Mioma uterino – Cid 10: D25

Leiomioma uterino, também conhecido como fibroma, fibromioma ou simplesmente mioma uterino, é um tumor benigno, de aspecto sólido e arredondado, presente no útero de até 70% das mulheres. Desenvolve-se durante a menacme (período que vai da primeira até a última menstruação), mais comumente a partir dos 30 anos, e regride parcialmente após a menopausa. É assintomático na maioria das vezes; porém, devido à sua alta freqüência, causa sintomas em aproximadamente 25% das mulheres. Os nódulos de mioma podem ser únicos ou múltiplos quanto à sua presença no útero. Têm diferentes dimensões e podem localizar-se junto à superfície externa (subserosos), no meio da parede muscular (intramurais) ou na cavidade uterina (submucosos). A transformação de um leiomioma (tumor benigno) em leiomiossarcoma (tumor maligno ou câncer) é extremamente rara e, na verdade, muitos pesquisadores acreditam que esse tipo de transformação nunca ocorra. O leiomiossarcoma uterino é encontrado em aproximadamente 0,1% das mulheres que realizam tratamento para mioma, associando-se a tumores grandes e de crescimento rápido.

Não é transmissível

A investigação visa confirmar a existência de mioma uterino que justifique as queixas referidas pela paciente, assim como notar a possível presença de outras doenças, como adenomiose (crescimento interno e benigno do endométrio no interior da musculatura uterina), pólipo endometrial e disfunções hormonais, as quais podem apresentar quadro clínico semelhante ao causado pelo mioma. A avaliação inicial é realizada pelo registro da história clínica e pelo exame pélvico ginecológico, com atenção ao tamanho e ao formato do útero. Pode-se, então, solicitar exames de sangue, como hemograma para verificar anemia e dosagens hormonais. Quanto aos exames de imagem, habitualmente a ultra-sonografia pélvica, realizada pelas vias transabdominal ou transvaginal, é capaz de confirmar o diagnóstico e fornecer informações em relação ao número, tamanho e localização dos miomas. Em algumas situações, entretanto, outros exames podem complementar tais informações, auxiliando no plano de tratamento. Destacamos, assim: – Histerossalpingografia: utiliza-se de radiografias seriadas após a injeção de contraste na cavidade do útero, com o intuito de avaliar os seus contornos internos e verificar a permeabilidade das tubas uterinas. – Histerossonografia: ultrassonografia realizada após a injeção de uma pequena quantidade de soro no interior do útero, com o objetivo de caracterizar precisamente lesões dentro da sua cavidade. – Histeroscopia: permite a visualização direta da cavidade uterina, por meio de uma pequena câmera colocada na extremidade de um tubo fino (histeroscópio), que é introduzido no interior do útero, passando pela vagina e pelo colo uterino. – Ressonância magnética: permite o estudo de lesões nas paredes uterinas com imagens de ótima qualidade, encontrando no alto custo a sua principal limitação. Lembramos que, algumas vezes, o diagnóstico é feito em mulheres sem queixas, durante a realização de ultra-sonografia de rotina.

Veja também

O mioma uterino é assintomático em mais de 50% dos casos. Entretanto, os sinais e sintomas mais comuns, quando presentes, são: – Sangramento menstrual intenso, com aumento da duração e/ou da quantidade. – Sangramento irregular e/ou diminuição do intervalo entre as menstruações. – Sensação de peso/pressão abdominal ou dor pélvica, podendo irradiar-se para as costas ou para as pernas. – Aumento do volume abdominal. – Alteração do funcionamento intestinal, com constipação ou dificuldade em eliminar gases. – Alterações urinárias, como retenção, aumento da frequência ou incontinência urinária. – Disfunções reprodutivas, incluindo infertilidade, abortamento, parto prematuro e complicações do parto. Embora esses tumores não sejam perigosos, podem gerar desconforto e causar anemia, devido ao sangramento intenso. Trata-se de doença muito comum, sendo grande o número de mulheres com mioma que têm filhos sem enfrentar problemas com a concepção, a gravidez e o parto. Ocasionalmente, no entanto, esses nódulos podem afetar a fertilidade, distorcendo ou bloqueando as tubas uterinas (trompas), o que dificulta a passagem dos espermatozóides. Quando dentro da cavidade do útero (submucosos), miomas podem impedir a implantação e o desenvolvimento do embrião. De uma maneira geral, as gestantes com mioma têm risco levemente aumentado para abortamento, parto prematuro, apresentação fetal anômala (“bebê sentado” ou “atravessado”) e descolamento prematuro da placenta.

