Rotavírus – Não informado

É uma infecção viral causada pelo “Rotavírus” (que tem esse nome por apresentar aspecto de roda quando observado ao microscópio eletrônico) e é responsável por 20 a 50% das internações por diarréia aguda em crianças, tanto em países subdesenvolvidos quanto desenvolvidos. Existem vários sorotipos que infectam muitas espécies de mamíferos e aves e em humanos têm distribuição universal. Em países de clima temperado, a infecção ocorre de forma sazonal, com predominância nos meses mais frios. Nos países de clima tropical a infecção é endêmica ocorrendo em todos os meses do ano.

É feita pela via fecal-oral. Na fase aguda da doença os rotavírus são eliminados em altas concentrações nas fezes e mantêm seu poder infectante por meses, à temperatura ambiente. São altamente contagiosos e transmitidos rapidamente em ambientes fechados. No mundo ocorrem, por ano, 125 milhões de casos, com 18 milhões de casos graves (em crianças abaixo de 2 anos de idade) e aproximadamente 800.000 mortes. Praticamente todas as crianças são infectadas até os 4 anos de idade.

O diagnóstico clínico pode ser confirmado por um exame laboratorial específico para pesquisar a existência do vírus nas fezes do doente. A amostra deve ser coletada nos primeiros dias da infecção.

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O período de incubação (período entre o contágio e o início dos sintomas) varia de um a quatro dias. A doença caracteriza-se por vômitos, diarréia aquosa e febre. Geralmente os vômitos precedem a diarréia. A perda hídrica muitas vezes é intensa, levando rapidamente à desidratação. A febre aparece em 70% dos casos e dura em média dois a três dias.

Há muitos anos as vacinas para rotavírus vêm sendo estudadas. A vacina recentemente aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é do tipo monovalente de rotavírus humano vivo atenuado. A vacina foi avaliada em estudos realizados na Finlândia, Brasil, México, Venezuela e Singapura, incluindo aproximadamente 60.000 crianças. Foi utilizada no esquema de duas doses, por via oral aos 2 e 4 meses de idade. As outras vacinas do calendário normal foram utilizadas concomitantemente, exceto a pólio oral (contra a paralisia infantil), que foi utilizada com intervalo de 2 semanas em relação à vacina para o rotavírus. Em relação à tolerabilidade foram avaliadas diarréia, vômitos, febre, perda de apetite, mal-estar, tosse e coriza nos primeiros 15 dias após cada dose e comparados com o grupo que não recebeu a vacina. Percebeu-se que foi bem tolerada, com incidência semelhante dos sintomas no grupo vacinado e no grupo placebo. Não houve interferência na resposta imunológica para as outras vacinas utilizadas concomitantemente: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, pólio inativada e Haemophilus. No que diz respeito à eficácia, na Finlândia houve 90% de proteção para diarréia grave e 73% para qualquer diarreia por rotavírus. Na América Latina houve 86% de proteção para diarréia grave e 70% para qualquer diarreia por rotavírus. As diferenças observadas entre a Finlândia e a América Latina devem-se, pelo menos em parte, a diferenças no perfil dos sorotipos mais prevalentes.

Prevenir a rotavirose entre crianças é difícil, mas é muito importante que os pais mantenham condições adequadas de higiene e, desde cedo, ensinem seus filhos a importância de lavar as mãos, principalmente, depois de ir ao banheiro e antes das refeições. Outro aspecto importante é a amamentação dos bebês até, pelo menos, os seis meses para fornecer à criança defesas não só contra o rotavírus, mas também contra outras doenças. Em fevereiro de 2006 a FDA (entidade americana que regula medicamentos) aprovou uma vacina oral contra o rotavírus para ser utilizada em crianças.

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