Insuficiência Cardíaca – Cid 10: I50

O coração é um órgão composto por quatro cavidades: dois átrios e dois ventrículos. O sangue venoso, proveniente de todo o corpo, chega ao átrio direito pelas veias cavas, passando ao ventrículo direito pela valva tricúspide, sendo finalmente lançado ao pulmão através das artérias pulmonares. No pulmão, o sangue é oxigenado e volta ao coração pelas veias pulmonares, chegando inicialmente ao átrio esquerdo, à valva mitral e depois ao ventrículo esquerdo, de onde é enviado para todo o corpo. Esse é o ciclo cardíaco. Existem duas fases em que o coração trabalha: – sístole, em que os ventrículos se contraem e os átrios relaxam; – diástole, em que ocorre o inverso. Quando os ventrículos não se contraem ou não se relaxam adequadamente, o sangue que chega aos átrios, rumo aos ventrículos, fica represado. Isso provoca um congestionamento nas veias cavas e nas veias pulmonares, aumentando a pressão dentro desses vasos. Com esse aumento de pressão, ocorre saída de líquido dos vasos para pernas, coxas e pulmão, por exemplo, levando aos sintomas clássicos da insuficiência cardíaca. A hipertensão arterial sistêmica (pressão alta) é a principal causa de insuficiência cardíaca. Porém, sua incidência varia de acordo com o país ou a região e as condições socioeconômicas locais. Como exemplo, a doença de Chagas (ocasionada em grande parte por péssimas condições de moradia) é muito mais freqüente nas zonas rurais dos estados de Minas Gerais e Paraná. Em contrapartida, nos países e regiões desenvolvidos, a incidência de problemas de coronárias e hipertensão arterial é maior quando comparada com outros locais.

Não é transmissível

Além dos sintomas informados pelo paciente, fundamentais para o diagnóstico, o exame físico é o passo mais importante. O pulso e a pressão arterial podem estar alterados. Geralmente, nas fases mais adiantadas da insuficiência cardíaca, a pressão arterial é baixa. As veias do pescoço ficam endurecidas, devido ao congestionamento do sangue que chega ao átrio direito. No exame específico, observam-se aumento no tamanho do coração, sopros cardíacos e até arritmias cardíacas. O exame de ausculta pulmonar é muito importante, pois, caso exista vazamento de líquido dos vasos para dentro dos pulmões, ouvem-se, por meio do estetoscópio, ruídos pulmonares típicos. A barriga pode ficar dolorida no local do fígado, assim como este pode aumentar de tamanho. As pernas geralmente ficam inchadas. Após a avaliação física, feita pelo médico, alguns exames podem ser úteis no diagnóstico: – Eletrocardiograma (ECG): ajuda no diagnóstico da causa da doença, mostra o tamanho aproximado dos átrios e ventrículos, identifica eventuais arritmias e revela sinais de infarto antigo. – Raio-X de tórax: exame muito importante, pois mostra o tamanho aproximado de todas as estruturas do coração e analisa a presença de líquido nos pulmões. – Ecocardiograma: avalia, com detalhes, o funcionamento das válvulas do coração, o tamanho exato dos átrios e ventrículos, as condições da contração global e partes do coração; calcula a porcentagem de sangue que o coração consegue ejetar. – Cateterismo cardíaco: avalia como estão as artérias coronárias, a pressão dentro dos átrios, dos ventrículos, das artérias e das veias, além de dar uma boa idéia da função cardíaca, por meio da ventriculografia.

Variam de acordo com o grau de comprometimento cardíaco. Muitos pacientes podem não apresentar qualquer queixa; os sintomas geralmente se iniciam com cansaço excessivo e falta de ar quando se faz um grande esforço (subir uma ladeira, por exemplo). À medida que a doença avança, os sintomas se manifestam para médios e pequenos esforços e até mesmo em repouso. Juntamente com esse cansaço, pode ocorrer: inchaço nas pernas, especialmente no período da tarde. Outros sintomas menos frequentes: tontura, desmaios, fraqueza, diminuição da quantidade de urina (por causa da retenção de líquidos), dor no abdome, na região onde está localizado o fígado (sintoma secundário à retenção líquida), etc. Em casos mais avançados, a pessoa não consegue deitar-se com a cabeceira baixa, sendo necessário elevá-la com travesseiros, para o alívio da falta de ar.

