Pterígio – CID 10: H11.0

Pterígio, também conhecido por “carne no olho”, é uma doença da conjuntiva, membrana que recobre o branco dos olhos e reveste a pálpebras. Sua principal característica é o crescimento sobre a córnea de um tecido fibromuscular esbranquiçado, com o formato aproximado de um triângulo. A lesão surge no ângulo interno do olho, caminha em direção ao centro e pode comprometer a visão. Se alcançar e cobrir a pupila, a pessoa deixará de enxergar com o olho afetado. O distúrbio pode ser unilateral ou bilateral, isto é, pode surgir apenas num dos cantos do olho, em geral no que fica próximo à base do nariz, ou pode ocorrer nos dois cantos, o interno e o externo. A afecção é mais frequente em regiões de clima quente e seco. Nas cidades do Nordeste e do litoral brasileiro, o pterígio é considerado quase endêmico.

O aparecimento do pterígio pode estar relacionado com fatores genéticos (herança dos pais) e com fatores ambientais. Dos fatores ambientais, a exposição solar, o vento e a poeira parecem favorecer o aparecimento do pterígio. Correm risco maior de desenvolvê-la as pessoas geneticamente predispostas que usualmente entram em contato direto com a luz do sol. Em alguns casos, o surgimento desta membrana fibro-vascular ocorre devido a um traumatismo na superfície ocular. Nestes casos a membrana costuma ser chamada de pseudo-pterígio, já que é, na verdade, uma reação da conjuntiva adjacente ao trauma. O pterígio costuma progredir lentamente, ao longo de semanas, meses e anos, invadindo a superfície da córnea. Algumas vezes, a progressão pode ser mais rápida, prejudicando a visão e gerando desconforto ao paciente. Em outros casos, depois de crescer por algum tempo, o pterígio estabiliza-se, podendo ficar com tamanho inalterado durante anos.

O diagnóstico do pterígio é basicamente clínico. Nos estágios iniciais, é importante estabelecer o diagnóstico diferencial com o pseudopterígio e a pinguécula, um nódulo amarelo e elevado que se forma na conjuntiva, diferente do pterígio porque não invade a córnea.

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O pterígio pode provocar desde uma simples irritação leve nos olhos até alterações visuais importantes, em casos mais avançados. Normalmente, no início, a pessoa se queixa que o olho costuma ficar vermelho e que sente uma sensação de areia, de corpo estranho, principalmente se vai à praia ou à piscina ou, ainda, se fica muito em ambiente com ar condicionado. Se o quadro evolui, passa a se queixar de irritação ocular frequente, com ardência, queimor, prurido(coceira) e até mesmo ressecamento ocular. Em casos em que o pterígio cresce muito sobre a córnea, pode até provocar astigmatismo e com isso “embaçamento” visual e alteração no grau dos óculos. Pessoas que desejam usar lentes de contato ou querem ser submetidas a cirurgias refrativas para tratamentos de ametropias e são portadoras de pterígio muitas vezes precisam antes ser submetidas ao tratamento deste.

O tratamento do pterígio deve ser instituído levando em conta a agressividade dos sintomas e o tamanho da lesão. Em alguns casos, o crescimento da membrana carnosa é lento e os sintomas pouco intensos. Quando o quadro tem essas características, a aplicação de colírios anti-inflamatórios e lubrificantes, por períodos curtos e sob orientação médica, pode ser suficiente para controlar o problema. Há casos, porém, em que a cirurgia representa a única estratégia terapêutica recomendada para eliminar o pterígio, que pode ser responsável por alterações visuais, como astigmatismo e até cegueira. Nos últimos anos, foram desenvolvidas várias técnicas cirúrgicas bastante seguras e eficientes. A intervenção é realizada sob anestesia local, demora aproximadamente 30 minutos e não requer internação hospitalar. Depois da cirurgia, a aplicação de colírios ou pomadas oftálmicas à base de antibióticos e anti-inflamatórios deve ser mantida por algumas semanas. Atualmente, o tratamento radioterápico com betaterapia após a cirurgia está sendo desaconselhado. Infelizmente, apesar da evolução ocorrida no tratamento da doença, o risco de recorrência permanece e atinge entre 15% e 30% das pessoas que já passaram pela cirurgia.

* Não se conhecem medidas preventivas contra o pterígio, mas alguns cuidados podem retardar o aparecimento e evolução da doença. Uma delas é evitar a exposição excessiva ao sol e, sempre que possível, usar óculos escuros. A escolha desses óculos deve obedecer aos seguintes critérios básicos: a) o modelo deve ter tamanho e coloração adequados para proteger toda a área dos olhos; b) as lentes devem ter proteção UVA e UVB. É sempre importante lembrar que existem óculos especiais para a prática de esportes, como natação, esqui na neve, ciclismo, Squash, etc. Não deixe de usá-los.

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