Vitiligo – Cid 10: L80

É uma doença dermatológica, caracterizada pela inibição ou destruição de melanócitos, as células responsáveis pela fabricação de melanina (pigmento que dá cor à pele). Isso resulta em zonas despigmentadas, que se apresentam na forma de manchas brancas Não se sabe com certeza sua causa e não há como preveni-lo. A teoria mais aceita julga que certas pessoas sofrem uma alteração no sistema imunológico, que passa a fabricar auto-anticorpos contra o próprio sistema pigmentar da pessoa. Foi constatada a associação do vitiligo com alterações da tireóide em muitos pacientes (tanto em casos de hiper quanto de hipotireoidismo). Até agora, no entanto, não se conseguiu uma explicação definitiva para esse fenômeno. Entre outras doenças associadas encontram-se a anemia perniciosa, a alopécia areata, o diabetes e a doença de Addison (insuficiência da glândula suprarrenal).

Não é transmissível

O diagnóstico baseia-se apenas no exame clínico do paciente.

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O vitiligo caracteriza-se pelo aparecimento de manchas brancas de formas e tamanhos variados (de alguns milímetros até muitos centímetros). Estas podem aumentar aos poucos e, somadas ao aparecimento de novas manchas, eventualmente afetam todo o corpo. Por vezes, as manchas apresentam bordas mais pigmentadas do que a pele normal, com presença de cabelos ou pêlos que podem embranquecer. Únicas ou múltiplas, as manchas afetam qualquer parte do corpo, embora ocorram com maior freqüência nos joelhos, cotovelos, dedos, pernas, punhos, axilas, região lombar e áreas em torno da boca, do ânus, dos olhos e do nariz. Às vezes, a despigmentação atinge as mucosas dos lábios, gengivas, mamilos e genitais. É comum que, ao se machucar, o paciente tenha as áreas afetadas da pele embranquecidas pelo vitiligo.

Antes de tudo, convém esclarecer que o vitiligo é uma doença benigna, cujos únicos efeitos são de ordem estética. Existem casos de regressão espontânea. Para disfarçar o problema, algumas pessoas utilizam maquiagens próprias para a finalidade: são cosméticos à prova d’água, com colorações muito próximas às da pele normal. Caso se opte por um tratamento, o mais eficaz é a fototerapia. O paciente toma psoraleno (medicamento que torna a pele mais sensível à luz ultravioleta) e, duas horas mais tarde, expõe-se à radiação ultravioleta em cabine apropriada usando, durante a sessão, óculos especiais para proteger os olhos contra as radiações. Apesar da eficácia, o tratamento fototerápico é demorado: às vezes, requer de 50 a 60 sessões, numa freqüência de duas a três por semana. Um sinal de melhora da doença é o surgimento de pequenas “ilhotas” de pigmentação no centro das manchas. Assim como a radiação solar, a fototerapia pode propiciar o aparecimento de sardas e manchas – tratamentos prolongados por anos e que às vezes desencadeiam câncer de pele. No Brasil, outra medicação usada em associação com a fototerapia deriva de uma planta chamada Manya cadela. Também com propriedades fotossensibilizantes, mas mais branda do que os psoralenos, a substância é ingerida antes da exposição do corpo ao sol, durante um período de tempo controlado. Essa forma de terapia é ainda mais demorada e menos eficaz, pois não há um controle rígido sobre a quantidade de radiação a que o paciente se submete – além do fato de que, devido às variações climáticas, a luz solar nem sempre está disponível na intensidade necessária. Em casos que apresentem poucas lesões ou em crianças, aplicam-se loções com substâncias fotossensibilizantes antes da exposição ao sol. Vale lembrar que as áreas muito brancas não possuem pigmento e, portanto, não têm proteção natural ao sol. Nos passeios à praia ou à piscina, deve-se usar filtro solar, tanto para evitar queimaduras quanto para impedir o bronzeamento da pele ao redor das manchas, o que acentuaria o contraste da despigmentação. Usam-se corticóides na forma de cremes ou loções nos casos com poucas lesões. Já em casos muito extensos, no quais grande parte do corpo é afetada, existe a opção do clareamento das áreas normais da pele. O tratamento, à base de cremes ou loções, dura de três a quatro meses. Nesses casos, o uso constante de betacaroteno por via oral pode ser indicado, pois desenvolve uma coloração ligeiramente amarelada e diminui o aspecto de palidez. Tratamentos alternativos Nos casos com poucas placas de manchas, pode-se utilizar a técnica de microenxertos. A pele a ser enxertada é normal, ou seja, contém melanócitos ativos, as células capazes de produzir o pigmento melanina, que dá cor à pele. Outra variação consiste no enxerto com cultura de melanócitos. Nesse caso, retira-se um pouco da pele normal do paciente e faz-se o cultivo de melanócitos, que posteriormente são enxertados sobre a área. Existe ainda o tratamento realizado em Cuba, que emprega um medicamento chamado melagenina, derivado de placenta. Embora tenha fama de revolucionária e eficaz, tal terapia não é aceita pela comunidade científica mundial: cientistas de outros países fizeram estudos controlados sobre a melagenina e não obtiveram bons resultados.

Não há forma de prevenir o vitiligo, mas existem formas de tratá-lo, embora dificilmente ocorra a total cura das manchas. Quando a despigmentação está presente em mais de 50% do corpo (vitiligo universal) o tratamento pode ser a total despigmentação da pele. A utilização de um filtro solar adequado é fundamental, visto que as lesões queimam facilmente e os limites da mancha sofrem grande pigmentação, isto aumenta o contraste entre a pele normal e as manchas de vitiligo.

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