Como os miomas não são tumores cancerosos e usualmente crescem lentamente, há tempo para obter informações antes de decidir sobre o tratamento. A melhor escolha depende de vários fatores, como a intensidade dos sintomas, os planos de ter filhos, a proximidade que está da menopausa e a disposição pessoal em relação à cirurgia. Antes de tomar uma decisão, devem-se considerar os prós e os contras das opções disponíveis com respeito a cada situação particular. Dito isto, citaremos as possibilidades frente ao diagnóstico de leiomioma uterino. – Conduta expectante: na ausência de sintomas e sinais, a observação clínica e o controle seriado com ultra-sonografia parecem ser a melhor escolha. – Tratamento medicamentoso: algumas substâncias como antiinflamatórios, anti-fibrinolíticos e anticoncepcionais orais de baixa dosagem – habitualmente utilizados no controle de sangramentos por disfunção hormonal – podem ser empregados em casos de sintomas leves, porém não promovem redução do tumor. Já os análogos do hormônio liberador das gonadotrofinas (a-GnRH) são medicações capazes de diminuir o volume tumoral e cessar o sangramento uterino, possibilitando a recuperação dos estoques de ferro nas pacientes com anemia. Após a sua suspensão, no entanto, ocorre rápido crescimento e retorno dos miomas às dimensões anteriores. Como efeito colateral, provocam sintomas típicos da perimenopausa (secura vaginal, diminuição do desejo sexual e alterações do humor, entre outros) e seu uso prolongado pode levar à osteoporose. Portanto, são utilizados apenas em algumas situações, por um período de até três meses, com o objetivo de melhorar as condições para o tratamento cirúrgico imediato. – Tratamento cirúrgico: A histerectomia (retirada do útero) é a única solução permanente e definitiva, porém elimina a possibilidade de futura gravidez. Pode ser realizada pelas vias abdominal, laparoscópica ou vaginal. A miomectomia (retirada do mioma): para as mulheres que desejam ter filhos ou que, por alguma motivação pessoal, gostariam de manter o útero. Também pode ser realizada por diferentes vias a depender do caso (abdominal, laparoscopia, histeroscopia) e tem como inconveniente a possibilidade de retorno dos miomas e dos seus sintomas, necessitando de novo tratamento. – Embolização das artérias uterinas (EAU): por meio de um cateter introduzido na artéria femoral (na virilha) e direcionado até as artérias uterinas, injetam-se pequenas substâncias que vão ocluir os vasos que nutrem o mioma, causando redução do seu volume e melhora dos sintomas a ele relacionados. É uma alternativa à histerectomia para mulheres que pretendem evitar ou que têm contra-indicações à cirurgia. Pode, entretanto, não funcionar como tratamento definitivo e, até que tenhamos resultados consistentes, em longo prazo, quanto à segurança da fertilidade, não é indicada para mulheres que desejam de ter filhos. – Eletromiólise, criomiólise, miólise por ultra-sonografia, alcoolização, ligadura cirúrgica das artérias uterinas, antagonistas do hormônio liberador das gonadotrofinas, anti-progestagênios, inibidores da aromatase, e SERMs são tratamentos ainda em investigação.

Embora pesquisadores continuem a estudar as causas dos leiomiomas do útero, até o momento não há meios de preveni-los ou evitá-los. Entretanto, somente uma parcela das mulheres com esses tumores necessita de tratamento.

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