetada, com redução da freqüência dos batimentos cardíacos (às vezes abaixo de 60 batimentos por minuto). Como o ritmo intestinal se torna mais lento, surge à tendência à obstipação (prisão de ventre). O paciente pode ganhar um pouco de peso, pela retenção de água, mas dificilmente fica obeso, pois em geral há uma diminuição proporcional do apetite (algumas pessoas acreditam que o hipotireoidismo faz engordar, mas na verdade a doença provoca apenas inchaço; pior ainda é a crença errônea de que obesidade seja causada por hipotireoidismo ou por uma “tiroide preguiçosa”). Os músculos podem ficar doloridos e o paciente tende a sentir câimbras noturnas. O inchaço muscular pode atingir a língua, fazendo-a aumentar de tamanho. O sistema nervoso pode ser afetado de diversas maneiras, ocorrendo comprometimento da memória, lentidão de raciocínio e tendência à depressão. Freqüentemente há registro de formigamento nas mãos e pés, pequena dificuldade para andar e algum grau de desequilíbrio. Em resumo, parece que tudo “anda mais devagar”. A intensidade do hipotireoidismo é proporcional ao grau de alteração laboratorial. Se o quadro clínico for importante, espera-se encontrar uma alteração hormonal também significativa, e vice-versa. Vale ressaltar que, isoladamente, cada um desses achados não caracteriza o estado de hipotireoidismo. A soma de várias dessas manifestações é que levanta a suspeita e desencadeia uma investigação. Apesar de o quadro comprometer consideravelmente a qualidade de vida do paciente, todas as manifestações de hipotireoidismo são revertidas com o tratamento adequado.

A medicina ainda não consegue oferecer um tratamento específico do distúrbio que causa o hipotireoidismo. No entanto, pode-se facilmente repor a função perdida. Assim, trata-se o hipotireoidismo com tabletes contendo exatamente o mesmo composto produzido originalmente pela tiróide, sem que ocorra reação alérgica. Esses hormônios sintéticos não são destruídos pelos ácidos produzidos pelo estômago, o que permite, portanto sua administração por via oral. Desenvolvido de forma correta, o tratamento não causa efeito colateral sobre nenhum órgão ou função corporal. Existem muitos medicamentos contendo hormônio tiroidiano, mas hoje se usam quase exclusivamente os preparados sintéticos contendo T4 puro. O HT deve ser ingerido em dose única diária, pela manhã, em jejum (cerca de 30 minutos antes do café da manhã), caso contrário sua absorção pode ser incompleta. Os preparados de HT são comercializados numa gama enorme de dosagens, o que elimina a necessidade de manipulação (formulas magistrais). No entanto, não existe nenhum estudo comprovando a equivalência das doses de diferentes preparados comerciais contendo HT. Assim, sugere-se que o paciente mantenha o mesmo preparado comercial. No caso de uma troca depois de algumas semanas, recomenda-se uma nova dosagem hormonal, para aferir a resposta. A utilização do HT é perfeitamente segura durante a gravidez, não havendo risco para a mãe ou o feto; pelo contrário, durante a gravidez é mais importante ainda, que a função tiroidiana esteja normal. A dose adequada de HT é definida pelo médico e deve ser seguida criteriosamente, pois erros induzem a hiper ou hipotireoidismo ou a diferenças nas dosagens hormonais de controle. Alguns poucos medicamentos diminuem a absorção dos HT, entre os quais a colestiramina (usada para tratamento de distúrbios do colesterol), antiácidos contendo hidróxido de alumínio e suplementos contendo ferro, para tratamento de anemia. Bem ajustada, a dose de hormônio tiroidiano tende a ser constante, com pouca necessidade de modificações. Apesar de se tratar de um doença crônica que requer acompanhamento permanente, uma vez que seja bem tratada, hipotireoidismo não causa limitações à qualidade de vida do paciente.

Os casos que ocorrem após a cirurgia de retirada da tireóide por bócio nodular ou neoplasia podem ser prevenidos através de cirurgia adequada no momento em que a mesma é indicada para o tratamento de bócio. Nas demais situações pode ser realizado um diagnóstico precoce, porém prevenção primária não é disponível.

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