Tuberculose – CID 10: A15 a A18

Tuberculose é uma doença infecciosa de evolução lenta, causada pelo bacilo Mycobac-terium tuberculosis. Ao longo do tempo a enfermidade, que afeta os pulmões, mas pode espalhar-se para outras regiões do organismo, provoca uma debilitação orgânica importante. Se não tratada adequadamente e a tempo, ela pode até levar à morte do doente. Trata-se de uma das mais antigas e mais disseminadas doenças. Estima-se em cerca de 30 milhões o número de casos notificados anualmente em todo o mundo. A partir de meados da década de 80, verificou-se um recrudescimento do mal em diversos países, entre os quais o Brasil. Entre outras causas do aumento do número de casos está a proliferação da AIDS. (Veja no ?Guia de Doenças? artigo sobre ?AIDS?).

O M. tuberculosis é transmitido quando uma pessoa sã ? mas suscetível a ele ? entra em contato com outra que é portadora da doença; trata-se, portanto, de doença infectocontagiosa.

Além do exame clínico e da história do paciente, o médico conta com análises laboratoriais, entre as quais a pesquisa do agente infeccioso por meio de exames de escarro e de diversos outros fluidos e produtos do organismo: sangue, urina, fezes, líquor (substância líquida contida nas membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, nutrindo-os e protegendo-os contra choques. O mesmo que líquido cefalorraquiano ou fluido cérebro-espinhal, suco gástrico, líquido sinovial (fluido que funciona como uma espécie de lubrificante das articulações do corpo), e a biópsia de tecidos, gânglios e medula óssea. Como método indireto, principalmente diante da suspeita de tuberculose pulmonar, o exame radiológico do tórax é de grande valia. Em casos positivos, ele revela a presença de lesões pulmonares destrutivas conhecidas como ?cavernas?. Outro método indireto é o teste do PPD (Purified Protein Derivate), muito conhecido pelo nome de reação de Mantoux. Consiste em injeção intradérmica de cultura de extratos do M. tuberculosis, para avaliação de hipersensibilidade tardia a esse bacilo. Após a aplicação, o local é examinado a intervalos de 24, 48 e 72 horas, para a observação do eventual surgimento de sinais de endurecimento e eritema (vermelhidão na pele). A reação positiva indica que a pessoa teve exposição anterior à bactéria, com uma adequada resposta imunológica intermediada por células. O teste de Mantoux é particularmente indicado para estes casos: – pessoas com sinais clínicos e sintomas de tuberculose ativa, seja pulmonar ou extra-pulmonar; – indivíduos com raios-X de tórax que apresente imagem sugestiva de tuberculose; – pessoas que recentemente estiveram expostas a casos de tuberculose ativa, incluindo situações de contato domiciliar e trabalhadores de áreas de saúde com exposição significativa; – pessoas com história de tuberculose não tratada; – doentes prestes a iniciar tratamentos prolongados com drogas imunossupressoras, principalmente se foram expostas no passado ao M. tuberculosis (doentes que receberão órgãos em transplante); – pacientes com aumento de risco de desenvolvimento de tuberculose em decorrência de doenças de base; – pessoas com risco de exposição à bactéria, principalmente médicos, dentistas, enfermeiras e fisioterapeutas; – imigrantes de áreas endêmicas de tuberculose.