O tratamento da insuficiência cardíaca deve considerar os sintomas atuais e as causas da doença. Medidas dietéticas: O consumo de sal deve ser limitado a, no máximo, 3 gramas diárias, a fim de diminuir a quantidade de água dentro do corpo. Nesses casos, a ingestão de líquidos não deve ultrapassar 1 litro por dia; em casos mais graves, 300 ml por dia. Medicamentoso: – Diuréticos: atuam aumentando o volume de urina eliminado. Com isso, consegue-se aliviar o excesso de líquido acumulado nos pulmões e nas pernas, principalmente. – Digitálicos: são medicamentos que aumentam a força do coração para bombear o sangue e diminuem a freqüência cardíaca (a digoxina, digitoxina, digitalina). Frequentemente deve ser verificada a dosagem de digitálicos no sangue, a fim de evitar a “intoxicação digitálica”, responsável por arritmias e descompensação cardíaca. O tratamento para reverter esses problemas seria a observação e a interrupção no uso do medicamento. – Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA): promovem a dilatação dos vasos sangüíneos periféricos (das pernas, dos braços, etc.), diminuindo a resistência imposta ao coração e melhorando seu desempenho. – Betabloqueadores: diminuem a força de contração do coração e a freqüência cardíaca, facilitando o relaxamento cardíaco. Indicados nos casos em que os ventrículos não relaxam adequadamente, – Vasodilatadores: atuam diminuindo o trabalho cardíaco, reduzindo a resistência à contração do coração e a chegada do sangue ao coração. Com o agravamento da insuficiência cardíaca, muitas vezes o tratamento só surte efeito se realizado em ambiente hospitalar. Nesse caso, o controle dos sintomas e da administração de medicamentos na veia torna-se vital para a recuperação do indivíduo. Entre esses medicamentos, estão: – a dopamina (que, dependendo da dose, pode aumentar a quantidade de urina eliminada, a força de contração do coração e a pressão arterial); – a dobutamina (aumenta a força de contração do coração); – o nitroprussiato de sódio (potente droga que dilata os vasos da periferia do corpo, diminuindo a pressão arterial e melhorando a contração cardíaca); – a noradrenalina (usada em fases finais da doença, para aumentar a pressão arterial). Outras drogas (como o levosimendan) foram desenvolvidas para melhorar a função do coração. Cirúrgico: Quando o tratamento medicamentoso não é suficiente para manter o paciente vivo, discutem-se alternativas de tratamento. As opções atuais são: – Transplante cardíaco: técnica adotada em 1967, na África do Sul, muito utilizada atualmente. Trata-se da utilização de um coração doado (por vítima de acidente ou por morte cerebral). O coração do doador é implantado no corpo de um receptor com insuficiência cardíaca em fase terminal. Após o transplante, o receptor toma medicações para combater a rejeição do coração recebido. Em 1990, a sobrevida no primeiro ano após o transplante atingia 81% e 60% depois de 5 anos. – Cardiomioplastia: criada na França, a cirurgia utiliza um músculo das costas para cobrir o coração, na tentativa de aumentar a sua força. Utilizada devido à falta de doadores. Os resultados dessa técnica ainda são insatisfatórios. – Ventriculectomia: trata-se da retirada de uma parte do músculo cardíaco doente, visando melhorar a geometria do coração e, conseqüentemente, a sua força. A técnica foi criada por um brasileiro e é objeto de grande controvérsia entre os especialistas; ainda se encontra em fase inicial, sem resultados sólidos até o momento.

É preciso evitar todos os fatores de risco envolvidos em todas as causas da doença. Portanto, os cuidados relativos a fumo, obesidade, colesterol, vida sedentária, estresse e pressão alta ajudam a prevenir a arteriosclerose e a diminuir a ocorrência de problemas coronarianos. O cuidado com as condições de moradia e medidas para eliminar o barbeiro também são importantes no combate da doença de Chagas.

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