em

Leptospirose – Cid 10: A27

Leptospirose é uma doença causada por bactérias em forma de espiral (espiroquetas) conhecidas como leptospiras. Essa infecção, que pode afetar o homem e os animais domésticos e selvagens, tem nos roedores, sobretudo os ratos, seus principais transmissores – eles abrigam, em seus rins, as leptospiras e as eliminam pela urina sem ficar doentes. A leptospirose não se transmite diretamente entre seres humanos. Considerada a mais importante zoonose (infecção que acomete principalmente animais e que pode ser transmitida ao ser humano) em nosso meio, a leptospirose pode determinar desde modalidades clínicas inaparentes até a forma mais grave, que vem acompanhada de icterícia (amarelo na pele e olhos) e fenômenos hemorrágicos. Neste último caso, cerca de 10% dos pacientes inevitavelmente morrem, apesar de todos os avanços da medicina no combate ao mal.

Muitos animais adquirem de outros a leptospirose e podem até morrer por causa dela, ou então se tornar portadores renais crônicos das leptospiras, passando a eliminá-las pela urina ao longo de meses ou de anos. Outros, como os roedores e particularmente o rato, adquirem as leptospiras sem contrair a doença e passam a liberá-las com a urina ao longo de toda a vida. O rato é considerado o principal reservatório da doença e o mais importante responsável por sua transmissão ao homem. Mas não é o único. O cão doméstico, por exemplo, tem sido cada vez mais identificado como transmissor da doença. Ovinos, bovinos, suínos e caprinos também podem transmiti-la ao ser humano, mas isso é bem mais raro. O doente se contamina por contato direto com sangue, tecidos, órgãos ou urina de animais infectados, ou por via indireta, no contato com água ou solo contaminados com a urina dos portadores.

Pela história do paciente e o exame clínico. A confirmação do diagnóstico é dada por provas laboratoriais específicas, capazes de determinar a presença das leptospiras ou anticorpos a estas provas no organismo.

Após penetrarem pela pele ou por uma mucosa, as leptospiras atingem a corrente sangüínea e, rapidamente, alcançam todos os órgãos, em especial o fígado, os rins, o coração e os músculos esqueléticos. Clinicamente, a doença manifesta-se por sintomas que podem ser de pequena intensidade, semelhantes a um estado gripal, ou pela modalidade mais grave, conhecida como forma ictero-hemorrágica, que é a que chega aos hospitais com maior freqüência. Nesse caso, a febre, a icterícia (“olhos amarelos”) e a mialgia na panturrilha (dor na “batata da perna”) são os sintomas mais comuns. Mas pode haver outros, mais raros, como náuseas, vômitos, diarréia, calafrios e vermelhidão no olho. Quando surgem sangramentos em gengivas, nariz, pele, pulmões ou intestinos, a leptospirose é considerada doença muito grave, podendo causar a morte, quase sempre por hemorragias pulmonares ou intestinais maciças. Por tudo isso, a forma ictero-hemorrágica é considerada emergência médica e o paciente deve ser encaminhado urgentemente ao médico ou hospital mais próximo.

Antibióticos e hidratação adequada constituem o tratamento básico. Há necessidade de internação hospitalar e muitas vezes o paciente deve ser encaminhado à unidade de terapia intensiva, de acordo com a gravidade do caso – isso ocorre necessariamente quando a leptospirose determina quadros de insuficiência renal, insuficiência cardíaca, insuficiência respiratória e sangramentos.

Diversas medidas podem contribuir para uma prevenção eficaz: Uso de roupas adequadas, no caso de profissionais dos grupos de risco. Controle de ratos, para impedir a presença deles nos locais de trabalho, nos quintais de residências, em depósitos, armazéns e terrenos baldios, e assim por diante. Deve-se ter em mente que os ratos sobrevivem e multiplicam-se rapidamente onde haja os três elementos fundamentais para eles: água, alimento e abrigo. Portanto, dar destino adequado ao lixo, evitando-se jogá-lo na rua ou em terrenos baldios, é essencial para diminuir a população de ratos nas grandes cidades. Tratamento da água e destino adequado dos esgotos. Profilaxia com antibióticos, desde que feita sob orientação médica especializada e dependendo do risco enfrentado pelo paciente. Não se recomenda uso indiscriminado de antibióticos. Cuidado ao entrar em áreas de enchentes, enquanto elas estão ocorrendo ou depois que as águas baixaram. É essencial usar calçados adequados ou botas impermeáveis, especialmente quando, no dia seguinte, são feitos os trabalhos de remoção da sujeira e da lama depositadas nas residências. Aplicação de vacina específica nos animais domésticos, para evitar que fiquem doentes e transmitam a doença, embora essa medida não seja capaz de evitar totalmente a eventual transmissão pela urina. Vale mencionar que não existe vacina contra a leptospirose para utilização em seres humanos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade – Cid 10: F90

Menopausa e Climatério – Cid 10: N95.1