A doença evolui numa sucessão de estágios: Infecção primária ? geralmente, a infecção inicial é assintomática. Não há manifestações que evidenciem a presença da enfermidade. Infecção latente ? muitos doentes permanecem assintomáticos após a infecção primária. Durante essa fase, a doença se consolida, mas ainda não produz manifestações externas. Reativação tuberculosa ? nessa fase, o doente apresenta tosse e expectoração com sangue, febre, sintomas de cansaço, fadiga, sudorese noturna (suor intenso) e emagrecimento com perda acentuada de peso (geralmente, mais de 10% do total do peso do corpo). Tuberculose pulmonar ? como conseqüência da reativação da tuberculose latente, surge na maioria dos casos a tuberculose pulmonar. A tuberculose pulmonar caracteriza-se por um quadro de sintomas que inclui tosse freqüente e produtiva (ou seja, com expectoração), dor no peito, escarro sanguinolento, emagrecimento, febre (mais freqüente ao entardecer) e sudorese noturna. Tuberculose extrapulmonar ? nesse estágio, a doença se alastrou para além dos pulmões. Sua forma mais comum, então, é a tuberculose pleural, ou seja, a enfermidade se instala na membrana que envolve os pulmões. Mas ela pode se localizar em várias outras regiões causando, por exemplo: meningite tuberculosa, pericardite (inflamação na bolsa que reveste o coração), peritonite (inflamação na membrana que reveste as cavidades abdominal e pélvica), adenite tuberculosa (infecção crônica tuberculosa em nódulos linfáticos), osteomielite tuberculosa (tuberculose em ossos), tuberculose genitourinária, tuberculose ocular, tuberculose gastrintestinal, tuberculose cutânea e tuberculose meliar (tuberculose que se dissemina pelo sistema linfoematogênico ? sistema constituído de artérias, veias, gânglios linfáticos).

A tuberculose é tratada com uma associação de antibióticos, para evitar o surgimento de bacilos resistentes durante o tratamento. Trata-se de uma combinação de medicamentos conhecida como esquema tríplice, porque envolve três antimicrobianos básicos (isoniazida, rifampicina e pirazinamida), administrados por dois meses consecutivos. Depois disso, o médico determina uma redução gradativa ao longo do tratamento total, estimado em seis meses, podendo chegar a doze meses. Devido ao aparecimento relativamente recente de bacilos resistentes ao esquema tríplice clássico, outros medicamentos podem ser associadas, entre as quais etambutol, sulfato de estreptomicina, etionamida, ciloserina, capreomicina, amicacina e ofloxacina.

Além do óbvio cuidado no sentido de se evitar o contato, sem proteção adequada, com pessoas portadoras da doença, há basicamente duas medidas de prevenção: 1- Vacinação ? é feita pelo BCG (bacilo de Calmette e Guerin), uma variante do bacilo da tuberculose bovina. Sua eficácia é controvertida: verificaram-se casos de 100% de proteção em determinados grupos estudados, mas também há registros de outros grupos em que essa porcentagem não passou de 50%. De todo modo, sabe-se que ela protege adequadamente contra as formas graves da tuberculose na infância. A vacinação com a BCG, no Brasil, é recomendada para os recém-nascidos, sempre que possível, na maternidade. Outra recomendação é a revacinação para todas as crianças em idade escolar, a partir dos 6 anos de idade, independentemente de terem ou não cicatriz de vacina anterior. Para alguns casos, a BCG é contraindicada: – crianças com doença imunossupressiva – recém-nascidos prematuros ou com peso inferior a 2 quilos; – pessoas com afecções dermatológicas intensas, ou que apresentem afecções desse tipo no local da aplicação; – doentes com enfermidades graves que exijam internação. – Busca ativa de casos ? trata-se de investigar as pessoas que fazem contatos próximos com os portadores identificados de tuberculose, para descobrir se foram infectadas. Quanto mais precocemente forem descobertos os casos e iniciada a medicação específica, tanto mais drasticamente se reduz a transmissão em cadeia da enfermidade. O teste de Mantoux é uma importante ferramenta para o rastreamento dos infectados e dos doentes, bem como o exame de abreugrafia (radiografia do tórax, introduzida pelo radiologista brasileiro Manoel de Abreu (1894-1962) para a profilaxia em massa da tuberculose pulmonar. Consiste em tirar radiografia de 70 mm, em série, por meio de máquina fotográfica adaptada ao aparelho de raios X).

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